Após a manifestação da ATEPAAJ – Associação dos Trabalhadores da Educação Pensionistas, Aposentados e Ativos de Juazeiro, que, em carta aberta à população
relatou a “luta dos professores aposentados e pensionistas de Juazeiro pela restituição da paridade salarial retirada em 2022”, o Instituto de Previdência de Juazeiro (IPJ) se reuniu com representantes da entidade.
Na última quinta-feira (14), uma reunião com representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais (Sinserp), e da ATEPAAJ discutiu a paridade salarial entre servidores ativos e aposentados.
O impasse começou em 2022, quando, por decisão da gestão anterior, os aposentados receberam reajuste de 11%, enquanto os servidores ativos tiveram 26%. A medida gerou insatisfação e ações judiciais. Em 2023, foi reconhecido que, de acordo com a Emenda Constitucional 41, os aposentados têm direito aos mesmos reajustes dos ativos. Para reduzir a diferença, foram pagos valores retroativos em três parcelas, entre dezembro de 2023 e fevereiro de 2024.
Apesar do pagamento, os sindicatos identificaram que os cálculos não corrigiram os vencimentos da maneira correta, deixando alguns aposentados com remuneração cerca de 15% menor do que deveria. Agora, o IPJ está realizando um levantamento detalhado para identificar quem foi prejudicado e corrigir as distorções. Atualmente, o IPJ realiza um levantamento minucioso para corrigir as distorções salariais e garantir o pagamento dos valores devidos. Segundo o Instituto, o processo está em andamento e será conduzido com total transparência.
O diretor-presidente do IPJ, Davi Stallone, reforçou o compromisso da gestão em chegar na melhor solução diante das dúvidas e questionamentos dos segurados.
“Desde que assumimos a gestão do IPJ, adotamos uma postura pautada pelo diálogo e pela transparência com os sindicatos e associações que mantêm relação conosco. Hoje tivemos mais um avanço nas conversas que temos estabelecido. Esse encontro foi fundamental para dar transparência às informações que, no passado, foram negligenciadas, especialmente no ato de pagamento da paridade, além de apontar distorções que identificamos e que estamos trabalhando para corrigir. O nosso maior patrimônio é o servidor, que contribui para a construção do serviço público e é a razão da existência do IPJ”, explicou.
O posicionamento do IPJ estabeleceu uma relação de confiança e segurança em relação aos interesses dos segurados, resultando em um acordo de cooperação entre o Instituto e as entidades das classes. A presidente da ATEPAAJ, Maeth Soares, destacou a importância do encontro. “Nós temos um histórico de não ter um diálogo aberto com o IPJ e agora nós estamos tendo e eu quero aproveitar para parabenizar o Instituto Previdenciário por essa abertura, por esse diálogo com os sindicatos. Essa reunião foi importante para aparar as arestas, as pendências e os problemas que a gente está vivendo, como essa questão da paridade, que foi uma problemática da gestão anterior, em 2022, quando esse direito foi tirado da gente”, afirmou.
Segundo o Instituto, o trabalho envolve análise individual das fichas financeiras de cada servidor. Após a conclusão, todos que tiverem direito serão informados sobre os valores devidos, com possibilidade de contestação administrativa ou judicial. O órgão reforça que a correção será feita com total transparência e em constante diálogo com as representações.
Confira Carta Aberta na íntegra:
A ATEPAAJ – Associação dos Trabalhadores da Educação Pensionistas, Aposentados e Ativos de Juazeiro, vem por meio desta carta aberta expressar publicamente a indignação, frustração e, acima de tudo, a resistência de seus associados diante da injustiça cometida contra os professores aposentados e pensionistas da rede municipal de Juazeiro, no ano de 2022.
Naquele ano, durante a gestão municipal anterior, foi retirado um direito historicamente conquistado pelos servidores da educação: a paridade salarial entre ativos e aposentados. Quando foi concedido aos professores da ativa um reajuste de 26,51%, os aposentados, muitos deles com décadas de serviços prestados à educação do município, receberam apenas 11%. Essa decisão feriu o princípio da paridade, previsto legalmente e moralmente justificado, desvalorizando a contribuição de quem ajudou a construir a base do sistema educacional local.
Desde então, a ATEPAAJ tem travado uma luta incessante junto ao IPJ (Instituto de Previdência de Juazeiro) e aos órgãos públicos, buscando o reconhecimento e a correção dessa injustiça. São mais de dois anos de requerimentos, reuniões, mobilizações, estudos técnicos e articulações políticas, sempre de forma pacífica, fundamentada e responsável.
A retirada da paridade não é apenas uma questão contábil ou administrativa. Ela representa um ataque à dignidade dos professores que dedicaram suas vidas à formação de gerações. Muitos desses profissionais já enfrentam dificuldades com a idade, doenças e o custo de vida crescente, e não podem ser penalizados com a retirada de um direito essencial.
A ATEPAAJ não irá recuar. Continuaremos exigindo:
A restituição integral da paridade salarial com os ativos;
A correção da diferença acumulada desde 2022;
A transparência nos cálculos e a valorização de todos os profissionais da educação, sem distinção entre ativos e aposentados.
Conclamamos os vereadores, gestores públicos, sindicatos, a imprensa local e toda a sociedade civil de Juazeiro a se unirem a essa causa. A valorização da educação começa pelo respeito aos educadores, ativos ou aposentados.
A luta dos professores aposentados é justa, legítima e necessária. Afinal, quem ensinou a todos merece respeito todos os dias — inclusive na aposentadoria.
Juazeiro, 11 de agosto de 2025.
Diretoria da ATEPAAJ – Associação dos Trabalhadores da Educação Pensionistas, Aposentados e Ativos de Juazeiro
Redação PNB, com informações Ascom IPJ



