Preto no Branco

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Caixa libera abono do PIS/Pasep para nascidos em janeiro

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Cerca de 1,8 milhão de trabalhadores com carteira assinada nascidos em janeiro podem sacar, a partir desta segunda-feira (17), o valor do abono salarial do Programa de Integração Social (PIS) e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (Pasep) em 2025 (ano-base 2023). A quantia está disponível no aplicativo da Carteira de Trabalho Digital e no Portal Gov.br.

Ao todo, a Caixa Econômica Federal vai liberar R$ 2,1 bilhões neste mês. Aprovado no fim do ano passado, o calendário de liberações segue o mês de nascimento do trabalhador. Os pagamentos ocorrem de 17 de fevereiro a 15 de agosto.

Neste ano, R$ 30,7 bilhões poderão ser sacados. Segundo o Conselho Deliberativo do Fundo de Amparo ao Trabalhador (Codefat), o abono salarial de 2025 será pago a 25,8 milhões de trabalhadores em todo o país. Desse total, cerca de 22 milhões que trabalham na iniciativa privada receberão o PIS e 3,8 milhões de servidores públicos, empregados de estatais e militares têm direito ao Pasep.

O PIS é pago pela Caixa Econômica Federal e o Pasep, pelo Banco do Brasil. Como ocorre tradicionalmente, os pagamentos serão divididos em seis lotes, baseados no mês de nascimento. O saque começará nas datas de liberação dos lotes e acabará em 29 de dezembro de 2025. Após esse prazo, será necessário aguardar convocação especial do Ministério do Trabalho.

Calendário de pagamento
Nascidos em Recebem a partir de
Janeiro 17 de fevereiro
Fevereiro 17 de março
Março e Abril 15 de abril
Maio e Junho 15 de maio
Julho e Agosto 16 de junho
Setembro e Outubro 15 de julho
Novembro e Dezembro 15 de agosto

Quem tem direito

Tem direito ao benefício o trabalhador inscrito no PIS/Pasep há pelo menos cinco anos e que tenha trabalhado formalmente por, no mínimo, 30 dias no ano-base considerado para a apuração, com remuneração mensal média de até dois salários mínimos. Também é necessário que os dados tenham sido informados corretamente pelo empregador na Relação Anual de Informações Sociais (Rais).

O valor do abono é proporcional ao período em que o empregado trabalhou com carteira assinada em 2023. Cada mês trabalhado equivale a um benefício de R$ 126,50, com períodos iguais ou superiores a 15 dias contados como mês cheio. Quem trabalhou 12 meses com carteira assinada receberá o salário mínimo cheio, de R$ 1.518.

Pagamento

Trabalhadores da iniciativa privada com conta corrente ou poupança na Caixa receberão o crédito automaticamente no banco, de acordo com o mês de seu nascimento.

Os demais beneficiários receberão os valores por meio da poupança social digital, que pode ser movimentada pelo aplicativo Caixa Tem. Caso não seja possível a abertura da conta digital, o saque poderá ser feito com o Cartão do Cidadão e senha nos terminais de autoatendimento, unidades lotéricas, Caixa Aqui ou agências, também de acordo com o calendário de pagamento escalonado por mês de nascimento.

O pagamento do abono do Pasep ocorre por meio de crédito em conta para quem é correntista ou tem poupança no Banco do Brasil. O trabalhador que não é correntista do BB pode fazer a transferência por TED para conta de sua titularidade em terminais de autoatendimento, no portal www.bb.com.br/pasep ou no guichê de caixa das agências, mediante apresentação de documento oficial de identidade.

Até 2020, o abono salarial do ano anterior era pago de julho do ano corrente a junho do ano seguinte. No início de 2021, o Codefat atendeu recomendação da Controladoria-Geral da União (CGU) e passou a depositar o dinheiro somente dois anos após o trabalho com carteira assinada.

Agência Brasil

Secretaria de Segurança Cidadã de Juazeiro debate parcerias para reforçar o combate à violência no município

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Com o objetivo de promover políticas integradas de combate à criminalidade, a Secretaria de Segurança Cidadã de Juazeiro tem participado de encontros com representantes do Governo do Estado para promover a segurança pública por meio da prevenção.

Em uma reunião realizada na última quinta-feira (13), em Salvador, o secretário da pasta municipal, Adegivaldo Mota, alinhou com a Tenente Coronel Denise Santiago, que é Superintendente de Prevenção à Violência da Secretaria de Segurança do Estado da Bahia, o desenvolvimento de cursos especializados para os agentes da Guarda Civil Municipal.

A implantação de curso continuado para a Patrulha Maria da Penha também foi pauta de um encontro realizado com a Superintendente de Prevenção e Enfrentamento a Violência Contra as Mulheres, Camila Lima, da Secretaria de Políticas Para Mulheres.

Junto à Secretaria de Promoção e Igualdade Racial, foi debatido com a Superintendente Bárbara Cardine e com o Coordenador Executivo de Políticas Quilombolas, Ramon Raniere, a possibilidade de implantar cursos de letramento racial em Juazeiro.

O secretário Agegivaldo Mota falou sobre a importância dessas parcerias e formações para fortalecer as ações de enfrentamento ao crime no município. “A formação é a base para qualificação profissional, e essa parceria com três importantes secretarias do Governo do Estado vai fortalecer o trabalho da segurança pública no município”, pontuou.

Ascom PMJ

Policiais da 45ª CIPM prendem acusado de estupro de vulnerável em Uauá; prisão ocorreu após a adolescente procurar o hospital da cidade

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Policiais da 45ª Companhia Independente de Polícia Militar (CIPM)/Curaçá, realizou, neste sábado (15), a prisão de um homem pelo crime de estupro no município de Uauá.

Segundo a PM, a guarnição foi informada, via CICOM, sobre a entrada de um adolescente no hospital municipal de Uauá, relatando ter sido vítima de estupro. A idade da vítima não foi divulgada.

“De imediato, os policiais militares se deslocaram até a unidade de saúde, onde localizaram a vítima, que confirmou a denúncia e indicou o suspeito do crime, residente no município de Canudos”.

Os policiais, acompanhados pelo Conselho Tutelar, iniciaram as buscas, localizando e prendendo o suspeito em flagrante na cidade.

Todos os envolvidos foram conduzidos à delegacia de polícia para que as medidas cabíveis fossem adotadas pela Polícia Judiciária.

Redação PNB, com informações PMBA

HUMANID’ARTES: Arte, Cultura e Direitos Humanos Transformando o Sertão do São Francisco; confira cronograma

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O projeto HUMANID’ARTES é uma iniciativa inovadora, que une arte, cultura e Direitos Humanos, promovendo a formação cidadã e a valorização da identidade cultural no Sertão do São Francisco. Criado pelo artista e produtor cultural André Pereli, que também é bacharel em Direito, o projeto busca fortalecer o acesso à cultura e ao conhecimento, especialmente entre estudantes do ensino médio e comunidades em regiões não centrais de Petrolina-PE.

Com ações voltadas para a capacitação, apresentações artísticas e rodas de conversa. Serão  apresentados Direitos Constitucionais básicos, a Declaração Universal dos Direitos Humanos, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), estudos sobre plantas medicinais da Caatinga, além de criar oportunidades para a arte independente e o fomentar a cena cultural local.

 

Programação 1) Palestra “Direitos e Outras Humanidades” (A. Pereli);  2) Palestra “Plantas Medicinais do Bioma Caatinga, Usos Populares, Estudos Científicos e Sustentabilidade no Semiárido Nordestino” (Jackson Guedes – Univasf); 3) Roda de Conversa; 4) Apresentação musical do EP autoral “Gênesis” (André Pereli).

O público alvo são estudantes do 1º ao 3º ano do ensino médio público, bem como pais de alunos, profissionais das escolas e a comunidade dos bairros que tenham alguma conexão com a instituição de ensino. Os estudantes receberão certificado de participação, para fortalecer o currículo escolar.

“Acredito no poder transformador da arte e na sua capacidade de educar e conscientizar. O HUMANID’ARTES nasce da necessidade de ocupar espaços públicos e educacionais com cultura e o conhecimento de Direitos Fundamentais, estimulando o pensamento crítico e o protagonismo social, através de duas ferramentas essenciais para a vida humana em sociedade”, destaca André Pereli, que há mais de uma década se dedica à música e à produção cultural no Vale do São Francisco.

Em uma região em desenvolvimento, que precisa cada vez mais inclusão, o acesso a iniciativas culturais descentralizadas é um desafio. Projetos como este são fundamentais para fortalecer a identidade local e garantir que a cultura seja um direito acessível a todos, além de levar o Direito onde ele deve estar.

Agenda do projeto:

12/02/2025 (QUARTA-FEIRA) EREM Prof. Evanira de Souza Dias – Lot. Rio Claro II, São Gonçalo – 07:30 às 16:30
14/02/2025 (SEXTA-FEIRA) EREFEM Pe. Luiz Cassiano – Loteamento Recife – 14:10 às 21:10
21/02/2025 EREM Antônio Padilha  – José e Maria – Das 07:30 às 16:30
28/02/2025 EREM Pe. Manoel de Paiva Netto – Jardim Amazonas – 07:30 às 16:30

O HUMANID’ARTES foi aprovado no Edital de Formação e Direitos Humanos, por meio da Lei Paulo Gustavo, em Pernambuco e conta com uma equipe de profissionais qualificados, comprometidos em entregar à população pernambucana resultados que impactem positivamente a qualidade de vida e o acesso à arte, cultura e educação no Sertão do São Francisco.

Saiba mais em:
@andrepereli (Instagram)
https://www.instagram.com/andrepereli/

 

Ascom

Familiares e amigos se despedem do cineasta Cacá Diegues

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Familiares e amigos deram o último adeus ao cineasta e acadêmico Cacá Diegues, em velório na tarde deste sábado (15), na Academia Brasileira de Letras, no centro do Rio de Janeiro.Cacá Diegues morreu nessa sexta-feira (14) aos 84 anos, na capital fluminense, em decorrência de complicações causadas por uma cirurgia. Ele será cremado no Cemitério do Caju.

O cantor, compositor e imortal da ABL Gilberto Gil compareceu ao velório e disse que a obra de Cacá foi construída com muito talento, compromisso, interpretação e a reinterpretação permanente do significado do país.

“Um homem doce, tranquilo, isso também pesa em tempos de hoje, isso é um valor extraordinário. É uma pessoa que deixa muita saudade. Fiz vários trabalhos com ele. Eu estava acabando agora o último filme dele, acabando de fazer a trilha sonora do Deus é Brasileiro número 2. Ele não conseguiu terminar e espero que alguém termine. A música ficou pronta. Tivemos muitas colaborações”, disse Gil.

A cineasta e filha de Cacá, Isabel Diegues, contou que o pai é uma figura que desde o começo de sua vida, filho de sociólogo pesquisador do folclore brasileiro, alagoano, é amante do Brasil.

Ela acrescentou a importância de Cacá para a cultura brasileira é imensa.

“Ele fincou pé em promover, pensar, inventar uma cultura para o Brasil, uma cultura original, misturada, da alegria. Ele dizia ‘não adianta democracia sem oportunidade’. Além de um grande artista, ele é um grande pensador do Brasil, da cultura brasileira. Ele filmou, escreveu e editou até o último dia da sua vida. Temos um filme dele para lançar”, contou.

Cacá Diegues deixa esposa, teve três filhos (a caçula Flora Diegues morreu em 2019) e quatro netos.

Para a cineasta e roteirista Carla Camurati, Cacá era um dos grandes cineastas do país, não só com tudo o que ele filmou, mas era também uma pessoa extraordinária e companheira.

“Ele deixa um legado de uma visão do Brasil muito interessante, profunda e mágica. O olhar do Cacá sobre o Brasil foi um olhar que conseguia ver a mistura, a alegria, a loucura. Ele deixa para nós um espelho muito lindo do que é o povo brasileiro”, disse a cineasta.

A atriz Cláudia Abreu fez seu primeiro filme com o cineasta em Tieta. “Ele é uma das pessoas da cultura mais importantes no sentido de que foi uma pessoa fundamental para o cinema. Um pensador do Brasil, um apaixonado pelo Brasil, sempre antenado com os movimentos culturais. Um farol e um incentivador de novas gerações e de novos talentos”.
A atriz Mariana Ximenes também foi prestar sua homenagem. Ela trabalhou com Cacá no filme O Grande Circo Místico. “Ele foi um alagoano que amava a vida e reproduzia esse amor no cinema dele. Ele era apaixonado pelo Brasil e por pessoas. Ele é um poeta das imagens”.
Biografia

Um dos precursores do movimento artístico Cinema Novo, Carlos Diegues nasceu em 19 de maio de 1940, em Maceió, e mudou-se para o Rio de Janeiro, com a família, aos seis anos de idade.

Começou no cinema quando ainda estava no Diretório Estudantil da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-Rio), onde fundou um cineclube e passou a fazer produções cinematográficas amadoras, junto com colegas como Arnaldo Jabor.

O cineclube foi um dos núcleos de fundação do Cinema Novo, movimento inspirado pelo neorrealismo italiano e pela Nouvelle Vague francesa, e marcado pelas críticas políticas e sociais, principalmente durante a ditadura militar.

Entre suas produções dentro do movimento, destacam-se Ganga Zumba (1964), A Grande Cidade (1966) e Os Herdeiros (1969).

Em 1969, deixou o Brasil e foi morar na Europa, por ter participado da resistência intelectual e política à ditadura. Ao retornar, na década de 70, dirigiu Quando o Carnaval Chegar (1972), Joanna Francesa (1973), Xica da Silva (1976), Chuvas de Verão (1978) e Bye Bye, Brasil (1980).

No período de retomada do cinema brasileiro, lançou Tieta do Agreste (1996), Orfeu (1999) e Deus é Brasileiro (2002). O Grande Circo Místico (2018) foi seu último lançamento como diretor.

Ao longo da carreira, conquistou prêmios em inúmeros festivais nacionais e internacionais. Em 2018, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras na vaga de Nelson Pereira dos Santos.

Agência Brasil

Trabalho por conta própria exige mais horas de serviço, diz IBGE

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Trabalhadores por conta própria gastam mais tempo na atividade profissional do que empregados e patrões. Enquanto a média de horas trabalhadas semanalmente no país é de 39,1, quem atua por conta própria passa 45,3 horas no ofício.

Os dados são referentes ao quarto trimestre de 2024 e fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (14) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O IBGE classifica como trabalhador por conta própria “a pessoa que trabalha explorando o seu próprio empreendimento, sozinha ou com sócio, sem ter empregado e contando, ou não, com ajuda de trabalhador não remunerado de membro da unidade domiciliar em que reside”.

O levantamento aponta que os empregados são a segunda categoria que mais passa horas nas atividades, 39,6 por semana. Em seguida figuram os empregadores, com 37,5 horas. O grupo identificado pelo IBGE como trabalhador familiar auxiliar aparece em seguida com 28 horas semanais.

O trabalhador familiar auxiliar é a pessoa que ajuda a atividade econômica de um parente, por exemplo, em horta da família, mas sem qualquer remuneração. “Atividades mais esporádicas, sazonais e, de fato, sem uma característica de semana de trabalho dentro daquilo que a gente normalmente vai ver em outras atividades como comércio, indústria ou serviços”, explica a coordenadora da Pnad, Adriana Beringuy.

De acordo com o IBGE, a população ocupada no último trimestre de 2024 era de 103,8 milhões de pessoas.

Neste universo, os empregados eram 69,5%, o que inclui os empregados domésticos. Os trabalhadores por conta própria representavam 25,1%; enquanto os empregadores, 4,2%. Os trabalhadores familiares auxiliares respondiam apenas por 1,3% da população ocupada.

Trabalha mais, ganha menos

Apesar de passarem mais horas trabalhando, o profissional por conta própria é o tipo de ocupação que recebe o menor rendimento.

Enquanto o rendimento médio mensal do brasileiro ficou em R$ 3.215 no último trimestre de 2024, o ganho do trabalhador por conta própria ficou em R$ 2.682. Já o empregado teve salário de R$ 3.105. O topo da lista ficou com o empregador, R$ 8.240.

Mais horas trabalhadas

Os trabalhadores por conta própria em São Paulo são os que mais passam tempo nas atividades, em média 46,9 horas semanais. Em seguida figuram os do Rio Grande do Sul (46,5) e os do Ceará (46,2).

Entre os empregados, novamente os de São Paulo lideram o ranking de horas trabalhadas semanalmente (40,7). Em seguida aparecem os de Santa Catarina (40,6) e Mato Grosso (40,5).

Já entre os empregadores, as maiores cargas de trabalho semanal são de Santa Catarina, com 40,4 horas, e Rio Grande do Sul, com 40,2 horas. São Paulo é o sexto, com 38,7 horas semanais.

Em se tratando de trabalhador familiar auxiliar, os de Santa Catarina passam em média 41,6 horas semanais em atividades, tempo 48% maior que a média do país.

Emprego no país

A pesquisa do IBGE apura o comportamento no mercado de trabalho para pessoas com 14 anos ou mais e leva em conta todas as formas de ocupação, seja emprego com ou sem carteira assinada, temporário e por conta própria, por exemplo. São visitados 211 mil domicílios em todos os estados e no Distrito Federal.

A pesquisa divulgada na sexta-feira revela, entre outros dados, que o desemprego no país no quarto trimestre foi o menor já registrado na série histórica em 14 estados.

Em oito estados e no Distrito Federal, o salário médio do trabalhador ficou acima da média do Brasil.

Já o desemprego e a informalidade estão mais presentes na vida de pessoas pretas e pardas do que das brancas.

Agência Brasil

Nise da Silveira, a “psiquiatra rebelde”: Conheça a história da médica que inspirou o movimento da reforma psiquiátrica no Brasil

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“Ninguém hoje, no Brasil, que se interesse pelas questões ligadas à expressão artística ou à psiquiatria, ou a ambas, pode ignorar a contribuição de Nise da Silveira. Contribuição essa que é marcada, de um lado, pela coragem intelectual de romper com o estabelecido e, de outro, pela identificação profunda com o sofrimento do seu semelhante.”

As palavras escritas por Ferreira Gullar, em 1996, já eram válidas 50 anos antes e permanecem verdadeiras até hoje. Assim ele começa seu livro Nise da Silveira – Uma Psiquiatra Rebelde, biografia da médica que revolucionou o tratamento psiquiátrico, nascida em Maceió, no dia 15 de fevereiro de 1905, há exatos 120 anos.

A “coragem” mencionada por Gullar se revelou logo cedo, quando ela decidiu cursar medicina em 1921, apesar de se sentir mal ao ver sangue e de ser a única mulher entre mais de 150 homens na sua turma na Faculdade de Medicina da Bahia. Nise tinha apenas 15 anos. Um ano depois de concluir o curso, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde se especializou em neurologia e psiquiatria e passou a trabalhar na unidade pública de saúde mental então denominada Assistência a Psicopatas e Profilaxia Mental. Mas, assim como muitos intelectuais, ela foi presa pelo governo Vargas acusada de envolvimento com a causa comunista e foi afastada do serviço público até 1944.

A parte mais conhecida de sua trajetória começa neste mesmo ano, quando ela consegue ser reintegrada aos quadros públicos e assume um posto no Centro Psiquiátrico Pedro II, no bairro de Engenho de Dentro, na zona norte do Rio de Janeiro. Os quase 2 anos que Nise passou no cárcere aprofundaram nela a “mania de liberdade”, termo que ela iria repetir muitas vezes posteriormente, e também a importância de não se deixar consumir pelo vazio. 

E o Pedro II guardava muitas semelhanças com a prisão. Eram mais de 1 mil pacientes, de ambos os sexos e de todas as idades. A maioria tinha diagnóstico de esquizofrenia crônica e, para muitos, o hospital tinha uma porta de entrada, mas não de saída.

Os pacientes viviam enclausurados, em condições insalubres, sem realizar nenhuma atividade criativa e eram submetidos a tratamentos reconhecidos atualmente como violentos, mas completamente aceitos e disseminados entre os psiquiatras de todo mundo naquela época, como a lobotomia, o eletrochoque e a terapia de choque por insulina. Mas Nise não era como todo mundo. Bastou assistir a uma sessão de eletrochoque e ver os efeitos danosos da terapia com insulina, para que a médica se recusasse a aplicar esses “tratamentos”, o que lhe rendeu o título de “rebelde” que ela fez questão de nunca mais abandonar.

A direção do hospital, então, relegou à Nise uma atividade considerada de segunda classe, a terapia ocupacional. Em entrevista a Ferreira Gullar, publicada no mesmo livro, Nise conta que a ocupação dos pacientes era “varrer, limpar os vasos sanitários, servir os outros doentes”. A médica então criou uma sala de costura e depois um ateliê de pintura.

“A inovação consistiu exatamente em abrir para eles o caminho da expressão, da criatividade, da emoção de lidar com os diferentes materiais de trabalho”, explicou a médica ao escritor.

Rebeldia

A partir daí, a revolução começou, inclusive com os nomes. Nise se recusava a chamar os internos de pacientes e preferia o termo “clientes”. Durante as oficinas, os tratava com afeto, e não com indiferença. O setor de terapia ocupacional chegou a ter 17 atividades diferentes, e ela também utilizava os pátios, onde os “clientes” eram colocados para tomar sol, em um local para festas e outras atividades coletivas. E o resultado dessas atividades era cuidadosamente guardado ou registrado pela médica, como material de pesquisa.

Rio de Janeiro (RJ) 13/02/2025 – O diretor do Museu de Imagens do Inconsciente, Luiz Carlos Mello, fala sobre o trabalho com Nise da Silveira. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Diretor do Museu de Imagens do Inconsciente, Luiz Carlos Mello, trabalhou com Nise da Silveira – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Poucas pessoas conhecem esse material tão bem quanto Luiz Carlos Mello. O atual diretor do Museu de Imagens do Inconsciente – fundado por Nise – trabalhou com a médica por 26 anos, contribuindo com suas pesquisas e com a organização do seu gigantesco acervo, reconhecido como Memória do Mundo pela Unesco. Ele conheceu Nise em 1974, quando entrou no Pedro II como estagiário, “muito jovem e muito tímido” e começou a participar do seu grupo de pesquisas. Mas só se tornou seu colaborador em 1975, ano em que a médica foi aposentada compulsoriamente por completar 70 anos.

“Quando eu cheguei, o acervo já tinha quase 200 mil obras. Foi a fase reflexiva dela, de pegar o saber, os conhecimentos dela e transformar em livros, cursos, documentários. Ela tinha um rigor de trabalho impressionante e um conhecimento universal extraordinário, então gerou muitos frutos”, lembra Luiz Mello.

Segundo o médico, os resultados da terapia ocupacional orientada por Nise foram rápidos e visíveis, mas ainda assim ela enfrentou resistência durante toda sua carreira: “Ela criava um ambiente sem grades. Os clientes eram chamados pelo nome, uma das bases do trabalho dela era a relação afetiva. E em qualquer doença, não só a doença mental, com um ambiente favorável, o prognóstico é melhor”.

As obras produzidas pelos clientes revelavam emoções que eles não conseguiam organizar e exprimir em palavras, e com o passar do tempo, comprovavam também sua melhora. Em outros casos, atestavam o malefício das terapias tradicionais. Um dos exemplos mais contundentes é o de Lúcio Noeman, que esculpia guerreiros em gesso com muita técnica e precisão, mas foi submetido a uma lobotomia, e depois disso só conseguia produzir figuras disformes.

“Segundo a psiquiatria da época, a principal característica da loucura é a perda da unidade do indivíduo. Mas no atelier eram feitas imagens de mandalas em círculos, o que era uma contradição na própria doença, porque o círculo, por excelência, é o símbolo da unidade. Foi aí que ela escreveu uma carta ao Jung [psiquiatra e psicoterapeuta suíço], com fotografias, perguntando se realmente eram mandalas e por que elas apareciam em tão grande quantidade na produção deles. Menos de um mês depois, ele respondeu dizendo que realmente eram mandalas e que corresponderiam às forças auto-curativas da psiquê. Então, se a pessoa vive um estado de confusão mental, de dissociação, existem forças no inconsciente que contrabalanceiam isso, que buscam a unidade, a reestruturação”, destaca Luiz Carlos Mello.

Em uma carta seguinte, Jung escreveu: “O signatário desta carta convida a senhora doutora Nise da Silveira a se juntar ao semestre de verão de 1957 do Instituto C. G. Jung – Zurique”, o que deu início a uma profícua relação de Nise com os pesquisadores do instituto – ela chegou a ser analisada por uma de suas discípulas, a psicoterapeuta Marie-Louise von Franz – e com o próprio Jung. A partir daí, Nise se tornou grande disseminadora das teorias de Jung no Brasil, e seus trabalhos também ganharam maior dimensão internacional.

Nise também foi pioneira na terapia com animais, algo que hoje é largamente utilizado, com evidências científicas da sua efetividade. De acordo com Luiz Mello, essa ideia partiu da observação atenta dos clientes.

“Nise sempre gostou de bicho. E um doente chegou para ela com um cachorro machucado e perguntou se poderia cuidar desse cachorro. A doutora Nise deu condições e começou a observar que, à medida que o bicho melhorava, o paciente também melhorava”, recorda Luiz Mello.

Inconformada com a grande reincidência de pacientes internados – que chegava a 70% -, Nise também se lançou a um empreendimento que Luiz Mello considera uma antecipação, em mais de 30 anos, dos centros de Atenção Psicossocial, que hoje são as grandes âncoras do serviço público de saúde mental do Brasil. A Casa das Palmeiras, fundada pela médica em 1956, atendia pessoas com transtornos mentais de forma gratuita, sem internação, aplicando a reabilitação ocupacional que ela criou. O local permanece aberto até hoje, mas depois de enfrentar dificuldades financeiras, passou a cobrar mensalidade dos pacientes.

Legado

Por todas essas rebeldias, Nise é tida como uma grande inspiração do movimento de reforma psiquiátrica, que ganhou força no Brasil nos anos 80. Mas um dos principais expoentes dessa luta, o pesquisador sênior da Fundação Oswaldo Cruz Paulo Amarante, diz que a médica desconfiava da proposta de acabar com os manicômios.

Rio de Janeiro (RJ) 13/02/2025 – A exposição Ocupação Nise da Silveira, no anexo do Museu de Imagens do Inconsciente, no Engenho de Dentro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Exposição Ocupação Nise da Silveira, no anexo do Museu de Imagens do Inconsciente – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“Assim como muitas pessoas importantes na história da psiquiatria, ela achava que seria possível existir uma instituição em regime controlado, de uma maneira humanizada. E ela tinha medo: ‘Você vai dar alta pra pessoa e ela vai pra onde? Vai comer aonde? Ela vai ser vítima de violência'”, explica Amarante.

Amarante passou a ter contato frequente com Nise ao ser convidado para planejar a extinção justamente do Hospital Psiquiátrico Pedro II, e fez questão de consultar a médica, iniciando uma verdadeira jornada para convencê-la a apoiar o movimento antimanicomial, o que ficou mais fácil depois que alguns discípulos de Nise embarcaram no projeto.

“A gente trabalhava não para melhorar o hospício, mas para acabar com aquilo, superar aquele modelo. E ela tinha uma experiência pessoal com a Casa das Palmeiras, então a gente usava isso [para convencê-la]: ‘Olha, Nise, a gente quer fazer várias Casas das Palmeiras, locais onde as pessoas passam o dia, fazem atividades, não é obrigatório, não têm que dormir, não ficam presa, entendeu?’”

Ele também levou diversos estudiosos favoráveis à causa para conhecerem Nise, até que a desconfiança da médica se desfez. “Foi uma pena ela não poder assistir aquela instituição deixar de ser um hospital psiquiátrico”, lamenta Amarante.

Nos anos 2000, o hospital foi rebatizado e passou a se chamar Instituto Municipal Nise da Silveira, diminuindo sua capacidade ao longo dos anos, até a realocação dos últimos internos em residências terapêuticas, em outubro de 2021. Desde então, a sua enorme área de 79 mil metros quadrados funciona como parque, com atividades esportivas, artísticas, culturais e de lazer e abriga ainda o Museu de Imagens do Inconsciente. O instituto também mantém atividades de reabilitação psicossocial e de promoção da saúde mental.

Apesar da batalha, Amarante reafirma que Nise é uma grande inspiração. “No Brasil, ela foi a primeira pessoa a recusar-se a fazer uma psiquiatria baseada na violência. E a Nise tinha essa formação filosófica, humanista, e era uma pessoa comprometida com os direitos humanos, com a liberdade, e os direitos das pessoas”.

Rio de Janeiro (RJ) 13/02/2025 – Mural em homenagem à Nise da Silveira no anexo do Museu de Imagens do Inconsciente, no Engenho de Dentro. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil
Mural em homenagem à Nise da Silveira no anexo do Museu de Imagens do Inconsciente – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

E o movimento antimanicomial acabou reforçando ideias que Nise já defendia. “Nós temos que mudar as relações que a sociedade tem com essas pessoas, por isso a gente faz um grande investimento em atividades de arte e cultura. E a gente conseguiu questionar a teoria da irreversibilidade da doença mental. A maior parte daquelas pessoas que estavam nos manicômios, que se dizia que eram crônicas por causa da doença, nós mostramos que a institucionalização, a falta de direito, de protagonismo, de possibilidade de exercer a cidadania, é que criava essa cronicidade”

Nise da Silveira continuou trabalhando durante toda a sua vida e morreu em 30 de outubro de 1999, já com 94 anos de idade. Sua trajetória parece confirmar uma reflexão que ela escreveu, assim que chegou à casa de Jung para conhecê-lo: “Nosso plano de desenvolvimento está inserido dentro de nós. Se nós desviamos dele – e esses desvios são sempre trabalho do consciente – “sobressai” a neurose. Reencontrar o seu plano pessoal de desenvolvimento é a cura.”

Agência Brasil

Univasf realizará 1º Simpósio sobre Questão Racial no Campus Sede

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A Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) realizará, entre os dias 13 e 15 de maio de 2025, no Cineteatro do Campus Sede, em Petrolina (PE), o “1º Simpósio sobre Questão Racial: Por que a reparação à população negra continua necessária?”. O evento tem como objetivo promover um espaço de diálogo, debate e proposição sobre questões essenciais relacionadas às políticas de reparação histórica e à valorização da população negra no Brasil, com destaque para o impacto das ações afirmativas e os desafios ainda existentes, principalmente as cotas raciais no serviço público. As inscrições para participação estão abertas e são gratuitas. A submissão de trabalhos poderá ser feita a partir de amanhã (15) até o dia 30 de março

Os interessados devem se inscrever por meio de um formulário on-line. Para submeter trabalhos, é necessário acessar o site do Simpósio. As submissões poderão ser feitas em duas modalidades: trabalhos científicos ou relatos de experiência. Em ambos os casos, os resumos devem ter como tema central as políticas de ações afirmativas nos âmbitos nacional, estadual e municipal, com foco na promoção da igualdade racial na sociedade brasileira. Além disso, os trabalhos devem ser baseados em pesquisas inéditas e considerar os aspectos éticos relacionados a estudos com seres humanos. Os trabalhos aceitos serão apresentados na forma de pôster. As demais normas para submissão estão disponíveis neste link, e os modelos podem ser baixados no site do evento.

O evento é voltado para gestores públicos, especialmente aqueles que atuam na formulação, implementação e avaliação de políticas públicas no serviço público federal, estadual e municipal, além de estudantes, professores, pesquisadores, técnicos, membros da sociedade civil, do movimento negro e demais interessados.

Realizada pelo Observatório de Políticas Afirmativas Raciais (Opará), pela Reitoria da Univasf, pela Seção Sindical dos Docentes da Univasf (Sindunivasf) e parceiros, a 1ª edição do Simpósio sobre Questão Racial reunirá especialistas de todo o país para discutir políticas de ações afirmativas que visam a promoção de maior igualdade racial na sociedade brasileira. A programação inclui conferência de abertura, mesas-redondas, momentos de diálogo “Afropapo”, cafés afrocientíficos, exposição artística com o tema “Reparar é promover justiça social”, feira de “Saberes e sabores do Vale do São Francisco” e a apresentação de trabalho científicos e relatos de experiência. No dia seguinte ao evento,  em 15 de maio, será realizado um curso de formação para a Comissão de Heteroidentificação da Univasf.

Dúvidas sobre o envio de trabalhos e outras informações podem ser encaminhadas para o e-mail: simposioquestaoracial@univasf.edu.br.

Ascom/ Univasf

Terceira onda de calor deve atingir mais regiões do Brasil; fenômeno deve atingir a Bahia

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Uma nova onda de calor deve atingir o Brasil na próxima semana. O fenômeno deve atingir, inicialmente, os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Minas Gerais, Santa Catarina e Paraná. Porém, deve se estender até a Bahia e Goiás.

De acordo com a Organização Meteorológica Mundial (OMM), uma onda de calor acontece quando as temperaturas máximas diárias ultrapassam em 5°C ou mais em um período mínimo de cinco dias consecutivos.

Em janeiro, a primeira onda de calor aconteceu entre os dias 17 e 23 e a segunda, entre os dias 2 e 12 de fevereiro, ambas no Rio Grande do Sul.

Nove estados e o Distrito Federal deve registrar temperaturas muito acima da média: norte do Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, sul do Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Distrito Federal, Goiás, Bahia, extremo sul do Piauí.

BNews