
Na manhã desta terça-feira (09), familiares de mulheres que já passaram por internação no Hospital Dom Malan/IMIP, em Petrolina (PE), realizaram uma manifestação em frente a instituição protestando contra o atendimento.
A mobilização foi marcada após denúncia da mãe da recém-nascida Geovana, que morreu na semana passada na unidade hospitalar, depois que a equipe médica se negou a fazer uma cesariana previamente indicada para a gestante
Segundo Lucicléia, mãe da criança, mesmo apresentando um requerimento concedido pela equipe da Unidade Básica de Saúde, onde ela foi anteriormente atendida, indicando a necessidade de uma cesariana, devido a falta de passagem e por ela ser diabética, a equipe do Dom Malan/IMIP, insistiu em esperar um parto normal.
Após tentarem, sem sucesso, a realização de um parto natural, os médicos reconheceram a necessidade de uma cesariana, mas já era tarde. Lucicléia foi submetida a cesariana, mas o bebê acabou indo a óbito.
A denúncia de Lucicléia se soma a outras registradas contra o hospital Dom Malan/IMIP, e a manifestação intitulada “Nascimento com respeito”, ganhou força. Outras mães se juntaram a reinvindicação por um atendimento humanizado na unidade hospitalar, para evitar sequelas e mortes de crianças e mães.
A manifestação, que também chamou a responsabilidade da rede PEBA, contou com apoio dos movimentos das mulheres, “Eu sou mãe eu tenho medo”, lideranças comunitárias, Comissão de mulheres da Câmara de Vereadores e Comissão de Direitos Humanos de Criança e Adolescentes.
De acordo com os organizadores, está sendo programada uma audiência pública para discutir o atendimento do hospital, alvo de constantes denúncias de negligência médica.
Após o ato, a direção do Hospital Dom Malan de Petrolina se manifestou em nota enviada a imprensa, “reconhecendo a legitimidade de qualquer tipo de manifestação popular”
E afirmou “que conta com uma equipe multidisciplinar ética, dedicada e que preza pelo atendimento de qualidade a todos os usuários do SUS.
A nota segue afirmando que “Mesmo diante da grande demanda de pacientes na emergência obstétrica da unidade, referência no atendimento materno-infantil de alta complexidade para mais de 50 municípios da Rede de Saúde Pernambuco Bahia (Rede PEBA), o serviço não nega atendimento a nenhuma gestante que o procura. Todas são acolhidas pela equipe multidisciplinar, que avalia os casos individualmente, indicando assim a melhor conduta a ser seguida no momento da admissão.
É importante destacar ainda que o Hospital Dom Malan é, atualmente, a unidade que mais realiza partos em Pernambuco. São, em média, 600 por mês, mais de 7 mil por ano. Desse quantitativo, mais de 50% correspondem a partos de baixo risco, ou seja, procedimentos que poderiam ter sido realizados em serviços de menor complexidade, como maternidades municipais ou casas de partos. Em relação ao caso específico da gestante Lucicléia Ferreira dos Santos, a direção informa que a mesma foi assistida pela equipe multidisciplinar durante todo o internamento. Entretanto, apesar dos esforços, o recém-nascido não sobreviveu a uma intercorrência causada por uma bradicardia intensa. A direção da unidade se solidariza com a família nesse momento de dor e se coloca à disposição dos órgãos competentes e dos familiares para qualquer esclarecimento”



