Toda virada de ano surge a mesma preocupação: os incômodos causados pela queima de fogos no réveillon, que afeta os animais, pessoas com autismo, idosos, bebês e acamados.
Donos de cães e gatos sofrem com o sofrimento de seus bichinhos de estimação que chegam a fugir assustados durante a queima de fogos.
Segundo o Conselho Federal de Medicina Veterinária, os cães, por terem a capacidade auditiva maior que a dos humanos, entram em estresse físico e psicológico, com, por exemplo, um barulho acima de 60 decibéis, o que equivale a uma conversa em tom alto.
O ouvido canino é capaz de perceber uma frequência maior de sons, se comparado a humanos, e podem detectar sons quatro vezes mais distantes. Por esse motivo, a queima de fogos com barulho, em comemorações como o réveillon, torna-se um momento de desespero para os animais, silvestres e domésticos.
Nos animais, os principais problemas sofridos em decorrência do barulho de fogos de artifício são reações comportamentais como estresse e ansiedade. Muitas vezes, eles se acalmam apenas com o uso de sedativos e, quando nem assim o problema é resolvido, os danos são irreversíveis, podendo leva-los à morte. Isso acontece quando o barulho se associa ao medo, resultando em uma resposta de luta ou fuga, o que aumenta a frequência cardíaca, a vasoconstrição periférica e alterações no metabolismo da glicose.
Já em humanos, a queima de fogos pode causar danos tanto a quem manuseia, quanto a quem ouve os barulhos. Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 7 mil pessoas sofreram lesões decorrentes do uso de fogos de artifício no período de 2007 a 2017; sendo 70% queimaduras; 20% lesões com lacerações e cortes; e 10% amputações de membros superiores, lesões de córnea, lesão auditiva e perda de visão e de audição.
Para quem não manuseia, mas consegue ouvir os fogos, o barulho é mais nocivo a pessoas com o Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), que podem ficar extremamente incomodadas, e a pessoas idosas por, em sua maioria, já possuírem doenças que as deixam mais vulneráveis a estresse e ansiedade.
Pessoas com TEA apresentam uma hipersensibilidade sensorial aos estímulos do ambiente, de forma que elas escutam todos os sons de uma só vez, ocasionando uma sobrecarga a esse sentido e em crises que podem durar dias. Essa hipersensibilidade sensorial pode afetar ainda outros sentidos, como tato, paladar e visão.
Vale lembrar também que os fogos de artifício provocam ainda danos ambientais, uma vez que a queima emite poluentes significativos, aumentando a concentração de substâncias contaminantes no ar em torno de 71,6% após a finalização.
Dicas para tutores de animais
Mesmo com leis municipais proibindo fogos com estampido (sons de tiro), eles ainda podem ser ouvidos em grandes comemorações ou dias de final de campeonato de futebol. Por isso, é importante que as pessoas tomem algumas providências para atenuar o impacto do barulho excessivo nos seus bichinhos de estimação.
Primeiro, é importante manter o animal identificado, com plaquinha na coleira contendo número de telefone e e-mail. Em caso de fuga do bichinho, a chance de recuperá-lo é maior.
Outra dica está na preparação de um ambiente acolhedor para o animal, como preparar o ambiente, deixar o animal em um espaço fechado, que abafe o som dos fogos. Deve-se evitar deixar os pets próximos a sacadas, piscinas ou em correntes”.
Caso seu animalzinho fique muito estressado, desesperado e tenha convulsões ou tente fugir por portas e janelas, uma alternativa é usar medicamentos calmantes, mas sempre com a prescrição de um veterinário. O uso de medicamentos calmantes só deve ser feito mediante prescrição veterinária, já que esses medicamentos podem levar a outras consequências graves à saúde, colocando o animal em risco.
Outra estratégia é utilizar petiscos e recompensas. Os tutores também devem fazer expressões corporais associadas a relaxamento e felicidade sempre que ouvirem fogos de artifício.
Animais com doenças cardiovasculares e neurológicas devem ser mantidos em ambientes calmos e silenciosos, sendo também monitorados de perto.
O uso de medicamentos calmantes só deve ser feito mediante prescrição veterinária, já que esses medicamentos podem levar a outras consequências graves à saúde, colocando o animal em risco.
Evitar, se possível, deixar os animais sozinhos nesta época do ano, independentemente da idade ou do temperamento. Caso essa opção não seja possível, o tutor deve preparar um ambiente seguro e confortável para os pets.
Redação PNB, com informações Agência Brasil




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