Juazeiro vive o mais confuso cenário eleitoral. Um “bololô” jamais visto na história. Que saudade do tempo em que a formiga lutou contra o leão. Pelo menos, existiam duas forças opostas bem definidas. E agora?
Ao longo do tempo a política de Juazeiro foi se transformando em projetos pessoais, em ânsia do poder pelo poder. E o resultado é este que vemos hoje. Um município paupérrimo, ainda que rico graças a iniciativa de investidores particulares, sobretudo os da fruticultura.
A cidade está jogada as traças, o interior padece, e isto não vem de agora. Esta última gestão apenas jogou a pá de cal no que já agonizava.
Está mais que claro que os políticos de Juazeiro não estão nem aí para os interesses do povo. Ao contrário, usam o povo como massa de manobra para se manterem no poder, para emplacar seus projetos personalíssimos.
Basta fazer uma leitura do cenário de então. Há 2 meses das eleições, a atual gestão, que errou no óbvio, mostrando-se despreparada, ineficiente e bagunçada, o que trouxe graves consequências para a população, ganha força através de “manobras” com partidos – “os balcões de negócios” e de lideranças que o que almejam mesmo é obter vantagens e privilégios. O povo que se exploda! A promiscuidade é tanta que nem a palavra dada eles sustentam. Mentem, traem, fazem o povo de besta.
A quem eles querem enganar? Esta é uma pergunta que precisa ser feita.
Olhando para a tal oposição, a avaliação é a mesma. Sentaram na mesa, somente para brigar pelo poder e nunca que os interesses de Juazeiro estiveram na pauta destas reuniões da esfacelada federação. A mesa de negociações virou uma fogueira de vaidades.
Não existe base do governador em Juazeiro. Volto a dizer: Existem projetos pessoais de poder que, circunstancialmente, podem estar na base
Isaac Carvalho que tinha tudo para ser um líder do grupo de oposição, se portou mal. Muito mal. Impositivo, como todo bom coronel, sequer considerou outros nomes que poderiam fazer frente à situação. Teimou, teimou e ainda teima em lutar pela sua elegibilidade, descartando qualquer possibilidade que não sentasse na garupa de seu animal.
A saga do vaqueiro continua, mas há quem diga que ele próprio já caiu do cavalo, levando Juazeiro a bancarrota.
Foram meses de informações desencontradas. A imprensa da região e da capital falava da sua impossibilidade de participar do processo eleitoral que se avizinhava, mas do outro lado, a assessoria de comunicação do então pré-candidato Isaac Carvalho divulgava notas informando o contrário. Nenhum dos dois lados estava falando a verdade absoluta e todos queriam enganar a população.
Enquanto este texto está sendo escrito, Isaac Carvalho continua inelegível. Pesa sobre ele uma condenação em processo de improbidade administrativa transitada em julgado e não passível de novos recursos. Para escapar da condenação, o pré-candidato celebrou um acordo com o Ministério Público, no entanto, este acordo ainda não foi homologado e, até que isso aconteça, não produz qualquer efeito eleitoral.
Os prazos são curtos e o petista corre contra o tempo para convencer o Judiciário a agir na velocidade que as suas pretensões eleitorais exigem, mas o tempo da justiça costuma não ser igual ao dos envolvidos em disputas eleitorais. Vale lembrar que, a condenação de Isaac aconteceu em 2022 e somente no último mês ele decidiu celebrar um acordo que restituísse a sua elegibilidade e agora, 7 dias para o registro de candidaturas, se desespera para estar livre da condenação até 15 de agosto de 2024. Subestimou o processo!
Será que vai conseguir? Não sabemos. É possível? Sim, há tempo hábil. O acordo é isento de críticas e nulidades? Há quem diga que não. O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública vai homologar o acordo até o dia 15? Ninguém pode garantir.
Dito isso, hoje Isaac está inelegível e a convenção da última segunda-feira (5) não homologou seu nome. A decisão está nas mãos do Governador Jerônimo, outro líder que perdeu a mão e foi omisso. Hoje o que resta é uma lista do PT de Isaac, com dois nomes da sigla indicados por ele: O de Ellen, sua esposa, e o do ex-vereador Tiano. Além de Roberto Carlos, indicado pelo PV. Até o momento, o deputado diz que está na disputa. No entanto, não estranhemos um salto de palanque, logo adiante.
Dentre os que pretendiam representar a Federação Brasil da Esperança (PT-PCdoB-PV), o Deputado Estadual Zó, demonstrando desprendimento e maturidade política, retirou a sua candidatura e declarou apoio a Andrei Gonçalves (MDB). O Progressista Márcio Jandir mantém a sua pré-candidatura, mas perdeu a vice que havia declarado em convenção. O PL da Professora Maeth caiu nos braços de Suzana Ramos. Assim como Joseph Bandeira que não sustentou a palavra de ficar ao lado de Jerônimo e Lula. O experiente, chamado de “doido”, não só voltou de onde nunca tinha saído, como levou a filha para ser vice da prefeita. Lá ele já tinha o filho Leonardo e a mulher, assessora especial da gestora. Que bololô!
Andrei da Caixa, o nome novo tão almejado por alguns eleitores, segue na luta. Vem ganhando apoios, mas, certamente não tem musculatura financeira para fazer uma campanha de milhões, vício do povo.
Se até ontem os apoiadores de Suzana acreditavam que venceriam as eleições por W.O., agora devem estar comemorando a incapacidade dos opositores de se unirem em um único palanque.
A culpa pela situação ter chegado a este ponto deve ser repartida entre diversas pessoas, mas o papel de Isaac Carvalho e da presidência do diretório local do Partido dos Trabalhadores merece ser destacada. Até o momento insistem numa candidatura que não conseguiu se viabilizar judicialmente até o momento, mas são incapazes de ceder e permitir a ascensão de outros nomes.
A crença numa vitória certa e a soberba de quem lidera na única pesquisa divulgada até o momento pode se converter no motivo da ruína de todo um grupo político e porque não dizer de um município com mais de 200 mil habitantes, condenado a viver mais 4 anos assim como foi nos últimos tempos. É osso!
Por Sibelle Fonseca










