Preto no Branco

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A cada 100 mortos pela polícia em 2022, 65 eram negros, mostra estudo

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O número de pessoas mortas pela polícia em apenas oito estados brasileiros chegou a 4.219 em 2022. Desse total, 2.700 foram considerados negros (pretos ou pardos) pelas autoridades policiais, ou seja, 65,7% do total. Se considerados apenas aqueles com cor/raça informada (3.171), a proporção de negros chega a 87,4%. 

Os dados são do estudo Pele Alvo: a Bala não Erra o Negro, realizado pela Rede de Observatórios da Segurança, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), e divulgado nesta quinta-feira (16), com base em estatísticas fornecidas pelas polícias do Rio de Janeiro, de São Paulo, da Bahia, de Pernambuco e do Ceará, Piauí, Maranhão e Pará, com base na Lei de Acesso à Informação (LAI).

Dos oito estados, apenas o Maranhão não informou a cor/raça de qualquer um dos mortos. Já nos estados do Ceará e Pará, há um grande número de mortos sem identificação de cor/raça: 69,7% e 66,2% do total, respectivamente.

Os dados mostram que a polícia baiana foi a mais letal no ano passado, com 1.465 mortos (1.183 tinham cor/raça informada). Desse total, 1.121 eram negros, ou seja, 94,8% daqueles com cor/raça informada, bem acima da parcela de negros na população total do estado (80,8%), segundo a pesquisa, feita com base em dados do Instituto Brasileiro e Geografia e Estatística (IBGE).

Aliás, isso ocorre em todos os sete estados que informaram a cor/raça de parte das vítimas. No Pará, por exemplo, 93,9% dos mortos com cor e raça identificadas eram negros, enquanto o percentual de negros na população é de 80,5%, de acordo com o estudo.

Os demais estados apresentaram as seguintes proporções de mortes de negros entre aqueles com cor/raça informada e percentuais de negros na população: Pernambuco (89,7% e 65,1%, respectivamente), Rio de Janeiro (87% e 54,4%), Piauí (88,2% e 79,3%), Ceará (80,43% e 71,7%) e São Paulo (63,9% e 40,3%).

Racismo

“Os negros são a grande parcela dos mortos pelos policiais. Quando se comparam essas cifras com o perfil da população, vê-se que tem muito mais negros entre os mortos pela polícia do que existe na população. Esse fator é facilmente explicado pelo racismo estrutural e pela anuência que a sociedade tem em relação à violência que é praticada contra o povo negro”, diz o coordenador do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), Pablo Nunes.

Nunes também destaca que há falta de preocupação em registrar a cor e raça dos mortos pela polícia em estados como Maranhão, Ceará e Pará. “A dificuldade de ser transparente com esses dados também revela outra face do racismo, que é a face de não ser tratado com a devida preocupação que deveria. Se a gente não tem dados para demonstrar o problema, a gente ‘não tem’ o problema e, se ‘não há’ problema, políticas públicas não precisam ser desenhadas.”

O estudo mostrou ainda que, neste ano, a Bahia ultrapassou o Rio no total de óbitos (1.465 contra 1.330). Em terceiro lugar, aparece Pernambuco, com 631 mortes. “Isso significa um cenário de degradação das forças policiais baianas e um processo de falta de políticas públicas de ação do governo estadual para lidar com essa questão, elencando-a como prioridade e estabelecendo metas e indicadores de redução dessa letalidade por parte das forças policiais”, afirma Nunes.

Segundo a Rede de Observatórios, a quarta edição do estudo demonstra o crescente nível da letalidade policial contra pessoas negras. “Em quatro anos de estudo, mais uma vez, o número de negros mortos pela violência policial representa a imensa maioria. E a constância desse número, ano a ano, ressalta a estrutura violenta e racista na atuação desses agentes de segurança nos estados, sem apontar qualquer perspectiva de real mudança de cenário”, afirma Silvia Ramos, pesquisadora da rede.

Segundo ela, é preciso entender esse fenômeno como uma questão política e social. “As mortes em ação também trazem prejuízos às próprias corporações que as produzem. Precisamos alocar recursos que garantam uma política pública que efetivamente traga segurança para toda a população”, completa.

Posicionamentos

A Secretaria de Segurança de São Paulo informou, por meio de nota, que as abordagens da Polícia Militar obedecem a parâmetros técnicos disciplinados por lei, que criou a Divisão de Cidadania e Dignidade Humana e que seus protocolos de abordagem foram revisados. Além disso, oferece cursos para aperfeiçoar seu trabalho – nos cursos de formação, os agentes estudam ações antirracistas.

Uma comissão analisa todas as ocorrências por intervenção policial e se dedica a ajustar procedimentos. A Polícia Civil paulista busca “estabelecer diretrizes e parâmetros objetivos, racionais e legais, sem qualquer tipo de discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, origem, onde o policial civil, no desempenho da sua atividade”.

A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) informa que, de janeiro a outubro de 2023, o estado alcançou redução de 22% nas mortes por intervenção de agentes do Estado, se comparado ao mesmo período de 2022, quando foram registrados, respectivamente,  440 e 569 casos em todo o Pará. A Segup ressalta que as ocorrências são registradas no Sistema Integrado de Segurança Pública pela Polícia Civil e que o campo “raça/cor” não é de preenchimento obrigatório, sendo a informação de natureza declaratória por parte de parentes ou da vítima no momento do registro.

Na Bahia, a Secretaria da Segurança Pública ressalta que as ações policiais são pautadas dentro da legalidade e que qualquer ocorrência que fuja dessa premissa é rigorosamente apurada e todas as medidas legais são adotadas. A secretaria informa que investe constantemente na capacitação dos efetivos e também em novas tecnologias, buscando sempre a redução da letalidade e a preservação da vida.

Para tanto, foi criado um grupo de trabalho voltado para a discussão e criação de políticas que auxiliem na redução da letalidade policial, promovendo uma análise mais aprofundada das informações provenientes dessas ocorrências, como o perfil das pessoas envolvidas, contextualização e região, entre outros dados que possam colaborar para a redução desses índices. A secretaria destaca ainda que a maioria dos acionamentos  policiais se dá a partir dos chamados via 190 (Centro Integrado de Comunicações) e 181 (Disque Denúncia), além das operações para cumprimentos de mandados determinados pela Justiça.

No Rio de Janeiro, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que, em todos os cursos de formação e aperfeiçoamento de praças e oficiais, a corporação insere nas grades curriculares como prioridade absoluta disciplinas como direitos humanos, ética, direito constitucional e leis especiais. A questão racial perpassa, de forma muito incisiva, por todas essas doutrinas na formação dos quadros da corporação.

De acordo com a assessoria, internamente, a Polícia Militar do Rio de Janeiro tem feito a sua parte para enfrentar o desafio do racismo estrutural ao longo de mais de dois séculos. Foi a primeira corporação a oferecer a pretos uma carreira de Estado, e hoje mais de 40% do seu efetivo é composto por afrodescendentes.

A instituição orgulha-se também de seu pioneirismo em ter pretos nos postos de comando. O coronel PM negro Carlos Magno Nazareth Cerqueira comandou a corporação durante duas gestões, nas décadas de 1980 e 1990, tornando-se uma referência filosófica para toda a tropa, ao introduzir os conceitos de polícia cidadã e polícia de proximidade. No decorrer dos últimos 40 anos, outros oficiais negros ocuparam o cargo máximo da corporação.

Agência Brasil

e-Agro começa nesta quinta-feira (16)

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A maior feira de inovação, tecnologia agropecuária e geração de negócios da Bahia terá início nesta quinta-feira (16), no Centro de Convenções de Salvador. O evento abre as portas ao público, às 13h, e a solenidade oficial de abertura ocorre às 18h30. Entre as autoridades presentes estarão o presidente do Sistema Faeb/Senar, Humberto Miranda, o superintendente do Sebrae Bahia, Jorge Khoury, e os diretores Técnico, Franklin Santos, e de Administração e Finanças, Vitor Lopes.

A e-Agro é promovida pelo Sistema Faeb/Senar e pelo Sebrae e conta com patrocínio da Aiba, Abapa, Syngenta, Sistema Fecomércio-BA, Prefeitura de Salvador e Abrasel. O evento, que ocorre até este sábado (18), é gratuito e a programação completa pode ser conferida em https://www.eagrodigital.com.br/. Empreendedores com CNPJ, DAP, NIRF, CAF, registro de pesca e carteira de artesão terão acesso também às palestras e capacitações. Já o público geral poderá conferir as áreas de exposição e as atrações culturais durante todos os dias do evento.

A e-Agro vai contar ainda com área de recreação infantil, que ficará a cargo do animador Tio Paulinho, praça de alimentação, espaço de artesanato e arena tecnológica. A feira se torna mais diversa a cada ano. Os visitantes vão encontrar os melhores produtos de todas as regiões da Bahia, a exemplo de queijos artesanais, cafés premiados, vinhos selecionados, chocolates e cervejas artesanais.

A expectativa é de que mais de 10 mil pessoas visitem o local nos três dias de evento e que cerca de 2,5 mil pessoas sejam capacitadas por dia. Estima-se, ainda, que a geração de negócios ultrapasse a marca dos R$ 15 milhões, não apenas com as rodadas, mas também por meio do leilão virtual e da comercialização dos expositores.

A e-Agro foi realizada em Vitória da Conquista, em 2019; uma edição digital, em 2020; em Teixeira de Freitas, em 2021; e em Salvador, no ano passado. Nas quatro edições, o evento reuniu 200 expositores e contabilizou mais de 40 mil visitantes e mais de R$ 100 milhões em negócios gerados.

SERVIÇO

O quê: e-Agro

Quando: de 16 a 18 de novembro, das 13h às 22h

Onde: no Centro de Convenções de Salvador, Boca do Rio, Salvador (BA)

Inscrição gratuita: https://www.eagrodigital.com.br

Vereadora Lucinha Mota cobra titularidade para assentados da “Ocupação Santa Isabel”, em Nova Descoberta, Petrolina

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A vereadora Lucinha Mota apresentou requerimento na Câmara de Vereadores de Petrolina, nesta terça-feira (14), em que solicita a intervenção do prefeito Simão Durando, no sentido de encaminhar ao legislativo municipal uma cópia de um processo administrativo, de 2006, que desapropriava uma área para assentamento de famílias de baixa renda na comunidade de Nova Descoberta.

Lucinha Mota, relatou que mais de 300 famílias vivem no assentamento, conhecido como “Ocupação Santa Isabel”, aguardando a titularidade dos seus lotes e correndo riscos de serem despejados em função de um processo judicial em que herdeiros do antigo dono reivindicam a posse.

De acordo com levantamento feito pela vereadora, o processo administrativo além de doar a terra para as famílias, abria crédito junto à Caixa Econômica Federal, que também não se concretizou para a grande maioria.

“Quando foi feito esse decreto, em junho de 2006, o prefeito era Fernando Bezerra Coelho e a finalidade era desapropriar o terreno e ajudar essas famílias com recursos junto à Caixa Econômica Federal. Algumas pessoas chegaram a realizar esse empréstimo, muitos nem chegaram a receber, mais ficaram com seus nomes negativados. Essas pessoas passam por um grande problema, pois não tem a titularidade da área e estão com seus nomes negativados, sem poder contratar um novo empréstimo ou realizar qualquer outro cadastro de habitação”, relatou.

Lucinha Mota pediu a sensibilidade do executivo e do legislativo de Petrolina para solucionar esse problema: “Peço a sensibilidade desta casa para este requerimento, para que possamos ajudar essas famílias, que hoje enfrentam um processo judicial. Eles precisam da nossa ajuda e essa casa pode e deve colaborar para a entrega desses títulos de propriedade”, enfatizou da tribuna.

 

Ascom

Governo brasileiro apoia resolução que prevê pausa humanitária em Gaza

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O Ministério da Relações Exteriores informou, nesta quarta-feira (15), que o governo brasileiro recebeu “com satisfação” a notícia da aprovação, pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas (ONU), da primeira resolução relativa à atual crise humanitária na Faixa de Gaza, resultante do conflito entre Israel e o grupo palestino Hamas. O texto foi apoiado pelo Brasil, que até dezembro ocupa um assento para membros não permanentes no órgão.

“A resolução, com foco na proteção de crianças, proposta por Malta e apoiada pelo Brasil e pelos demais membros não permanentes, foi aprovada com 12 votos a favor. Estados Unidos, Reino Unido e Rússia optaram pela abstenção”, diz a pasta, em comunicado, explicando que o texto aprovado exige que as partes cumpram suas obrigações em matéria de direito internacional e do direito internacional humanitário, em especial no que se refere a civis e crianças.

Segundo o Itamaraty, a resolução pede a implementação de “pausas e corredores humanitários urgentes e prolongados em toda a Faixa de Gaza por um número suficiente de dias”, para que ajuda humanitária de emergência possa ser prestada à população civil por agências especializadas da ONU, pela Cruz Vermelha Internacional e por outras agências humanitárias imparciais.

O texto pede também a “libertação imediata e incondicional de todos os reféns” mantidos pelo Hamas e por outros grupos, rejeita o deslocamento forçado de populações civis e demanda a normalização do fluxo de bens e serviços essenciais para Gaza, com prioridade para água, eletricidade, combustíveis, alimentos e suprimentos médicos.

No mês passado, o Conselho de Segurança rejeitou a proposta apresentada pelo governo brasileiro que pedia pausas humanitárias aos ataques entre Israel e o Hamas para permitir o acesso de ajuda à Faixa de Gaza.

O resultado da votação foi 12 votos a favor, duas abstenções, sendo uma da Rússia, e um voto contrário, por parte dos Estados Unidos. Por se tratar de um membro permanente, o voto norte-americano resultou na rejeição da proposta brasileira.

O Conselho de Segurança da ONU é o responsável por zelar pela paz internacional. São cinco os membros permanentes: China, França, Rússia, Reino Unido e Estados Unidos. Fazem parte do conselho rotativo Albânia, Brasil, Equador, Gabão, Gana, Japão, Malta, Moçambique, Suíça e Emirados Árabes.

Para que uma resolução seja aprovada, é preciso o apoio de nove do total de 15 membros, sendo que nenhum dos membros permanentes pode vetar o texto.

O conflito

No dia 7 de outubro, o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, lançou um ataque surpresa de mísseis contra Israel, com incursão de combatentes armados por terra, matando civis e militares e fazendo centenas de reféns israelenses e estrangeiros. Em resposta, Israel bombardeou várias infraestruturas do Hamas, em Gaza, e impôs cerco total ao território, com o corte do abastecimento de água, combustível e energia elétrica.

Os ataques já deixaram milhares de mortos, feridos e desabrigados nos dois territórios. A guerra entre Israel e Hamas tem origem na disputa por territórios que já foram ocupados por diversos povos, como hebreus e filisteus, dos quais descendem israelenses e palestinos.

Agência Brasil

Parceria histórica transforma Abaré: Mais de R$ 62 milhões investidos em qualidade de vida

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Em um marco para a comunidade de Abaré, o deputado estadual Roberto Carlos, vice-líder do Governo do Estado, anunciouos frutos de uma colaboração exemplar entre o Estado, sua atuação política e o incansável prefeito de Abaré, Fernando Tolentino. “Estamos testemunhando resultados tangíveis de uma parceria dedicada, que culminou em um investimento recorde de mais de R$ 62 milhões. Juntos, miramos em áreas cruciais para promover um salto significativo na qualidade de vida dos abareenses”, declarou o deputado.

O aporte financeiro substancial foi direcionado para setores como saúde, educação, infraestrutura e assistência social, impactando positivamente a rotina dos cidadãos. A eficiência da gestão do prefeito de Abaré foi destacada pelo deputado, evidenciando o comprometimento que foi fundamental para o sucesso dessa iniciativa. A cidade de Abaré celebra os resultados concretos dessa união, vislumbrando um futuro mais promissor graças a esse trabalho conjunto.

Ascom

“Se enxergue, isso é racismo!”: Governo da Bahia apresenta campanha do Novembro Negro

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“Se enxergue, isso é racismo!”. Esse é o mote da campanha do Novembro Negro, lançada nesta terça-feira (14), pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial e dos Povos e Comunidades Tradicionais (Sepromi). O mês marca a luta contra a discriminação racial e a afirmação da cultura do povo negro. O ato aconteceu no prédio da Governadoria, no Centro Administrativo, em Salvador. Na ocasião, foram divulgadas as atividades realizadas ou apoiadas pela gestão estadual que ainda irão acontecer ao longo deste mês.

A titular da Sepromi, Ângela Guimarães, destacou a importância das parcerias para a realização destas ações: “Elas envolvem esforços de vários entes do governo, mas também do sistema de Justiça, de universidades, dos movimentos sociais. E têm tido um alcance cada vez maior, atendendo mais territórios, atendendo mais municípios, sendo uma presença em grandes eventos que o Estado realiza. E essa expansão não é verificada pelo percentual de investimento em recurso, mas pela expansão dos serviços e pela chegada a um número cada vez maior de baianos”.

As peças da campanha envolvem outdoors, anúncios, banners e vídeos e apresentam situações de racismo vividas pela população negra. Aliado a isso, a agenda especial prevê a realização de shows, debates, atos públicos, seminários, festivais, feiras e caminhadas, atividades que contam com o apoio do governo baiano e fortalecem a luta antirracista, além de contribuir para a garantia de direitos da população negra.

Em 2023, as políticas afirmativas na Bahia completam 16 anos. De acordo com a secretária Ângela, essa programação reforça o compromisso do Estado no combate ao racismo: “A gente tem atuado a partir do nosso Centro de Referência Nelson Mandela de Combate ao Racismo e à Intolerância Religiosa. As pessoas estão procurando seus direitos, denunciando. Estão chegando até o Centro de Referência, para que esses crimes não continuem resultando em impunidade. A gente tem esse equipamento público, unidade móvel percorrendo vários municípios. Já visitamos 55 municípios durante esse ano e essa agenda vai se intensificar até o final do mês de novembro”.

O ponto alto do calendário é o 20 de novembro, Dia Nacional da Consciência Negra, data que lembra a morte do líder quilombola Zumbi dos Palmares. O estudante Luís Henrique da Silva, do Colégio Estadual de Tempo Integral Pedro Paulo Marques e Marques, destaca que vem buscando conscientizar os colegas a respeito dos direitos: “Em meio às diversas dificuldades que a gente tem, quando a gente é uma pessoa negra, ali meu papel começa. Fazer meus colegas entenderem que a gente precisa estudar, nossos espaços e, cada dia mais, estar fortalecido para estar preparado para a luta contra a miscigenação”.

Além da capital, as atividades do Novembro Negro 2023 também acontecem no interior baiano. Estão confirmadas ações nas cidades de Taperoá, Souto Sares, Jequié, Ibitiara, Boninal, Araçás, Dias D’Ávila, Madre de Deus, Campo Formoso, Santa Bárbara, Feira de Santana, Santo Antônio de Jesus, Conceição do Almeida, Piripá, Riacho de Santana, Acajutiba, Iaçu e Irará. A programação completa pode ser conferida no site www.sepromi.ba.gov.br.

Secom

Uvas do Vale: variedades chamam a atenção do mundo

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O Vale do São Francisco mistura tradição e tecnologia na produção de uvas de mesa no Brasil. A região é responsável por cerca de 95% das exportações desse tipo de fruta.  É o único lugar do planeta em que é possível colher até duas safras e meia de uva por ano, graças ao clima quente e seco, à disponibilidade de água para irrigação e aos investimentos no setor. Tudo isso favorece o desenvolvimento de uma fruticultura com características peculiares em relação às demais regiões produtoras de uvas do país.

Segundo a Embrapa Semiárido, em 2022, a área plantada no Brasil foi de aproximadamente 29,6 mil hectares. As três regiões que concentram a produção nacional são a Nordeste (11,9 mil ha), seguida pela Sudeste (9,9 mil ha) e a Sul (7,4 mil ha). Os estados de Pernambuco, São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Bahia e Minas Gerais são os que têm a maior parte da área de uva de mesa no país. Em relação às cidades, três do Vale do São Francisco estão entre as cinco maiores produtoras: Petrolina/PE (6,45 mil ha), Lagoa Grande/PE (1,85 mil ha) e Juazeiro/BA (1,64 mil ha).

A produção para o mercado externo continua a crescer. Nos dez meses do ano, foram exportadas cerca de 35,7 mil toneladas, um aumento de 32,27% em relação ao mesmo período de 2022. Dados que comprovam que o Vale se firmou como o polo produtor e exportador de uvas de mesa de alta qualidade com excelente padrão tecnológico. A uva gerou mais de 3,3 bilhões de reais em valor da produção no Brasil, em 2022, sendo que aproximadamente dois terços desse total, 2 bilhões de reais, foram originados nessa região do São Francisco.

Com uma área de 370 hectares cultivados, a Agrivale, uma das maiores empresas de fruticultura do Brasil, produz dez variedades: Autumn Crisp, Arra 34, Melodia, Sable, Núbia, Vitória, Scarlotta, Benitaka, Arra 15 e Algodão Doce. Essas uvas são comercializadas em cinco marcas diferentes: Mimo Seleção, Mimo, Turma da Mônica, Duvale e Seleta. São frutas produzidas a partir da combinação de sabores, crocância e aromas únicos, alcançada pelo cruzamento natural desenvolvido por experientes geneticistas.  Além de atender todo o mercado nacional, as uvas de mesa são exportadas para 23 países.

A empresa também é a produtora de uvas de mesa mais certificada do Brasil. São sete importantes certificações nacionais e internacionais, que atestam o respeito da empresa pelo consumidor, pelos colaboradores, pelos fornecedores e por práticas agrícolas sustentáveis.

Ascom

Sobradinho vai sediar a Etapa Territorial Sertão do São Francisco dos Jogos Escolares da Bahia; evento acontece de 16 a 19 de novembro

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O município de Sobradinho vai sediar a etapa territorial dos Jogos Escolares da Bahia, que acontecerá de 16 a 19 de novembro, uma realização da Secretaria Estadual de Educação do Estado da Bahia, através do NTE10.
O evento, uma parceria entre o Governo do Estado e a Prefeitura de Sobradinho, será aberto na quinta-feira (16), às 16 horas, no Ginásio Poliesportivo Francisco das Chagas Nery.
Serão mais de 600 atletas participantes, representando os nove municípios do território do Sertão do São Francisco: Sento Sé, Casa Nova, Sobradinho, Juazeiro, Uauá, Remanso, Curaçá, Pilão Arcado e Canudos.
Ao longo dos quatro dias, acontecerão competições de Futsal, Handebol, Vôlei de Quadra, Voleibol de Dupla no Balneário, Atletismo com provas de Velocidade, Salto em Distância, Arremesso de Peso, Arremesso de Dardo, Xadrez, Tênis de Mesa e Futebol Society.
“Uma logística eficiente e uma infraestrutura de qualidade estão sendo cuidadosamente preparadas para receber este grande evento esportivo. Os jogos serão distribuídos em diversos locais estratégicos, garantindo a melhor experiência para atletas e espectadores. Os complexos poliesportivos, como o Ginásio Francisco das Chagas Nery, o Ginásio do Colégio São Joaquim, o Complexo Esportivo do José Severino da Silva, o Balneário Chico Periquito, o Ginásio do Colégio Jorge Khoury e o Estádio Municipal Apolônio Sales, serão palcos das competições,” informou o Prefeito Cleivynho Sampaio que ressaltou a integração entre os municípios através do esporte.
“Convidamos toda a comunidade a participar desse grande evento esportivo que promove o talento, a competitividade saudável e a integração entre as cidades. A presença de cada um é fundamental para o sucesso dos Jogos Escolares da Bahia – Etapa Territorial Sertão do São Francisco. Vamos juntos celebrar o espírito esportivo e apoiar nossos jovens atletas em busca da vitória. Contamos com você!” convidou Cleivynho.
Ascom/PMS

Animais também estão sujeitos a estresse devido às altas temperaturas Professora recomenda cuidados especiais aos pets

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As temperaturas elevadas não provocam efeitos negativos somente no ser humano.

Também os animais, sejam domésticos ou de produção, estão sujeitos a perigos provocados pelo calor extremo, alertou nesta terça-feira (14) a professora do Instituto de Zootecnia da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ) Ana Lúcia Puerro de Melo. “Todos eles estão sujeitos a estresse pelo calor com essas ondas de calor tão extremas”.

Quando se pensa em animais domésticos, que vivem dentro das casas, os principais cuidados que devem ser tomados incluem propiciar um ambiente com conforto térmico, isto é, com sombra, água fresca, verificar se a vasilha está limpa e com água fresca, trocar a água com frequência, verificar o comportamento do animal, se está se alimentando, defecando e urinando normalmente, recomenda a professora.

Diante de qualquer comportamento ou indício de desconforto ou de que ele não está bem, a recomendação é procurar um veterinário.

“No caso de animais de produção, o nível de estresse de calor é bastante grave. Dependendo da espécie e da raça, pode aumentar a taxa de mortalidade”, esclareceu a professora da UFRRJ.

Mesmo animais que são alojados em galpões que, em tese, são ambientes sombreados, o calor muito excessivo pode ampliar o índice de mortalidade. As aves são um exemplo.

Instalações

Quando são animais de produção, há cuidados que podem ser tomados antes da instalação da atividade, que seria pela escolha das raças que são mais adaptadas, e também pela instrução da construção das instalações, que devem garantir sombreamento, com fornecimento de água limpa. No manejo, podem ser feitas também alterações, como evitar estressar os animais com manejos em momentos de maior pico de temperatura, mas deixá-los em repouso, tentar fazer compensações. “Se você notar que o animal diminuiu a ingestão de comida, deve-se tentar compensar isso no momento em que a temperatura diminui, com colocação de novo alimento fresco para incentivar a compensação dos períodos de calor”.

Ana Lucia disse que a cães e gatos podem ser oferecidos alimentos diferentes, palatáveis, que já vêm com um nível de umidade maior, porque isso também estimula a ingestão de líquidos, que é essencial. “Apesar de ser muito similar ao que se recomenda para os seres humanos, como diminuir a atividade, a movimentação, isso serve também em relação ao manejo dos animais, que é deixá-los em repouso em momentos de maior calor, evitar exposição ao sol desnecessária, manter o fluxo de água limpa e fresca, para que isso estimule o consumo. Serve para eles e para nós também”.

Segundo Ana Lúcia, o estresse pelo calor é negligenciado até para os seres humanos. “A gente vê muitas campanhas do agasalho, no frio, mas nesses dias quentes, inclusive para os seres humanos que estão em situação de vulnerabilidade, muitas vezes não dispõem de um local decente para tomar um banho ou beber uma água potável em temperatura adequada, é essencial que haja conscientização sobre isso também”.

Oceanos

O professor Francisco Gerson de Araújo, coordenador do Laboratório de Ecologia de Peixes da UFRRJ, explicou que esse calor excessivo é, primariamente, efeito de um forte El Niño, que é aumento da temperatura no Oceano Pacífico central, que gera um calor muito grande, muda a direção das correntes e faz com que o ar suba e desça sob a forma de barreira no Sul, mais ou menos a 5º de latitude. “É por isso que no Sul continua chovendo e, aqui, está seco e quente. Essa é a consequência do El Niño, que faz com que aumente a temperatura global”.

Gerson de Araújo disse que todos os peixes, como os demais organismos que vivem na água, têm uma temperatura interna vinculada à temperatura do ambiente. Quando a temperatura do ambiente aumenta de forma excessiva, eles tendem a se deslocar para áreas de temperatura mais amena, como estão acostumados.

Em nível global, os peixes vão se deslocando para latitudes mais altas, ou seja, da costa do Rio de Janeiro para a costa de São Paulo e de Santa Catarina. “Quer dizer, para lugares em que a temperatura não esteja tão diferente da temperatura onde estão acostumados a viver. Há um deslocamento de massa geral, mas isso não acontece tão rapidamente. É aos poucos”, explicou.

O efeito desse deslocamento em função do calor excessivo é muito negativo, porque causa prejuízo a toda a cadeia trófica, ou cadeia alimentar. Algumas espécies começam a migrar para outras regiões e quebram a cadeia trófica onde vivem. As consequências são muito ruins. Algumas espécies podem, inclusive, desaparecer. “Essa temperatura alta não é boa. É muito ruim”. Esse é um efeito global, em termos de oceano.

Já o efeito local também é negativo porque, toda vez que a temperatura aumenta, a quantidade de oxigênio diminui e pode haver mortandade de peixes, disse o professor da UFRRJ.

Agência Brasil