Juazeiro: usuário questiona atendimento do Hospital de Campanha e vereador afirma “Era hora de fortalecer a estrutura já montada e não promover um desmonte”

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Com a reestruturação da rede municipal de saúde para atender aos pacientes com a covid 19, em meados de 2020, os serviços da UPA- Unidade de Pronto Atendimento, em Juazeiro, foram transferidos para o hospital Promatre. A UPA passou a ser a porta de entrada para as síndromes gripais e covid, com a triagem dos casos.

Para o hospital de campanha eram transferidos os pacientes com sintomas mais fortes da infecção.

A atual gestão mudou esta dinâmica e nesta segunda-feira (01), a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Juazeiro voltou a atender urgências e emergências.

O Hospital de Campanha passa a ser a porta de entrada para as síndromes gripais, recebendo casos suspeitos e confirmados. De acordo com a Sesau, “as alas de suspeitos e confirmados foram separadas na adequação feita pela prefeitura”.

Em contato com nossa redação, o leitor Pedro Almeida questionou o fato do atendimento aos suspeitos e contaminados serem no mesmo espaço.

“Antes a UPA fazia essa triagem e para o hospital de campanha só iam os casos confirmados. Em algumas cidades, como em Salvador, estou vendo que foram montados os ‘gripários’ para fazerem essa triagem. Agora aqui em Juazeiro todos os casos vão para o mesmo lugar. Eu pergunto: não há o risco de um suspeito, que esteja só com uma gripe, se contaminar dentro do hospital? Eu acho isso errado e arriscado”, questionou.

O Vereador de Juazeiro e médico, Salvador Carvalho, ouvido pelo PNB, também demonstrou preocupação com a mudança.

“Na verdade o correto seria a atenção primária fazer a primeira triagem de casos leves, e se houver forte suspeita de covid para casos moderados e graves, serem encaminhados para o Hospital de Campanha. Não é correto o Hospital de Campanha ser a porta de entrada para casos suspeitos da covid”.

Salvador Carvalho também afirmou que recebeu com “espanto” o desmonte da estrutura que passou a funcionar desde o início da pandemia e que “vinha dando certo”, segundo o vereador.

“Recebemos esta notícia com muita preocupação e espanto, dadas as dificuldades que estamos atravessando com a pandemia. O que precisava era a abertura de mais leitos nos hospitais e também de UTIs. Infelizmente, a gente já observa que vai diminuir os atendimentos, pois se formos juntar os demais atendimentos clínicos e os referentes à covid, veremos que terá uma diminuição no acesso das pessoas que tanto precisam neste momento tão grave”, ressaltou Salvador Carvalho.

O vereador também questionou sobre a equipe que atenderá no Hospital de Campanha.

“Quantos médicos e enfermeiros atenderão no hospital de campanha? Antes desta mudança, eram três médicos, e agora este número aumentou? A Secretaria de Saúde precisa divulgar isso”, disse Carvalho.

Ele finalizou classificando o “ato de irresponsável”.

“É um ato de irresponsabilidade. Se a gente está passando por este momento grave, com aumento significativo de casos e óbitos, e ameaça real de colapso do sistema de saúde, era hora da gestão pública ampliar o atendimento e não diminuir. Era hora de fortalecer a estrutura já montada e não promover um desmonte. Mesmo que haja uma divisão, a porta de entrada é no mesmo lugar, na mesma instituição”, finalizou.

Estamos encaminhando os questionamentos para a Secretaria Municipal de Saúde.

Até a tarde desta segunda-feira (1), o Hospital de Campanha estava com 9 pacientes em tratamento da Covid-19. A unidade tem capacidade para 27 leitos intermediários e 3 leitos na Sala Vermelha. As alas de suspeitos e confirmados foram separadas na adequação feita pela prefeitura, de acordo com a Sesau.

Já a UPA tem capacidade para atender até 250 pacientes num período de 24 horas, trabalhando com 123 profissionais de saúde, informou a Secretaria de Saúde.

Da Redação

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