Caso Beatriz: “Pareceu mais uma visita e não um cumprimento de Mandado Judicial”, diz Lucinha sobre tentativa de prender foragido

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(foto: arquivo)

Quinta-feira (18) de muita expectativa para o desenrolar do caso Beatriz Mota. Mais uma expectativa em torno do crime brutal, que vitimou a criança de 7 anos, durante uma festa no Colégio Maria Auxiliadora, em Petrolina, em 10 de dezembro de 2015.

No final da manhã, Lucinha Mota, mãe de Beatriz, recebeu informações de que o foragido da justiça Alisson Henrique de Carvalho Cunha, acusado de ter apagado as imagens em que aparecia o assassino da menina, encontrava-se em sua residência, em um bairro da periferia de Petrolina-PE.

Lucinha Motta acionou a Polícia Militar que, rapidamente, atendeu ao chamado, fazendo um cerco na residência do acusado. Os policiais militares chamaram o acusado, insistentemente, mas não obtiveram resposta. Dentro da residência, um cão latia e havia um carro, supostamente, de Alisson na garagem. A equipe do PNB acompanhou a ação dos PMs, que mesmo tendo um Mandado de Prisão contra o foragido, não conseguiram entrar na casa, por não terem um Mandado Judicial de Busca e Apreensão.

A mãe de Beatriz prontificou-se a tentar conseguir o documento e procurou a Delegada Isabella Cabral, coordenadora da PC, pois a Delegada Polianna Nery, responsável pelo caso, está de férias.

” Quando fui a delegacia, por volta do meio dia, a delegada Isabela garantiu que faria o pedido para a autoridade judicial. Um documento simples de se elaborar, que já é de praxe e que pedia pressa, dada a sua importância. Me dirigi ao Fórum, para adiantar o processo e reforçar o pedido ao juiz de plantão, mas não encontrei nenhum magistrado na instituição”, relatou.

Lucinha Mota anunciou uma greve de fome até que o Mandado de Busca e Apreensão fosse expedido.

“ Agora eu quero vê se realmente o caso Beatriz é o número um do estado de Pernambuco ou é somente balela, enrolação que eles querem fazer. Eu não vou sair daqui do Fórum. Estou fazendo greve de fome. Estou nas mãos do Tribunal de Pernambuco”, declarou a mãe quando permanecia no Fórum .

Lucinha informou ainda que “somente após às três horas da tarde a delegada Isabella apareceu no Fórum e só por volta das 17 horas, conseguiu o Mandado. Com o documento em mão, ela foi para a casa do acusado, onde os Policiais Militares, que eu acionei, continuavam em vigilância”.

De acordo com Lucinha Mota, a delegada Isabela foi na frente e ainda quando os pais da criança estavam a caminho da residência, foram avisados que a delegada já havia entrado, acompanhada apenas de dois policiais civis, e rapidamente havia saído, sem dar nenhuma informação a família.

” As pessoas que presenciaram a rápida diligência nos informou que não durou nem cinco minutos. A delegada bateu na porta e a esposa de Alysson (que também é policial civil da mesma delegacia que investiga do caso), logo abriu a porta. Muito estranho! Pareceu mais uma visita e jamais o cumprimento de Busca e Apreensão, com o intuito de prender o foragido. Definitivamente, a Polícia Civil de Pernambuco não quer elucidar o caso Beatriz. Por que”? questionou Lucinha.

Os pais da criança retornaram a delegacia, em busca de informações da delegada e ela já não se encontrava na instituição. Também não mais atendeu as ligações e mensagem deixadas no seu telefone.

” Quando chegamos na delegacia, a delegada Isabella já tinha ido embora. Tudo muito rápido. Não nos deu nenhuma satisfação, o que me parece pouco caso com o “caso número um da segurança pública de Pernambuco, como me afirmou o Presidente do Tribunal, Dr. Adalberto. Mas amanhã eu esterei na frente do Batalhão, onde fica a delegacia, fazendo uma manifestação para exigir um plano para prender Alysson e um posicionamento sobre o caso. E só sairei de lá, com alguma resposta. Não suporto mais tanto descaso e desrespeito”, desabafou a mãe.

Prisão preventiva

O TJPE decretou a prisão preventiva de Alisson Henrique em 12 de dezembro de 2018. O ex-prestador foi indiciado por falso testemunho e fraude processual. O mandado de prisão entrou para o banco nacional de Justiça do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

A prisão foi decretada após o pedido da delegada Poliana Nery, que está a frente do caso, ter sido negado pela Juíza Elane Brandão, do Tribunal do Júri da Comarca de Petrolina, contrariando também parecer do Ministério Público do Pernambuco (MPPE). O TJPE aprovou o pedido de prisão preventiva por 2 votos a 1, após acatar o recurso do MPPE.

Alisson não se entregou e foi declarado como foragido da justiça. O disque denúncia de Pernambuco passou a oferecer uma recompensa no valor de R$ 10 mil, para quem ajudasse a localizar o suspeito.

Envolvimento

Em dezembro, em conversa com o PNB, a delegada informou que Alisson Henrique circulou no colégio na noite do dia 4 de janeiro de 2016, acompanhado de mais dois funcionários do colégio (Carlos André, administrador, e Loraíldes), quando as imagens foram apagadas. Toda a movimentação destas três pessoas estão registradas em vídeos. Em um deles, Alisson aparece entrando na sala de monitoramento do colégio.

O caso Beatriz Mota, que já passou pelas mãos de quatro delegados, é um desafio para a Segurança Pública de Pernambuco, que já o considerou como “caso número um” a ser elucidado no estado.

O crime

Beatriz Angélica foi assassinada em 10 de dezembro de 2015, com 42 facadas durante a festa de formatura de sua irmã mais velha, no Colégio Maria Auxiliadora. A última imagem que a polícia tem de Beatriz foi registrada às 21h59 do dia 10 de dezembro de 2015, quando ela se afasta da mãe e vai até o bebedouro do colégio. Após perceberem o sumiço da criança, os pais desesperados começaram a procurá-la, até que minutos depois, o corpo da menina foi encontrado atrás de um armário, dentro de uma sala de material esportivo.

Da Redação por Sibelle Fonseca

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