Reflexões em tempos de quarenta: “Vida adiada”, por Fabrício Carpinejar

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Você tem todo o tempo para conversar com os amigos, mas não fala.

Você tem todo o tempo para recuperar os laços da família, mas não se mexe.

Você tem todo o tempo para organizar aquela bagunça em sua casa (trocar as lâmpadas, limpar as gavetas, consertar as cadeiras mancas), mas não vê sentido.

Você tem todo o tempo para ler os livros que queria ler, mas não passa do prefácio.

Você tem todo o tempo para resgatar os filmes que gostaria de ter assistido quando estava em cartaz no cinema, mas não sabe nem escolher por qual começar.

Você tem todo o tempo para reparar os erros que cometeu, mas já não acha tão grave assim.

Você tem todo o tempo para recuperar o sono, mas continua acordando de madrugada.

Você tem todo o tempo para amar, mas se isola em seu canto.

Você tem todo o tempo para se dedicar aos projetos pessoais, mas não sai do sofá.

Não há reuniões, não há prazos, não há horários fixos, não há desculpas.

Você agora entende que não vivia por falta de tempo, mas de vontade mesmo.

Fabrício Carpinejar

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