Atletas amadores e profissionais têm até o dia 18 de julho para garantir a participação no Circuito Sesc de Corridas 2024, em Pernambuco, etapa Petrolina. A cidade abre a temporada de provas no dia 28 de julho. Também acontecem etapas em Recife, Garanhuns, Serra Talhada e Piedade (Jaboatão dos Guararapes).
Inscrições e detalhes da programação podem ser conferidos no site do evento (https://circuitodecorridas.sescpe.com.br/). O circuito conta com percursos de 5km, 10km e 15km. Serão premiados os três primeiros colocados nas categorias comerciário masculino e feminino e público geral masculino e feminino, com cerimônia para entrega das medalhas logo após a corrida.
Também há categorias para pessoas com deficiência, com premiações segmentadas em PCD CAD – para atletas cadeirantes – e PCD Unificado – reunindo as demais pessoas com deficiência. Os corredores inscritos terão direito a um kit composto por camiseta, número de peito e chip, viseira, mochila e medalha de participação.
No dia 28, a largada também será do Sesc, a partir das 6h30 e o trajeto contempla as principais ruas da cidade, entre elas a Avenida Fernando Góes, Avenida Cardoso de Sá e Rua Joaquim Nabuco.
Circuito – Em 2023, mais de dois mil corredores participaram do Circuito no estado, e para a edição de 2024, o projeto prospecta impactar mais de três mil pessoas em Pernambuco. Após a etapa de Petrolina, o Circuito acontece em Recife (03/08), Garanhuns (19/10), Serra Talhada (10/11) e Piedade (01/12).
Com preços diferenciados para comerciários, dependentes, idosos e pessoas com deficiência, o evento também estimula a doação de 1kg de alimento não perecível no ato de retirada dos kits. O valor da inscrição em Petrolina é de R$100 para o público geral. Comerciários e seus dependentes, idosos e pessoas com deficiência garantem desconto e pagam R$50.Estão sendo disponibilizadas 780 vagas.
O evento também estimula a doação de 1kg de alimento não perecível. Os mantimentos arrecadados seguem para o projeto Sesc Mesa Brasil, iniciativa que atua contra a fome e o desperdício de alimentos, além de realizar trabalho logístico levando donativos para instituições de caridade pelo estado.
Sesc – O Serviço Social do Comércio é uma instituição privada mantida pelos empresários do comércio de bens, serviços e turismo. Em Pernambuco, iniciou suas atividades em 1947. Oferece para os funcionários do comércio de bens, serviços e turismo, bem como para o público geral, a preços módicos ou gratuitamente, atividades nas áreas de educação, saúde, cultura, recreação, esporte, turismo e assistência social. Atualmente, existem 23 unidades do Sesc do Litoral ao Sertão do estado, incluindo dois hotéis, em Garanhuns e Triunfo, e o Centro de Produção Cultural, Tecnologia e Negócios do Sesc, em Garanhuns. Essas unidades dispõem de escolas, equipamentos culturais (como teatros e galerias de arte), restaurantes, academias, quadras poliesportivas, campos de futebol, entre outros espaços e projetos.
Serviço – Circuito Sesc de Corridas
Etapa Petrolina
Inscrições: https://circuitodecorridas.sescpe.com.br/
Preço: R$ 100 (inteira) e R$50 (comerciários e dependentes) + 1kg de alimento não perecível
Data: 28 de julho
Inscrições: até 18 de julho
Percursos: 5, 10 e 15km
O Mercado do Produtor de Juazeiro divulgou a cotação dos produtos comercializados no entreposto nesta quarta-feira (03). Os valores apresentados são obtidos através de pesquisa diária no mercado, que funciona de segunda a sexta-feira (das 2h às 22h) e aos sábados (das 2h às 17h) e aos domingos, a partir das 21h.
O consumidor que for à Ceasa ao longo do dia pode encontrar o saco de cenoura, com 20 kg, por R$ 60,00. A caixa de alho, com 10 kg, está a R$ 290,00. A caixa do gengibre, com 15kg, está a R$ 130,00.
O advogado e cidadão juazeirense Jaime Badeca enviou para nossa redação um flagrante positivo da ação de um catador de recicláveis de Juazeiro.
“Nobreza de profissão, catador de recicláveis operando a logística reversa e contribuindo com a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Parabéns, José de Assis!”, disse Jaime Badeca
“Encontrei com ele agora há pouco na Luís Inácio Lula da Silva. Me atendeu com muita satisfação. O semblante dele fala da alegria de estar contribuindo com o meio ambiente, dando exemplo. Todos esses materiais voltam para as fábricas para serem reutilizados, não estão sendo jogados nos logradouros públicos de Juazeiro, verdadeiros lixões espalhados por nossa cidade.
Outro ponto importante a ser destacado é que não se utiliza de maus tratos a animais que puxam carroças e se comete crimes ambientais ao se espalhar lixo pela cidade e ainda sacrificando animais, tudo diante da omissão do poder público municipal.
O Ministério Público Estadual precisa olhar para essa questão que em Juazeiro é uma verdadeira calamidade pública que puxa também as queimadas desses descartáveis causando poluição ao ar atmosférico. Não há outro caminho senão forçar o município a colocar em prática a Lei Nacional de Resíduos Sólidos. Fora isso, é só enxugar gelo, além de desperdiçar dinheiro nosso e incentivar o ineficiente e muito caro modelo vigente de coleta de lixo.
Falo de dinheiro nosso, Sibelle, porque parece que a expressão dinheiro público não nos sensibiliza tanto, como se não fosse nosso, causando-nos indiferença. Como se o dinheiro público não nos causasse sensação de pertencimento”, completou o advogado e cidadão.
Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS)
Entre outros princípios e instrumentos da PNRS, destacam-se a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e a logística reversa.
Segundo a PNRS, a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos é definida como o “conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei.”
Já a logística reversa é um dos instrumentos para aplicação da responsabilidade compartilhado pelo ciclo de vida dos produtos. A PNRS define a logística reversa como um “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a restituição dos resíduos sólidos ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada.”
Ivan Oliveira, morador do Tabuleiro, em Juazeiro, entrou em contato com nossa redação para reclamar da dificuldade em ser atendido e marcar exames na Unidade Básica de Saúde do bairro.
“Aqui na UBS do Tabuleiro está um descaso. Quem vive na área descoberta sofre com a falta de médico. O único médico que atende aqui, atende também em outros lugares e com frequência desmarca as consultas, precisando remarcar. Fora isso, não sei de quem é a culpa, mas como pode demorar até 6 meses para marcar exames? Queremos respostas”, disse o morador.
Encaminhamos a reclamação para a Sesau que respondeu em nota:
“A Secretaria de Saúde (Sesau) informa que o médico da unidade estava de atestado médico e, por este motivo, algumas consultas precisaram ser remarcadas. Sobre a marcação de exames, a Sesau esclarece que isso foi devido às mudanças no sistema para otimizar e ampliar o serviço, porém a situação já foi sanada.”
Morador do bairro Santo Antônio, em Juazeiro, entrou em contato com a nossa redação para reclamar do acúmulo de lixo, entulho e restos de material de construção na Rua Toufic, o que tem gerado transtornos no tráfego e veículos e de pessoas.
“O entulho e o resto de material de construção agora se junta ao lixo que está sendo depositado. O entulho completa 4 meses no bairro Santo Antônio, na Rua Toufic, e o órgão competente não toma providências em retirar da via pública e aplicar corretamente a lei em vigor. A situação é recorrente, como também os terrenos baldios na mesma rua e imediações que servem de acúmulo de entulhos e mato, favorecendo o esconderijo de meliantes, que comumente praticam furtos. Os moradores é que providenciaram a limpeza de terreno do particular, que é uma pessoa conhecida e de posses, mas o órgão não toma providências. Até quando, Semaurb?”, questionou o morador.
Estamos encaminhando a reclamação para a Secretaria de Meio Ambiente e Ordenamento Urbano (SEMAURB).
O multiartista petrolinense, Devi, lança mais um trabalho independente e cheio de originalidade. O clipe do single “Aboiolado” está disponível no Youtube (link) e foi produzido paralelamente ao EP “Amar e Aluar”(links). Com influências melódicas do Pop, o trabalho audiovisual traz ainda referências do Forró e Vogue, estilo de dança surgido na década de 70 como um movimento de reafirmação de identidade de gêneros e sexualidade e marcado por movimentos característicos, caras e bocas.
Vibrante e colorido, o clipe mistura a exuberância de looks fortes e belos com a magnitude da Caatinga, bioma único no mundo. “Aboiolado” conta a história de vida do próprio artista e sua experiência de ter sido uma criança gay até chegar na idade adulta, realizando sonhos que sempre sonhou. Para isso, a produção conta com cenas dinâmicas e irreverentes.
Enquanto artista independente, Devi tem ocupado as redes sociais e os espaços de arte, mostrando o seu trabalho, que é múltiplo, diverso e que tem na essência a quebra de padrões por meio da mistura entre os papéis feminino e masculino. “Esse é um projeto enorme pra mim. Além de ser muito artístico, é o meu primeiro EP, então eu queria que tivesse exatamente a minha identidade e que tivesse essa dualidade entre o feminino e o masculino”, afirma.
A produção conta com o incentivo da Lei Paulo Gustavo, via Ministério da Cultura e Secretaria de Educação, Cultura e Esportes de Petrolina.
Ficha técnica:
Direção Geral: DEVI
Direção Artística e Figurino: Pedro Lacerda
Assistência Direção Artística: Pedro Creslley
Filmagem e edição clipe: Jotta
Fotos Still: Fernanda Walentina
Make up: Gabryel Martins
Hair: Dedê Pereira
Produção: Pedro Henrique
Peças: Matingueiros
Locação: Restaurante Flor de Mandacaru / Capim
Produção Musical | Mix/Master: Iago Guimarães
Marketing: Mylena Drague|Amoz Arte/Design: Amoz
Foto da capa do EP: Kira Duarte
Os Correios anunciaram um concurso público para o preenchimento de 3,2 mil vagas, prioritariamente para o nível operacional de carteiro. Além disso, também foi anunciado um Programa de Desligamento Voluntário (PDV).
De acordo com o presidente da empresa, Fabiano Silva dos Santos, desde 2011 a empresa não realiza concurso público. “Os Correios têm uma defasagem de 4 mil a 5 mil cargos, mas no primeiro momento as vagas serão preenchidos pelos carteiros, que cobrem todos os municípios do país”.
O edital do concurso deve ser publicado em agosto e o objetivo é fortalecer os pontos de entrega da empresa. A expectativa é de que os novos contratados sejam chamados ainda neste ano, em dezembro. Dentre as mais de 3 mil vagas, haverá também cargos para nível superior, como advogados, arquitetos e engenheiros.
PDV
Segundo Silva dos Santos, o PDV é uma demanda dos servidores da estatal. “Esse pedido é feito pelos próprios funcionários da ECT [Empresa de Correios e Telégrafos] que já estão há bastante tempo na empresa.” O programa ainda precisa ser aprovado pela Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (SEST).
A proposta prevê que sejam elegíveis os empregados do quadro de pessoal próprio dos Correios que estejam na situação de ativo na data do desligamento e que atendam, cumulativamente, até o último dia do mês anterior ao da data de encerramento das inscrições, aos seguintes requisitos: ter idade maior ou igual a 55 anos e menor que 75 anos; ter tempo de efetivo exercício nos Correios maior ou igual a 25 anos; e pelo menos 36 meses de remuneração, nos últimos 60 meses.
A religiosa Joana Angélica, a escravizada Maria Felipa e a combatente Maria Quitéria foram protagonistas na expulsão dos portugueses na Bahia
A história de três mulheres ilustra bem o perfil de combatentes da Independência da Bahia e o porquê de historiadores locais defenderem que foi por aqui onde aconteceu a verdadeira Independência, tese que é defendida, por exemplo, pelo governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues – primeiro indígena eleito no Estado. Maria Quitéria, Joana Angélica e Maria Felipa compõe uma tríade considerada heroína da Independência. A vida das três ainda é objeto de disputa e estudos mesmo 200 anos após o 2 de Julho de 1823 – especialmente as duas Marias. Mas o que faz delas três tão especiais para uma data cívica desse porte para o Brasil? É o que tentaremos explicar nas próximas linhas.
Historiadora e integrante do programa de Pós-graduação em História da UFBA como mestranda, onde pesquisa a construção da memória histórica produzida sobre Maria Quitéria de Jesus nos séculos XIX, XX e XXI, Marianna Teixeira defende que Maria Quitéria e Maria Felipa são provas de um universo que ainda pode ser descoberto em relação à historiografia nacional. Elas são nomes que sobreviveram ao tempo – no caso de Maria Felipa, ainda mais, por sobreviver graças à oralidade – e podem ajudar a quebrar estereótipos sobre a participação feminina na vida social brasileira em séculos passados.
“Ela saiu em defesa da comunidade de irmãs que vivia no local e da ideia de que a Igreja precisa ser preservada, independente do contexto. Acredito que Joana Angélica seja um nome que merece figurar, com maior atenção, não somente na história da independência do Brasil, mas na história da Igreja Católica da Bahia”. (Dom Sergio da Rocha, Arcebispo de Salvador)
A primeira das três a entrar de fato na guerra foi a abadessa Joana Angélica. De maneira trágica. Era 19 de fevereiro de 1822, antes mesmo do famoso grito de Independência ou Morte às margens do Rio Ipiranga, quando militares portugueses invadiram o Convento Nossa Senhora da Conceição da Lapa por suspeitarem que rebeldes brasileiros se escondiam no local sagrado para a tradição católica. Dias antes, Salvador fora tomada por brigas e trocas de tiros entre brasileiros insatisfeitos com decisões vindas de Portugal e com a nomeação de Inácio Luís Madeira de Melo como brigadeiro na Bahia.
O primeiro a sofrer com a fúria portuguesa foi o capelão Daniel Lisboa, que apanhou antes de cair desmaiado no chão. Segurando sua cruz, Joana Angélica, uma mulher de 60 anos, tentou impedir a entrada das tropas em seu convento e foi morta com golpes de baioneta, aquela arma com uma lança na ponta.
Arcebispo da Bahia e primaz do Brasil, dom Sergio da Rocha defende que o ato de Joana Angélica vai além do patriotismo, tendo, também, uma importância religiosa que ajudou a provocar a comoção social decorrente de seu assassinato. “Ao ali colocar-se, ela saiu em defesa da comunidade de irmãs que vivia no local e da ideia de que a Igreja precisa ser preservada, independente do contexto. Acredito que Joana Angélica seja um nome que merece figurar, com maior atenção, não somente na história da Independência do Brasil, mas na história da Igreja Católica da Bahia”, aponta.
A abadessa iniciou seu noviciado quatro décadas antes de sua morte. Viveu no Convento, então ligado à Ordem da Imaculada Conceição, desde esse início. Sua morte comoveu a sociedade baiana da época e ajudou os rebeldes a consolidarem o discurso contra a violência portuguesa. Inácio Luís Madeira de Melo passou a ser conhecido como “Malvado Madeira”. Isso ajudou a resistência, que fugiu, num primeiro momento, para a cidade de Cachoeira, no Recôncavo.
Movimentos pela beatificação
Uma das grandes provas da comoção gerada pela morte de Joana Angélica foi uma poesia escrita pela garota Urânia Vanério, de 10 anos, que assinava como ‘Uma Baianinha’, publicado no Rio de Janeiro por Ângelo da Costa Ferreira, logo depois do assassinato. “Há de perder-se a Bahia/ Para governar Madeira?/ Ter poderio, Excelência/ Hão de os Baianos sofrer/ Dos Lusos tanta insolência?”, dizia um dos primeiros versos, como recorda Marianna Teixeira.
Segundo biografia disponibilizada pela Arquidiocese de Salvador, Joana Angélica era filha de uma família de aristocratas, que não se opuseram ao desejo da filha, ainda jovem, em seguir carreira religiosa. Seus pais se chamavam José Tavares de Almeida e Catarina Maria da Silva. O cargo que ela ocupava ao ser executada, o de abadessa, é o máximo na hierarquia do convento. E ela o assumiu por duas oportunidades. Primeiro, de 1815 a 1817. Depois, de 1821 até seu assassinato.
Na Bahia, existem movimentos pela beatificação da heroína do 2 de Julho: em 2001, a Arquidiocese de Salvador pediu a inclusão de documentos comprobatórios de seu martírio em defesa da fé, o que poderia torná-la santa mesmo sem comprovação de milagres. A arquidiocese não respondeu sobre o status desses estudos.
Estátua de Joana Angélica em Feira de Santana: filha de produtor rural se fingiu de homem para lutar pela Independência (Foto: Joá Souza / Governo da Bahia)
Com as roupas do cunhado
No meio desse turbilhão, uma moça, que cresceu no campo, levava a vida junto aos pais. Uma vida que culminaria no feito de se tornar a primeira militar do Brasil. Pelo menos a primeira reconhecida, como pondera Marianna Teixeira. “Me perguntam em sala de aula se ela foi a única mulher a se alistar no Exército, mas quem garante que não houve outras com a mesma ideia de Maria Quitéria, de se fingir de homem, e que não foram descobertas? É algo que nunca iremos saber”, reflete.
Maria Quitéria de Jesus nasceu em 1792, no Recôncavo baiano, mais especificamente no sítio do Licorizeiro, numa região chamada de São José das Itapororocas. Ela cresceu na zona rural e não tinha instrução. Com 10 anos de idade, a mãe faleceu; o pai Gonçalo se casou outras duas vezes, até se estabelecer, com Maria Quitéria e seus outros filhos, Luiz e Josefa, a Serra da Agulha, onde hoje fica a cidade de Tanquinho (perto de Feira de Santana).
“Após algumas semanas, seu pai, que estava a sua procura, conseguiu reconhecê-la entre os soldados e solicitou ao comandante do batalhão a sua retirada. O chefe militar falou das habilidades dela e pediu que Maria Quitéria escolhesse entre voltar para a fazenda ou seguir no batalhão por amor à pátria” (Marianna Teixeira, Historiadora e pesquisadora)
Segundo os biógrafos de Maria Quitéria, ela tinha muitos conflitos com a segunda madrasta, Maria Rosa de Brito, que queria a enteada em casa, preparando-se para o matrimônio, aprendendo afazeres femininos. Quitéria gostava de cavalgar, caçar e atirar. “Maria Quitéria não era uma menina extraordinária por querer coisas entendidas como de menino. O que a gente tem hoje em dia como atividades femininas daquela época não era seguidas por muitas mulheres. A maior parte delas eram pobres, que precisavam trabalhar e participar da vida da família. Elas não pensavam em viver na clausura do lar, cuidando da casa. Era uma atividade muito voltada para mulheres de classe mais abastadas, com a opção de não trabalhar”, diz a historiadora.
Marianna relata que, já em 1822, emissários da junta do governo provisório criado em Cachoeira chegaram à fazenda de seu pai em busca de voluntários para as batalhas de expulsão dos portugueses. Ele não tinha filhos homens maiores de idade, por isso os emissários não conseguiram ninguém. Ou quase isso. Maria Quitéria ouviu a conversa e quis se alistar: ora, ela atirava bem, cavalgava, conhecia territórios. Por que não? Contou ao pai que queria. Enfrentou resistência. E fugiu, com ajuda da irmã.
Ela se vestiu como homem, utilizando o fardamento do cunhado e assumindo a identidade dele, José Medeiros. Josefa ainda cortou os cabelos da irmã. E foi assim que ela se apresentou, como soldado Medeiros, ao batalhão instalado na região. Mas o disfarce não durou. “Após algumas semanas, seu pai, que estava a sua procura, conseguiu reconhecê-la entre os soldados e solicitou ao comandante do batalhão a sua retirada. O chefe militar falou das habilidades dela e pediu que ela escolhesse entre voltar para a fazenda ou seguir no batalhão por amor à pátria”. Ela seguiu.
Nas batalhas pela Independência, Maria Quitéria teve uma atuação marcante. Sua primeira missão se deu em 29 de outubro de 1822, organizando a defesa da ilha de Maré no III Batalhão de Infantaria. Logo depois, na Batalha de Pirajá, contribuiu para impedir que as tropas portuguesas chegassem ao Recôncavo Baiano por terra.
Na última batalha que comandou, Maria Quitéria e cerca de 40 mulheres entraram no rio Paraguaçu, nadaram até ficarem com água à altura dos seios e lutaram contra os portugueses para que as barcas inimigas não chegassem à Baía de Todos os Santos. Seus feitos ficaram famosos: após a guerra, desfilou ao lado do comandante da tropa, sob um arco de louro e flores do campo ornamentado por freiras do Convento da Soledade.
Maria Quitéria encontrou o próprio Dom Pedro I, a convite do Imperador, no Rio de Janeiro, em 17 de agosto de 1823 a bordo do navio Leal Português. Três dias depois, o imperador a recebeu junto ao corpo diplomático, além de ministros, deputados e a viajante e escritora inglesa Maria Graham – que se apaixonou por sua história e é apontada como sua primeira biógrafa.
Quadro Alegoria ao 7 de Janeiro, de Mike Sam Chagas, retrata batalha no Rio Paraguaçu: Maria Felipa aparece com uma tocha na mão (Reprodução)
Oralidade, memória e resistência
A última personagem dessa tríade é, com o perdão da opinião, a mais emblemática. Uma mulher negra, que foi fundamental para bloquear o acesso de suprimentos portugueses a Salvador pela Ilha de Itaparica e resiste na memória e no orgulho de Itaparica, da Bahia e do 2 de Julho – mesmo que alguns levantem dúvidas se ela existiu mesmo ou não.
Um dos primeiros livros a trazer informações mais concisas sobre Maria Felipa de Oliveira foi lançado em 2010 por Eny Kleyde Vasconcelos Farias. Sua obra “Maria Felipa de Oliveira – Heroína da Independência da Bahia” cita que praticamente não existem registros históricos atestando a existência da protagonista. Algo que, segundo a historiadora Marianna Teixeira, pode mudar muito em breve.
“Não há documento que comprove que ela existiu. Mas não é uma questão; ela está muito viva na memória histórica não só da Ilha de Itaparica, como da Bahia. Ela é um exemplo de força e resistência muito forte” (Marianna Teixeira, Historiadora e pesquisadora)
Antes dessa publicação, o nome de Maria Felipa esteve presente na oralidade, sempre aparecendo, por exemplo, ao lado de Joana Angélica e Maria Quitéria nos cortejos do 2 de Julho e sendo alvo de admiração. Também apareceu no livro A Ilha de Itaparica: História e Tradição, escrito pelo itaparicano Ubaldo Osório Pimentel, avô do escritor João Ubaldo Ribeiro, que levou a personagem para a ficção (no romance Viva o Povo Brasileiro) em representação que incomoda a historiadora.
“João Ubaldo fala que Maria Felipa era uma negra estabanada e corpulenta, algo bem animalizado, como se ela não tivesse uma inteligência. Há suposição de que ela tenha lutado com Maria Quitéria na Bacia do Paraguaçu em abril de 1823, mas isso não tem respaldo documental. Mas presença dela enquanto comandante e combatente na guerra de independência é muito forte”, pontua.
Segundo o livro de Eny Kleyde Vasconcelos, Maria Felipa era uma escrava liberta. Uma mulher negra, de alta estatura, que trabalhava como marisqueira, pescadora e trabalhadora braçal. Era capoeirista e liderou um grupo de mais de 40 mulheres e homens de classes e etnias diferentes, que vigiava a praia dia e noite a fortificando com trincheiras para prevenir a chegada das tropas portuguesas.
Pelo relato, conhecia a Ilha de Itaparica com a palma das mãos e por isso foi fundamental para a resistência no interior das matas. Além de ajudar a impedir a chegada de suprimentos portugueses a Salvador, Maria Felipa também atuou na organização do envio de alimentos para o Recôncavo, onde começou a resistência brasileira nas batalhas do 2 de Julho.
Sobre o atestado de sua existência, Marianna Teixeira relatou que há expectativa da divulgação de materiais de estudos do professor Milton Moura, da Universidade Federal da Bahia, anulando essa sina.
“Até então, não há documento que comprove que ela existiu. Mas não é uma questão; ela está muito viva na memória histórica não só da Ilha de Itaparica, como da Bahia. Temos lembrado muito da presença dela porque é um lembrete de que mulheres negras participaram das lutas, não foram, como aprendemos muitas vezes na escola, apenas mulheres escravizadas – essa ideia de que sempre perdemos. Ela é um exemplo de força e resistência muito forte”, diz a historiadora.
Não conseguimos contato com o professor Milton Moura para falar sobre os documentos comprobatórios da vida de Maria Felipa. Marianna Teixeira diz que aguarda com ansiedade a divulgação do material.
Professora da Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), Gilberto Mendonça aponta que que ela teria nascido na própria Ilha de Itaparica e estima-se que sua morte aconteceu em 4 de julho de 1873.
No livro, Eny Kleyde relata que ela seria descendente de sudaneses e sua atuação no 2 de Julho começou com um alistamento na Campanha da Independência, que reunia índios, negros livres e escravizados — africanos e brasileiros e até alguns portugueses, que eram a favor da independência do Brasil, e que organizavam a resistência na ilha.
Ela era líder das chamadas vedetas, espécie de vigias que monitoravam o movimento de barcos nas águas da ilha. Nas batalhas, a tradição oral relata que elas tinham algumas alternativas, como, por exemplo, a famosa surra de cansanção, que é uma planta venenosa, que produz uma coceira muito incômoda e, em alguns casos, até queimaduras.
Também há relatos de que as mulheres aproveitavam as roupas largas para esconder armas como as peixeiras que utilizavam em seus próprios trabalhos, ou mesmo disfarces misturando as folhas de cansanção a flores e outros ramos, como se estivessem enfeitadas quanto, na verdade, estavam prontas para matar e defender seus ideais.
Texto: Projeto Colabora – Vinícius Nascimento
Vinícius Nascimento é jornalista, formado pela Universidade Federal da Bahia, e tem passagens por veículos como TV Band, Jornal Correio e Instituto Mídia Étnica
Uma usuária do Programa de Tratamento Fora do Domicílio (TFD) entrou em contato com o Preto no Branco para relatar sobre um incidente que ocorreu na Casa de Apoio do TFD de Juazeiro, em Salvador.
Ela conta que, na noite do dia 30 de junho, quando todos os pacientes já estavam no micro-ônibus, prontos para retornar a Juazeiro, a acompanhante de uma paciente, que estava em Salvador na casa de parentes para tratamento, entrou no veículo já no horário da saída do ônibus, causando uma confusão.
“A acompanhante da paciente, que não iria viajar, não permitiu a saída do ônibus, insistindo que sua familiar retornasse no mesmo veículo, apesar de não haver vagas e o nome da paciente não estar na lista. Após mais de 45 minutos de atraso, os pacientes que estavam no ônibus desceram para reclamar da demora, uma vez que uma das pessoas no ônibus tinha uma sessão de hemodiálise marcada para o dia seguinte em Juazeiro e precisava chegar cedo”, contou.
Segundo ela, a situação evoluiu rapidamente para uma discussão: “Além de invadir a recepção da Casa de Apoio, a acompanhante da paciente que chegou atrasada, visivelmente exaltada, começou a gritar, xingar e ofender os outros pacientes, com palavras de baixo calão. O agente de portaria de plantão não teve nenhuma ação para conter a situação”, relatou.
“Após quase 50 minutos de atraso, foi descoberto que a paciente que havia chegado atrasada estava acompanhada por uma menor de 12 anos, que não poderia ser acompanhante, mesmo tendo sido liberada irregularmente pela coordenação do TFD da Sesau. A criança, inclusive, viajou para a capital com a paciente. Este incidente deixou muitos pacientes revoltados e preocupados com a gestão e segurança na Casa de Apoio do TFD de Juazeiro, em Salvador”, finalizou.
Procurada pelo PNB, a A Secretaria de Saúde (Sesau) lamentou “o transtorno vivenciado pela paciente e informu que a situação já foi resolvida”.