“Somos presas fáceis”: colegas do motorista de aplicativo Diego Monteiro, assassinado em Juazeiro, reagem à versão de envolvimento com drogas; confira relatos

1

 

Após declarações ao PNB, feitas por familiares do jovem Diego Monteiro, de 22 anos, assassinado no último dia 12, em Juazeiro, no Norte da Bahia, que contestarem a versão de um dos acusados e negarem o envolvimento da vítima com o tráfico de drogas, outros motoristas de aplicativo também procuraram nossa redação. Os profissionais reafirmam a boa conduta de Diego, que foi esfaqueado e teve o corpo queimado dentro do próprio veículo.

Os trabalhadores, que não vamos identificar por uma questão de segurança, também acreditam que o crime não tenha sido motivado por uma dívida de drogas, e levantam suspeitas de latrocínio.

De acordo com eles, Diego e mais poucos motoristas tinham uma espécie de “parceria”, com um espaço de festas situado no bairro Sol Levante e eram indicados para levar passageiros até o local. Portanto, os números dos motoristas eram divulgados pelo espaço para os frequentadores.

Uma semana antes do crime, um deles chegou a pegar como passageiro um dos acusados pela morte de Diego, também na rotatória do bairro Pedra do Lorde, mesmo local para onde o jovem assassinado foi chamado no dia do crime. Quando o passageiro entrou no veículo, o motorista suspeitou das conversas e lembrou ao passageiro que o veículo era rastreado, segundo os profissionais.

“As conversas que ele puxava eram muito estranhas e suspeitas. Eu fiquei assustado e tentei despistar, lembrei que o carro era rastreado e talvez isso tenha intimidado ele”, contou o motorista ao PNB.

Ele relata ainda que, no mesmo dia em que Diego foi assassinado, o acusado, primeiro, ligou para ele pedindo para ir buscá-lo na Pedra do Lorde, mas ele negou a corrida..

“Mesmo eu colocando dificuldades para fazer a corrida, ele insistiu para que eu fosse pegá-lo. Fiquei mais desconfiado e cancelei. Logo cedo soubemos desta triste notícia e ficamos chocados. Diego era um cara tranquilo, precavido, um trabalhador que se arriscava, como todos nós motoristas de aplicativos, para ganhar o pão de cada dia. Nunca ouvimos nada de envolvimento dele com drogas ou qualquer outro ato ilícito. Não acreditamos nesta versão do acusado, mas bandido diz o que quer mesmo. Suponho que os criminosos estavam atrás de qualquer motorista que estivesse trabalhando”, declarou.

 

Os profissionais abordaram ainda os riscos que correm no exercício da profissão, estando expostos à violência.

“Saímos de casa, sem saber se vamos voltar. Estamos nesta luta, durante o dia e nas madrugadas, porque precisamos ganhar o pão de cada dia, mas os riscos são muitos. Estamos expostos. Não acreditamos nesta versão. É muito fácil matar uma pessoa e depois dizer o que quer como motivação. Tem que se considerar que se tratava de um trabalhador que atua numa profissão de alto risco, e que muitos neste Brasil a fora, já foram assassinados. Somos  presas fáceis. Matam para roubar, para fazer o mal. Jogar o nome do trabalhador, como sendo envolvido com drogas, é o caminho mais fácil para se defender ou para colocar o crime como elucidado,” desabafou um profissional ao PNB.

Eles relembraram ainda a tentativa de latrocínio sofrida pelo então motorista de aplicativo Joel Victor de Souza, 21 anos, ocorrida em janeiro de 2020. Na época, o motorista, que residia em Petrolina, Pernambuco, teria atendido a uma chamada no Residencial Brisa da Serra, onde dois homens e uma mulher embarcaram, e foi atacado pelos passageiros ao chegar no bairro Quidé.

Joel Victor de Souza

Os acusados esfaquearam e jogaram a vítima em uma avenida, e levaram o veículo. Os criminosos incendiaram e abandonaram o carro em um matagal, também próximo ao bairro Pedra do Lorde.

Horas após o crime, o suspeito de ser um dos autores do crime, Laércio Lima Oliveira, 30 anos, foi encontrado pelo grupo de motoristas de aplicativo “Indignados do Vale”. Ele teve a prisão preventiva decretada e foi encaminhado para o Conjunto Penal de Juazeiro. Os outros dois passageiros estão foragidos.

Caso Diego Monteiro

O corpo de Diego Monteiro foi encontrado em um veículo GM Prisma no bairro Quidé, em Juazeiro, na manhã do último dia (13).

Segundo informações do Delegado, durante as investigações, foi constatado que dois indivíduos agiram em comum acordo para assassinar a vítima. Os suspeitos foram identificados, sendo dois jovens de 19 anos, tendo um deles solicitado uma corrida para a vítima, que supostamente era do seu ciclo de amizade.

Um dos acusado contou que segurou a vítima para que o outro desferisse golpes de arma branca em Diego, que foi a óbito ainda no veículo. Após o assassinato, os autores do homicídio decidiram atear fogo no veículo com a vítima em seu interior.

Redação PNB

 

1 COMENTÁRIO

  1. Diego desde pequeno ajudava sua mãe no trabalho, menino lindo alegre e muito feliz. Nunca ouvi falar nada dele com envolvimento com drogas ou coisa de má índole.
    Infelizmente vivemos em um mundo cheio de maldade, jovens que quer ganhar sem trabalhar e acabam tirando a vida de inocentes trabalhadores, e pra se Safar inventam histórias pra por a culpa na vítima.

Deixe um comentário para Anônima Cancelar resposta

Comentar
Seu nome