Servidor público que gerenciava agência do INSS, em Sobradinho-BA, é afastado durante segunda fase da Operação Raízes de Papel

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Um gerente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) foi afastado do cargo nesta terça-feira (23), durante a segunda fase da Operação Raizes de Papel, deflagrada pela Polícia Federal nos municípios de Sobradinho, na região Norte da Bahia, e Rio de Janeiro. A ação investiga fraudes em benefícios previdenciários que ocorriam na concessão do auxílio à maternidade rural.

Segundo informações obtidas pelo Portal Preto no Branco, o profissional afastado do cargo gerenciava a agência do INSS em Sobradinho na época das fraudes. O principal alvo da operação é a Lilian Joic Silva Batista, que, segundo a Polícia Federal, é acusada de fraudar ao menos 30 processos previdenciários para obter auxílio-maternidade rural de forma ilegal.

Conforme a PF, as investigações revelaram que a advogada, valia-se do gerente do INSS para facilitar as transações internas no órgão.

“Ao longo das investigações, constatou-se que os suspeitos se utilizavam de pagamentos indevidos a servidores públicos, bem como de expedientes, a fim de ocultar bens e valores, promovendo a lavagem de capitais”, declarou a PF.

Ao todo, nesta terça foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, além de medidas cautelares como afastamento do servidor público, uso de monitoramento eletrônico da investigada; assim como a apreensão do passaporte e proibição de se ausentar do país, proibição de adentrar em agências do INSS e proibição de atuar em causas previdenciárias.

Também nesta terça-feira, um homem foi preso em Sobradinho. Ele é irmão de Lilian e trabalhava no escritório da advogada.

A PF informou que, durante a primeira fase, o celular do homem foi apreendido e, em análise pericial foram encontrados arquivos de pornografia infantil armazenados no aparelho. A partir das provas levantadas, a Justiça concedeu mandado de prisão preventiva, que foi cumprido nesta manhã.

O homem está custodiado na delegacia da PF e será encaminhado ao presídio de Juazeiro, informou a Polícia Federal. Já no Rio de Janeiro, a PF cumpriu diligências contra a advogada, que havia se mudado para a cidade. Segundo a Polícia, no endereço dela, foram apreendidos três veículos e a investigada deverá utilizar tornozeleira eletrônica como medida cautelar.

Primeira Fase

A primeira fase da operação “Raízes de Papel” foi deflagrada pela Polícia Federal na manhã do dia 30 de junho, no município de Juazeiro, na região Norte da Bahia, a operação “Raízes de Papel”. Na ocasião, a ação teve como objetivo cumprir mandados judiciais decorrentes da investigação.

Conforme informações da Polícia Federal, ao todo, quatro mandados de busca e apreensão foram cumpridos em Juazeiro e também no município de Sobradinho-BA. Entre os alvos estavam dois escritórios de advocacia que, segundo as investigações, promoviam arrendamento fraudulento de glebas rurais, a fim de justificar o pedido junto à Justiça Federal.

Conforme informações apuradas pelo Portal Preto no Branco, a advogada Lilian Joic ela é natural do município de Sento Sé, na região Norte da Bahia, e é proprietária de dois escritórios de advocacia nos municípios de Juazeiro e Sobradinho.

Até aquele momento, segundo as informações, não havia mandado de prisão expedido contra a acusada, que atualmente reside no Rio de Janeiro. A advogada é acusada de falsificar documentos que simulavam vínculos empregatícios de suas clientes com propriedades rurais.

A prática, segundo a PF, visava enganar o INSS para que os benefícios fossem concedidos indevidamente. Ao site Correio, uma fonte policial teria revelado como a advogada supostamente agia.

“A investigada abordava mulheres grávidas e dizia que elas tinham direito ao benefício só pelo fato de estarem esperando um filho. Esse auxílio, no entanto, é exclusivo para quem exerce atividade rural. Por isso, ela, com a ajuda de um fazendeiro, fraudava contratos de arrendamento para simular esse vínculo”.

Ainda conforme as informações, as investigações revelaram que Lilian teria pago R$ 6 mil ao dono de uma fazenda para assinar os contratos falsos utilizados nos processos. O homem teria confessado a participação no esquema, o que reforçou os indícios contra a advogada.

Segundo a Polícia Federal na época da primeira fase, além dos 30 processos que já haviam sido identificados, outros seguiam  sob análise e podiam ampliar o número de fraudes. Outro ponto apurado na operação é que, além de liderar o esquema, a advogada não repassava os valores dos benefícios, cerca de R$ 3 mil cada, às clientes envolvidas, o que teria levado algumas a procurarem esclarecimentos.

Na primeira fase, a operação “Raízes de Papel” cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços ligados à Lilian, incluindo os dois escritórios de advocacia. Os materiais apreendidos estão sendo analisados para aprofundar a apuração.

Apesar de a investigação ter se intensificado nos últimos meses, Lilian Joic se mudou para o Rio de Janeiro em março deste ano, o que não impediu a continuidade do trabalho da PF.

 

Redação PNB 

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