Preto no Branco

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Sobradinho: Prefeitura decreta feriado municipal no dia 11 de novembro, segunda-feira, após a 20ª edição do Forró do Vaqueiro

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Através de decreto de Nº 56, publicado no Diário Oficial da última quinta-feira (31), a Prefeitura de Sobradinho decretou feriado municipal no dia 11 de novembro, segunda-feira, após a realização da 20ª edição do Forró do Vaqueiro de Sobradinho, que acontece entre os dia 8 e 10 de novembro.

Segundo a gestão municipal, o feriado é necessário para que os órgãos envolvidos retomem a normalidade, já que a realização da festa mobiliza toda a estrutura administrativa.

A decisão atende ainda a Lei municipal nº 669/2023, que delibera sobre o feriado do Vaqueiro.

No entanto, a Prefeitura de Sobradinho destaca que os serviços essenciais serão mantidos em regime de plantão.

Ascom/PMS

Gestora da Escola Municipal Raimundo Medrado, Juazeiro, se manifesta sobre reclamação de agente de segurança

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Após reclamação de um agente de segurança da Escola Municipal Raimundo Medrado, servidor da Prefeitura de Juazeiro, sobre uma situação que vem enfrentando na unidade escolar, a gestora da instituição se manifestou em nota enviada ao PNB, nesta sexta-feira (1).

Segundo o servidor, a situação teria se agravado após um episódio de falta justificada por motivo de saúde, o que resultou na retirada de seu acesso às chaves da escola, essenciais para o exercício de suas funções no período noturno.

Confira nota na íntegra:

“Como gestora da Unidade Escolar Raimundo Medrado Primo e funcionária pública a 29 anos na Rede Municipal de Juazeiro lanço mão do meu direito de defesa, uma vez citada, caluniada, intimidada e ameaçada por esse agente de segurança no meu expediente de trabalho, respaldada também pelo artigo 331 do código penal. Constatando as faltas, desse agente e tendo que vir várias vezes abrir a escola para a colaboradora da limpeza do prédio, após ser comunicada que o mesmo cogitou a possibilidade de entregar cópias das chaves sob sua responsabilidade para nossas funcionárias e por devolvê-las espontaneamente a uma funcionária sem nenhum aviso prévio, usei das minhas atribuições e responsabilidades que o cargo impõe, encaminhando o relatório ao chefe da guarda para as devidas providências. Se dizendo obrigado por seu chefe maior retornou à escola para buscar as chaves, exigindo-me o protocolo que o obrigasse a dar seus plantões noturnos dentro do prédio escolar, e por ter outros vínculos trabalhistas ficava inviável o desempenho das suas funções. Uma vez exaltado e me fazendo ameaças solicitei o encerramento da conversa, sendo preciso a intervenção de uma terceira pessoa. Reafirmo que tais fatos aqui apresentados, se sustentam com provas incontestáveis”.

Resposta da Gestora

Agente de Segurança da Escola Municipal Raimundo Medrado, em Juazeiro, denuncia conflitos com gestora; Sesau se manifesta

Redação PNB

Atendimentos no CAPS do Novo Encontro, Juazeiro, estão suspensos por “falta de energia” e usuário estranha argumento: “Somente lá?”; Sesau responde

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Usuários do CAPS- Centro de Atenção Psicossocial, situado no bairro Novo Encontro, em Juazeiro, em contato com o PNB, informaram que a unidade especializada em saúde mental não está funcionando. Ao chegarem no centro, eles se depararam com um aviso informando que a suspensão do serviço foi em decorrência da falta de energia.

“Só faltou energia no CAPS, pois nas residências e comércios vizinhos está tudo normal. Estranho, né?” observou um usuário.

Procuramos a Secretaria de Saúde e o órgão informou “que os atendimentos foram suspensos, porém a situação já está sendo resolvida. A secretaria esclarece que assim que a energia for restabelecida, o atendimento será normalizado”.

Redação PNB

Triplo homicídio foi registrado no final desta tarde, no Coliseu, em Juazeiro; as vítimas são dois homens e uma mulher

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No final da tarde desta sexta-feira (1), um triplo homicídio foi registrado no bairro Coliseu, fundo do Estádio Adauto Moraes, em Juazeiro.

Segundo informações apuradas pelo PNB, junto a PM, dois homens e uma mulher foram vítimas de disparos de arma de fogo.

A PM está no local e ainda não se sabe os nomes das vítimas, autoria e motivação do crime.

Redação PNB

Usina Cultural do Vale do São Francisco: confira as atrações da quinta (7/11), com música, literatura e fotografia

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Manuela Cavadas confirmou que vai trazer a oficina de fotografia; as Literáridas e Semi-Áridas, mulheres poetas e multiartistas do Semiárido nordestino, garantiram suas vozes, escutas, prazeres e labutas. E, direto de São José do Egito, Sertão de Pernambuco, já está de mala e cuia o grupo Em Canto e Poesia, com os irmãos Greg Marinho, Miguel Marinho e Antonio Marinho. Agora, adicione a isso uma pitada de forró do juazeirense Raimundinho do Acordeon e está pronta a programação gratuita da quinta-feira (7) do festival Usina Cultural do Vale do São Francisco.

A oficina de fotografia começa às 9h na Escola Modelo, com a educadora e fotógrafa Manuela Cavadas, trabalhando com os jovens o crescimento da autoestima e da capacidade de expressão. A partir das 19h30, a Orla Nova de Juazeiro recebe o coletivo de mulheres Literáridas, que vai apresentar uma obra com cerca de 60 poemas e 30 minibiografias das poetas oriundas de 14 municípios do Semiárido baiano. Na sequência, o público poderá conferir um show literomusical com o  coletivo feminino Semi-Áridas, que reúne cantadoras, compositoras, multi-instrumentistas, poetas, artesãs, atrizes, artistas visuais e arte-educadoras também do Semiárido baiano.

Às 21h, sobe ao palco o Encanto e Poesia, trazendo a poética e a musicalidade da terra conhecida como berço da cantoria de viola nordestina e dos poetas repentistas. Os netos de Lourival Batista, o Louro do Pajeú, um dos grandes nomes da cantoria brasileira, prometem uma apresentação especial para o Usina Cultural. E, no encerramento da quinta do festival, o sanfoneiro Raimundo Nonato dos Santos, ou simplesmente Raimundinho do Acordeon, puxa o fole, mostrando sucessos de mais de 17 trabalhos gravados, a exemplo da música Esperando na Janela, de sua autoria, com os parceiros Targino Gondim e Manuca Almeida. O festival Usina Cultural do Vale do São Francisco vai movimentar Juazeiro-BA, de 6 a 9 de novembro, com toda a programação gratuita. Além das atrações da quinta, o evento reúne ainda  grandes nomes das artes brasileiras, a exemplo de Renato Teixeira, Maciel Melo e Adelmário Coelho.

O projeto Usina Cultural do Vale do São Francisco tem patrocínio da Agrovale e do Governo do Estado, através do Fazcultura, Secretaria de Cultura e Secretaria da Fazenda.

Serviço:

O quê: Festival Usina Cultural do Vale do São Francisco

Quando: 06 a 09 de novembro de 2024

Onde: diversos espaços de Juazeiro da Bahia

Quanto: programação gratuita

Classificação: Livre para todos os públicos

Mais informações: https://www.instagram.com/usinaculturaloficial/

Confira a programação completa:

Dia 06 de novembro – Quarta-feira

Bairro Jardim Primavera – Escola Mandacaru

09h às 12h – Oficina de Literatura de Cordel com Maviael Melo

Comunidade da Alfavaca/Salitre

19h- Sarau Poético

19h30 Cinema na Praça –O Auto da Compadecida

Dia 07 de novembro – Quinta-Feira

Escola Modelo

9h- oficina de fotografia com Manuela Cavadas

Orla Nova de Juazeiro

19h30 – Literáridas

20h – Semiáridas

21h – Em Canto e Poesia

22h – Raimundinho do Acordeon

Dia 08 de novembro – Sexta-Feira

Comunidade do Junco / Salitre.

10h – Oficina de Canto

Com Andrezza Santos

Orla Nova de Juazeiro

20h – Ana Barroso

20h40 – Encontro de Cantadores com Maviael Melo e João Sereno

22h – Renato Teixeira e Maciel Melo

Dia 09 de novembro – Sábado

Lar Vicente de Paula

10h às 11h – Grupo de Seresteiros do Vale

Orla Nova de Juazeiro

19h – Abertura Cultural – Grupo de Seresteiros do Vale

19h40- Andrezza Santos

20h – Rennan Mendes

21h Adelmário Coelho.

CLAS Comunicação & Marketing

Será lançado no dia 10 de novembro, em Petrolina, o Instituto Alzyr Brasileiro (IAB)

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O Instituto Alzyr Brasileiro (IAB) chega em Juazeiro-BA, para apoiar e desenvolver ações e projetos voltados à pesquisa, difusão cultural, preservação do patrimônio e cuidado comunitário, com o objetivo de garantir o acesso da comunidade LGBTQIA+ à sua própria cultura, arte e memória. Além disso, o IAB promove o intercâmbio de conhecimentos entre a sociedade em geral e o patrimônio cultural LGBTQIA+.

Fundamentado nos Direitos Culturais como parte dos Direitos Humanos, o instituto assume como princípios o reconhecimento, a afirmação e a defesa dos direitos de expressão, criação, difusão, fruição e preservação da memória das práticas culturais, bem como o acesso a uma educação artística que respeite e valorize a diversidade de identidades culturais. Esses princípios estão alinhados com a sustentabilidade ambiental e a justiça climática.

O lançamento do IAB acontecerá na Casa Cores, Petrolina, no dia 10 de novembro.

Ascom

Sobradinho encerra Outubro Rosa com “Culto Rosa” em momento de reflexão e solidariedade

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Na última terça-feira (29), a Prefeitura de Sobradinho, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, reforçando seu compromisso com a saúde e o bem-estar da população, realizou o “Culto Rosa”, evento que marcou o encerramento das ações do Outubro Rosa no Centro de Saúde.

Com a presença de líderes religiosos como o Pastor Ronaldo, Pastor Glaúcio e a preletora Maria da Paz, o encontro proporcionou um ambiente de reflexão, louvor e oração, reunindo a comunidade em torno da conscientização sobre a importância da prevenção do câncer de mama.

A Secretária de Saúde, Josefa Moreira, destacou o significado do Outubro Rosa para a população feminina, ressaltando a importância dos exames preventivos e do diagnóstico precoce.

“Este mês é dedicado à conscientização e prevenção do câncer de mama, uma das doenças mais comuns e que impacta milhares de mulheres a cada ano. Durante o Outubro Rosa, incentivamos a realização regular dos exames preventivos, pois o diagnóstico precoce pode salvar vidas. Além disso, este movimento é essencial para fortalecer uma rede de apoio e cuidado, envolvendo familiares e amigos em uma jornada de apoio a quem enfrenta essa luta. Unidos, podemos fazer a diferença e construir uma sociedade mais consciente e comprometida com a saúde de todos,” afirmou a secretária.

Em agradecimento aos presentes e ao apoio contínuo da gestão municipal, Josefa Moreira reconheceu a participação ativa da comunidade e o respaldo do prefeito Cleivynho Sampaio, enfatizando a importância do evento para a saúde pública local.

“Quero agradecer profundamente a presença de cada um aqui, pois momentos como estes reforçam nosso compromisso e o carinho que temos pela nossa população. É gratificante ver nossa comunidade unida em prol de uma causa tão importante. E nosso agradecimento especial ao prefeito Cleivynho Sampaio, cujo apoio tem sido fundamental para viabilizar ações como esta, que buscam fortalecer a saúde e o bem-estar dos sobradinhenses. Juntos, estamos construindo uma Sobradinho mais saudável e solidária,” concluiu a secretária.

Ascom/PMS

“Oito de Paus”: Continua foragida a “Vaninha”, acusada de ser a mandante do assassinato da Professora Élida, em 2019; acusado de ter efetuado os disparos foi preso ontem (31) pela PM de Goiás

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Na noite desta quinta-feira (31), a Polícia Militar do Estado de Goiás informou ao Portal Preto No Branco que prendeu Maicon Neves dos Santos, acusado de ter efetuado os disparos de arma de fogo que mataram a professora Élida Márcia, em fevereiro de 2019, no bairro Alto do Cruzeiro, em Juazeiro.

Maicon Neves estava foragido desde a época do crime e já havia um mandado de prisão contra ele.

Ainda continua foragida Edvânia Pereira de Morais, conhecida como “Vaninha”, acusada de ser a mandante do crime. Edvânia teve um relacionamento com o marido da vítima e teria planejado a morte de Élida por não se conformar com o fim do seu relacionamento.

A acusada está com mandado de prisão em aberto e foi adicionada ao Baralho do Crime da Secretaria da Segurança Pública da Bahia, como a ‘Oito de Paus’.

O Baralho do Crime completo pode ser acessado no site da SSP-BA. Quem tiver informações sobre a foragida pode entrar em contato com a polícia através do Disque Denúncia, por meio dos telefones de números (71) 3235-0000 (capital) e 181 (interior).

Prisão de Maicon Neves

“Quando ele foi abordado por policiais da Rotam, ocasionalmente, usava o nome de Cosmo, isso para se manter foragido da Justiça. Ele estava em um veículo e levantou atitude suspeita da equipe, que fez a abordagem. Como demonstrou nervosismo e, diante das técnicas policiais do Batalhão da Rotam, foi possível verificar que ele estava mentindo e não possuía identidade. Fomos até a residência que ele falou que estava morando, onde também não mostrou a identidade. Conduzimos para a Delegacia de Polícia, onde foi feita a identificação dele e descobriu-se que tratava-se, na verdade, do Maicon, que estava foragido. Levantamos toda a situação dele e chegamos até esse homicídio ocorrido no estado da Bahia. Ele estava foragido aqui no estado de Goiás desde 2019”, contou ao PNB, o Tenente Herrero, comandante da guarnição da Rotam de Goiás.

 

Crime 

No dia 20 de fevereiro de 2019, um crime brutal chocou a comunidade juazeirense. A professora Élida Márcia, à época com 32 anos, foi assassinada quando saia de casa, no Alto do Alencar, para trabalhar. Ela foi executada dentro do carro, com disparos de arma de fogo, na frente da filha de 2 anos e do marido. Os disparos atingiram a cabeça da vítima, que morreu no local. O homem e a criança não foram atingidos.

Em 2021, a Justiça condenou a 16 anos, 7 meses e 26 dias de prisão, Railton Lima da Silva, acusado de pilotar a motocicleta que transportava o atirador que matou a professora.

O réu Edivan Constantino de Moraes, acusado de ter planejado o assassinato da professora, juntamente com a filha, foi absolvido. Ele é pai de Edvania Pereira de Morais. Durante o júri popular, Edivan chegou a dizer que era inocente e que a filha planejou o crime sozinha.

Os dois réus foram denunciados pelo Ministério Público e estavam presos no Conjunto Penal de Juazeiro desde 2019.

O Ministério Público também denunciou Edvania, a “Vaninha”, e Maicon Neves dos Santos, acusado de ter efetuado os disparos de arma de fogo contra a vítima. Os dois terão as sentenças proferidas separadamente.

 

Redação PNB

 

“Era a dor guardada no peito e no coração”: Ronnie e Élcio são condenados pelos assassinatos de Marielle Franco e Anderson

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Assassinos confessos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz foram condenados nesta quinta-feira (31), pelo 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro. Ronnie Lessa foi condenado a 78 anos, 9 meses e 30 dias. Élcio, a 59 anos, 8 meses e 10 dias.

O júri entendeu que eles são culpados de três crimes: duplo homicídio triplamente qualificado (motivo torpe, emboscada e recurso que dificultou a defesa da vítima), tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves (assessora de Marielle) e receptação do veículo usado no crime. Marielle e Anderson foram assassinados em 14 de março de 2018.

Os dois réus também foram condenados a pagar uma pensão para o filho de Anderson, Arthur, até ele completar 24 anos. E pagar, juntos, R$ 706 mil de indenização por dano moral para cada uma das vítimas: Arthur, Ághata, Luyara, Mônica e Marinete.

Na leitura da sentença, a juíza Lúcia Glioche destacou que nenhuma condenação serviria para tranquilizar as famílias, mas era uma resposta importante à perspectiva de impunidade dos criminosos.

“A justiça por vezes é lenta, é cega é burra, é injusta, é errada, é torta. Mas ela chega. Mesmo para acusados que acham que jamais vão ser atingidos. A justiça chega aos culpados e tira o bem mais importante deles, depois da vida, que é a liberdade”, disse a juíza.

Ronnie e Élcio estão presos desde 12 de março de 2019. Eles fecharam acordo de delação premiada.  Os acusados de serem mandantes dos crimes são os irmãos Chiquinho e Domingos Brazão, respectivamente, conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) e deputado federal. O delegado Rivaldo Barbosa, chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro na época do crime, é acusado de ter prejudicado as investigações. Os três estão presos desde 24 de março deste ano.

Por causa do foro, há um processo paralelo no Supremo Tribunal Federal (STF) que julga os irmãos Brazão e o delegado Rivaldo Barbosa. Também são réus no processo o ex-policial militar Robson Calixto, ex-assessor de Domingos Brazão, que teria ajudado a se livrar da arma do crime, e o major Ronald Paulo Alves Pereira, que teria monitorado a rotina de Marielle.

A motivação do assassinato de Marielle Franco, segundo os investigadores, envolve questões fundiárias e grupos de milícia. Havia divergência entre Marielle e o grupo político do então vereador Chiquinho Brazão sobre o Projeto de Lei (PL) 174/2016, que buscava formalizar um condomínio na Zona Oeste da capital fluminense.

Segundo dia de julgamento

Antes da decisão, os promotores de Justiça e os advogados dos réus fizeram a sustentacão oral perante o júri.

Os promotores defenderam que Ronnie e Élcio mataram Marielle por dinheiro e que quiseram assassinar também Anderson e Fernanda Chaves para não deixar testemunhas. Eles sustentaram que Élcio, motorista do carro usado no crime, teve a mesma culpa nos homicídios que Ronnie, que efetuou os disparos. De acordo com os promotores, ambos sabiam que a morte de Marielle tinha sido encomendada por ela ser vereadora e em razão de suas causas políticas.

O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) disse que eles não se arrependeram e só fecharam acordo de delação premiada porque sabiam que seriam condenados. E que a condenação dos dois não foi pedida apenas por causa da delação, mas porque há provas contundentes contra eles.

Na apresentação, o MPRJ mostrou que Ronnie Lessa começou a se preparar desde o ano anterior, ao fazer buscas sobre a arma usada no crime, sobre como não ter sua movimentação rastreada e sobre a vida de Marielle. Segundo as investigações, Élcio também teria feito buscas sobre políticos aliados da vereadora.

Os promotores afirmaram que, apesar do acordo de delação, eles passarão bastante tempo na cadeia. A defensora pública Daniele Silva, que atuou como assistente de acusação, destacou o lado racial do crime, uma vez que Marielle era uma mulher negra que incomodou e “mexeu com as estruturas”. Já o MPRJ salientou que, apesar de o júri ser formado por sete homens brancos, e não ter nenhuma mulher negra, bastava o jurado ser uma “pessoa com valores dentro de si”.

Defesas

A defesa de Ronnie Lessa disse que, sem a confissão e a colaboração de seu cliente, seria difícil condená-lo apenas com as outras provas. Segundo o advogado Saulo Carvalho, ele colaborou porque quis e não por se sentir “encurralado”. Ele pediu a condenação de seu cliente, “mas que fosse justa, no limite da culpabilidade dele”, negando a qualificação de motivo torpe e por motivos políticos. Tampouco que o crime tenha sido um assassinato que dificultou a defesa das vítimas, apesar de reconhecer que foi uma emboscada. Além disso, disse que a intenção de Lessa era apenas matar a vereadora e não outros passageiros do carro dela.

A defesa de Élcio Queiroz também pediu uma condenação dentro dos limites da culpabilidade e disse que ele participou do crime, mas não conhecia Marielle nem tinha motivos para matá-la. A advogada Ana Paula Cordeiro afirmou que Élcio participou de uma emboscada, mas que a defesa da vítima não foi dificultada. Além disso, Élcio não sabia que Lessa mataria Anderson nem que acertaria Fernanda, porque acreditava que seu parceiro era um “exímio atirador”.

No período da tarde, o Ministério Público fez uso do direito à réplica e reforçou os argumentos para a condenação dos réus por cerca de duas horas. A defesa de Ronnie e de Élcio teve direito à tréplica e usou cerca de 10 minutos das duas horas a que tinha direito.

Irmã de Marielle, a ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, resumiu o que representou o longo período de luta para que os assassinos fossem identificados e punidos.

“Maior legado da Marielle para esse país é a prova de que mulheres, pessoas negras, faveladas, quando chegam aos seus postos merecem permanecer vivas. Quando assassinaram a minha irmã com quatro tiros na cabeça eles não imaginavam a força com que esse país se levantaria” acrescentou.

Depoimentos arrependidos

A viúva de Anderson, Ághata Arnaus, agradeceu a todos que lutaram pela condenação dos assassinos e disse que não se sensibiliza com os depoimentos arrependidos de Ronnie e Élcio.

“Eu ouvi um pedido de perdão de alguém que claramente não tem qualquer arrependimento. E ainda diz que é para aliviar a consciência. Eu digo que quem tem que perdoar é Deus ou qualquer coisa que ele acredite. Eu não perdoo. Nunca. Eu tenho paz na minha vida. Mas não preciso perdoar”, disse Ághata. “Cinquenta, setenta anos, [isso] é pouco. Que eles fiquem lá para sempre. Anderson e Marielle morreram. É para sempre também”, acrescentou.

Mônica Benicio, vereadora e viúva de Marielle, falou sobre os significados das sentenças de hoje para a sociedade brasileira.

“Marielle foi assassinada pelo que defendia, pelo que lutava para derrotar, para defender a democracia. Não há justiça possível que possa trazê-los de volta para nós. Mas esse é um marco para que não aconteça mais. E esse é o principal recado. Como a juíza disse, é o recado para os vários Lessas que estão livres não tenham o sentimento da impunidade”, disse Mônica.

Marinete Silva e Luyara Santos, mãe e filha de Marielle, respectivamente, destacaram a luta da família ao longo desses anos para que os responsáveis pelo crime fossem punidos.

“Não só eu como mãe, mas o Brasil, o Rio de Janeiro, a sociedade de uma maneira geral há muito esperava por isso. São seis anos e sete meses e 17 dias que nós estamos lutando e nunca paramos de acreditar. A gente sabia que isso um dia aconteceria. E eles, sim, [os criminosos] têm que pagar”, afirmou Marinete.

“Nossa coragem nos trouxe até aqui. É um dia muito difícil, porque eu tenho certeza de que nenhum de nós queria estar aqui hoje. A Ághata queria o Anderson aqui. Eu queria a minha mãe aqui. Mas o dia de hoje entra para a história e para a democracia desse país. E que a gente dê muitos passos pela frente ainda nesse caso como um todo. Esse é o primeiro passo por eles. A gente vai seguir lutando”, disse Luyara.

O pai de Marielle, Antônio Francisco, externou que o dia de hoje foi muito aguardado pela família, mas reforçou que ainda espera pela condenação dos mandantes do crime.

“Isso não acaba aqui. Porque há os mandantes. E agora a pergunta é quando serão condenados os mandantes. Porque aquele choro que eles exibem nas suas oitivas, para mim não é um choro sincero. Choro sincero foi o nosso, porque perdemos a nossa filha, a Ághata perdeu o Anderson e a Mônica perdeu a Marielle. Esse choro nosso é sincero. Naqueles eu não acredito e não vou acreditar nunca”.

Agência Brasil