Juazeiro vive uma confortável ilusão de acolhimento, mas para muitas pessoas LGBTQIA+, a realidade é outra: uma sucessão de episódios de LGBTfobia em espaços públicos, como comércios, colégios, áreas de lazer e até na orla, sinalizam uma hostilidade silenciosa que exige uma resposta urgente.
Dados divulgados pelo Grupo Gay da Bahia (GGB) mostram que o Brasil registrou 291 mortes violentas motivadas por LGBTfobia em 2024, um aumento de cerca de 8% em relação ao ano anterior, o equivalente a uma morte a cada 30 horas. Na Bahia, isso é ainda mais alarmante: o estado teve uma média de 0,18 mortes violentas de pessoas LGBTQIA+ por 100 mil habitantes, acima da média nacional de 0,13. Ainda, segundo o GGB, o Nordeste, inclusive a Bahia, lidera em número de mortes proporcionais, com 16 homicídios por 10 milhões de habitantes, contra 12 no Sudeste.
O Conselho Municipal LGBT+ tem acompanhado relatos de expulsões silenciosas de casais homoafetivos na orla, abordagens agressivas em bares e comércios, e situações humilhantes em escolas, onde pessoas são alvos de violência por sua orientação sexual ou identidade de gênero.
Essas situações, que deveriam causar escândalo, continuam sendo naturalizadas. É como se Juazeiro tivesse um pacto silencioso de tolerar a violência contra a população LGBTQIA+. Mas não podemos aceitar que a liberdade e o direito de existir de tantas pessoas continuem sendo violados impunemente. O Supremo Tribunal Federal, desde 2019, equiparou a LGBTfobia ao crime de racismo, com penas que podem chegar a cinco anos de prisão. O que falta, portanto, é vontade política e coragem das autoridades locais para aplicar a lei.
Não se trata apenas de punir. Trata-se de educar, de criar campanhas públicas de conscientização, de capacitar professores e funcionários de estabelecimentos comerciais, de mostrar que Juazeiro pode ser uma cidade verdadeiramente acolhedora e para todas as pessoas. Mas, sobretudo, trata-se de garantir o mínimo: o direito de viver sem medo. Enquanto fingirmos que nada acontece, Juazeiro continuará sendo conivente com a violência. Por isso, voltamos a perguntar: por que Juazeiro nos odeia?
Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da População LGBT+


