Preto no Branco

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Fórum de defesa dos animais é criado em oficina realizada pelo MPBA em Paulo Afonso

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O Ministério Público da Bahia (MPBA), em parceria com a ONG Animallia, promoveu nos dias 26 e 27 de novembro a Oficina de Combate aos Crimes contra a Fauna, no Centro Territorial de Educação Profissional (CETEP) de Paulo Afonso. O evento teve como objetivo capacitar profissionais e entidades envolvidas na proteção animal e criar um plano de ação integrado para combater os crimes contra a fauna na região.

Durante a oficina, foi instituído o Fórum Permanente de Defesa dos Animais de Paulo Afonso, que traçou um plano de ação com metas a serem atingidas a curto, médio e longo prazo. Entre as ações previstas, destacam-se a educação ambiental para conscientização da população, campanhas de comunicação, ampliação das castrações de animais, a criação de uma política municipal de defesa animal, além de outras iniciativas importantes para a proteção da fauna.

O evento contou com a participação de representantes do MPBA, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal, Corpo de Bombeiros, Exército, Guarda Municipal, INEMA, Prefeitura Municipal de Paulo Afonso e diversas entidades da sociedade civil. Juntos, os participantes discutiram as melhores estratégias para garantir o bem-estar animal na cidade e região.

No primeiro dia, foram realizadas palestras com temas de grande relevância, como “Direito Animal: Abordagem Ética e Jurídica”, “Biodiversidade e Espécies Ameaçadas”, “Interações Entre Sociedade e a Fauna”, “Abordagens Contra o Tráfico de Animais”, “Crueldade Contra os Animais” e “Crimes Contra a Fauna”. Já o segundo dia foi composto por apresentações de entidades locais que relataram a situação dos animais domésticos e silvestres da região. A partir dessas discussões, foi elaborado um plano de ação que visa modificar a realidade da proteção animal em Paulo Afonso, com a intenção de expandir as iniciativas para toda a região, garantindo mais segurança e bem-estar aos animais.

Cecom

Dia Mundial de Combate à Aids: Geriatra chama atenção para aumento de casos de HIV em idosos

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Neste domingo, dia 1º de dezembro, é o Dia Mundial de Combate à Aids. A campanha do Dezembro Vermelho, mês escolhido desde 2017 para a mobilização nacional, chama a atenção para as medidas de prevenção, assistência e proteção dos direitos das pessoas com o vírus HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis. Neste fim de semana, diversas capitais estarão com mobilizações e ações de prevenção.

De acordo com dados do Boletim Epidemiológico sobre HIV/AIDS do Ministério da Saúde, entre 2011 e 2021, o número de idosos que testaram positivo para o vírus quadruplicou. O geriatra e presidente da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, Marco Túlio Cintra, explica que são diversos os fatores ligados a esse aumento, entre eles a falta de campanhas direcionadas a esse público. E acrescentou que os números podem ser ainda maiores, já que é grande a subnotificação por falta de testagem.

Em entrevista ao programa Tarde Nacional da Amazônia, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Cintra contou que acontece de o paciente apresentar sintomas como o emagrecimento acentuado e os médicos investigarem câncer, sem desconfiarem de HIV.  Segundo o especialista, é fundamental que os profissionais da saúde solicitem a testagem aos pacientes idosos, já que o diagnóstico precoce é fundamental para o sucesso do tratamento.

Agência Brasil – O número de idosos com HIV quadruplicou nos últimos dez anos. A gente está falando de que números?

Marco Túlio Cintra – O número é maior. Há um aumento progressivo que o número de testagens não justifica. E aí vai para uma terceira questão que as pessoas se surpreendem pelo número de casos porque no imaginário das pessoas a vida sexual do idoso se enterrou. É um aumento progressivo em uma faixa etária preocupante.

Agência Brasil – Tem a ver com fatores comportamentais também?

Cintra – No idoso, geralmente, há múltiplas causas. Os nossos profissionais não pensam na possibilidade do vírus HIV para os idosos. Então é descoberto com doença já manifesta com sintomas de Aids numa fase mais avançada. Outra questão importante que não é comentada: não se direcionam campanhas de prevenção para pessoa idosa. Então a informação não está chegando.

Agência Brasil – Esse vírus é mais preocupante para a pessoa idosa?

Cintra – Quando se fala em pessoa idosa, não todos obviamente, mas há um perfil de mais doenças. Há uma alteração no sistema imune. Muitos tomam muitos medicamentos. É uma questão que quando entra o vírus HIV complica. Pode haver interações medicamentosas, de um medicamento atrapalhar o outro, tem maior dificuldade com o tratamento porque essas pessoas têm mais problemas de saúde.

Agência Brasil – Tem muita resistência, principalmente com relação ao público masculino, com relação ao uso do preservativo nessa faixa etária?

Cintra – Entre os idosos, a preocupação do uso é menor. Muitos idosos não imaginam que eles estão se expondo. Muitas vezes as campanhas são voltadas para grupos e não por comportamento de risco. O comportamento de risco pode estar em qualquer faixa etária, inclusive nos idosos que são sexualmente ativos.

Agência Brasil

Atletas baianos conquistam 11 medalhas nas Paralimpíadas Escolares

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A delegação baiana do paradesporto escolar desembarcou na tarde deste sábado em Salvador, trazendo na bagagem 11 medalhas conquistadas nas Paralimpíadas Escolares. A competição reuniu nesta semana, em São Paulo, dois mil atletas dos 26 estados brasileiros mais o Distrito Federal.
Atleta da natação e que conta com o apoio do Programa FazAtleta, Bárbara Britto, do município de Jequié, conquistou duas medalhas de ouro e duas de prata nas quatro provas que disputou. Em sua 5ª etapa nacional das Paralimpíadas Escolares, a atleta conquistou nesta edição quatro medalhas – duas de ouro e duas de prata – nas quatro provas em que competiu: 100 m costas, 100m borboleta, 50m livre e 100 livre.
“Essa é minha última paralimpíada escolar, já que no próximo ano estarei com 18 anos. Nos doze anos que representei a Bahia, conquistei um total de 14 medalhas. Acredito que cumpri bem meu papel e tenho muito orgulho de ter representado meu estado ao longo de todos esses anos, e espero seguir representando em outras competições, disse Bárbara, que integra a Seleção de Brasileira Juvenil.
A sua técnica, a também atleta da paranatação Verônica Almeida, destaca a importância das Paralimpíadas Escolares. “É uma competição que fortalece muito o movimento paralímpico da Bahia e de todo o Brasil, ficando evidente o valor que tem o esporte na vida desses jovens. Dessa competição, saem os futuros atletas paralímpicos do nosso país”, enfatizou Verônica.
“Retornamos a Salvador com a certeza de mais uma etapa vencida não só pelos resultados, mas, sobretudo, pelo compromisso de cada um do grupo que formou nossa delegação paralímpica escolar – estudantes atletas, professores, técnicos de instituições que atuam com PCDs e do Governo do Estado e familiares”, destacou o professor Wilson Brito, chefe da delegação da Bahia.
Apoio – As Paralimpíadas Escolares são organizadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB). A delegação baiana viajou à capital paulista com apoio do Governo do Estado, por meio  da Secretaria de Educação e da Superintendência dos Desportos do Estado da Bahia (Sudesb), autarquia da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte, com apoio da Federação Baiana de Esporte Escolar (FBEE).
Também presente na delegação baiana, o diretor de Fomento ao Esporte da Sudesb, Wilton Brandão destacou a importância do torneio para o paradesporto em todo o Brasil.
“Retornamos para a Bahia com o entendimento e o compromisso de fortalecer o paradesporto em nosso estado. Em parceria com a Secretaria de Educação, a Sudesb vem discutindo permanentemente as políticas de desporto escolar, e vamos intensificar essa parceria com vistas a ampliar a participação de nossos atletas paralímpicos nessa e em outras competições”, disse Wilton.
Responsável pelo Núcleo da Sudesb, Adelmare Júnior também acompanhou toda a competição na capital paulista. “Foi muito importante ver de perto mais uma vez essa competição. Assim como o diretor Wilson, retorno ainda mais empenhado em ampliar as políticas públicas do paradesporto em nosso estado. O desafio é enorme, mas com a participação e o trabalho conjunto do Estado e das instituições vamos superar os desafios e tornar mais representativo o paradesporto escolar baiano”, observa Júnior, que também é cadeirante.
Os atletas da Bahia que participaram da competição vêm de escolas públicas e privadas da capital e dos municípios de Dias D’Ávila e Jequié. Eles treinam e têm acompanhamento do Centro de Referência Paralímpico da Bahia (CTPBa), Instituto de Cegos da Bahia (ICB), Associação Jequieense de Cegos (Ajece), Fundação José Silveira (IBR – Jequié), Hospital Sarah Kubitscheck (Salvador), Instituto de Organização Neurológica da Bahia (ION) e Associação Paradesportiva do Interior da Bahia (APIB).
Abaixo, nome dos atletas e medalhas conquistadas:
Bárbara Britto, natação 04 – 02 ouro + 02 pratas
Davy Santos,  atletismo, 02 – 01 ouro + 01 prata
Maria Rita,  badminton, 01 ouro
Samuel Costa, tênis de mesa, 02  bronze
Daniel Rios, atletismo, 01 prata
Luiz  Otávio,  badminton , 01 prata
 
 
Ascom/Sudesb

Bandeira Verde: Conta de energia não terá cobrança extra em dezembro

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A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou que a bandeira tarifária para o mês de dezembro será verde, sem cobrança extra na conta de luz.

“Nas últimas semanas, o período chuvoso mais intenso favoreceu a geração de energia hidrelétrica, com custo de geração inferior ao de fontes termelétricas – acionada mais frequentemente quando os níveis dos reservatórios estão baixos”, explica a Aneel.

Neste ano, a falta de chuva fez com que a Aneel acionasse a bandeira tarifária vermelha patamar 1 em setembro e a  vermelha patamar 2 em outubro. Em novembro, foi acionada a bandeira tarifária amarela, com cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 kWh consumidos.

Sistema de bandeiras tarifárias

Criado em 2015 pela Aneel, o sistema de bandeiras tarifárias reflete os custos variáveis da geração de energia elétrica. Divididas em níveis, as bandeiras indicam quanto está custando para o Sistema Interligado Nacional gerar a energia usada nas casas, em estabelecimentos comerciais e nas indústrias, considerando fatores como a disponibilidade de recursos hídricos, o avanço das fontes renováveis, bem como o acionamento de fontes de geração mais caras como as termelétricas.

As cores verde, amarela ou vermelha (nos patamares 1 e 2) indicam se a energia custará mais ou menos em função das condições de geração, sendo a bandeira vermelha a que tem custo maior, e a verde, sem custo extra.

Redação PNB

Mutirão promoverá avaliação de lesões suspeitas de câncer de pele na Policlínica do HU-Univasf

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Em mais uma edição do Dezembro Laranja, mês dedicado à prevenção ao câncer de pele, o Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf), vinculado(a) à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizará, no próximo dia 7, um mutirão para avaliação e tratamento das lesões suspeitas da doença, em apoio à campanha promovida pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Os atendimentos acontecerão das 8h às 13h, na Policlínica do HU-Univasf (Campus Sede da Univasf), em Petrolina.
Estarão envolvidos voluntariamente na iniciativa médicos dermatologistas, estudantes dos cursos de Medicina e Enfermagem da Univasf, membros da Liga Acadêmica de Dermatologia (Laderme), assim como estudantes da Faculdade de Petrolina (Facape), da Estácio IDOMED de Juazeiro-BA entre outros profissionais do HU-Univasf.
“Vamos intensificar os cuidados com a população, promovendo o máximo de cuidado para o tratamento das lesões confirmadas e contribuindo com aspectos preventivos, ampliando a conscientização sobre os riscos associados à exposição solar. Esperamos mobilizar muitas pessoas com este mutirão, melhorando a qualidade de vida delas”, destaca Itamar Santos, dermatologista coordenador da ação local e docente do Colegiado de Medicina da Univasf.
A iniciativa tem como objetivo atender pessoas que possuam algum tipo de lesão na pele, como manchas, sinais com deformidades, coceira persistente, sangramentos, feridas e cicatrizes que não fecham (por mais de quatro semanas). De acordo com a Sociedade Brasileira de Dermatologia, o câncer da pele é o câncer mais comum entre os brasileiros, representando 33% de todos os diagnósticos da doença. Ele é provocado pelo crescimento anormal e descontrolado das células que compõem a pele e pode ser subdividido em diferentes tipos:
Carcinoma basocelular (CBC)
É o tipo mais prevalente e surge mais frequentemente em regiões expostas ao sol, como face, orelhas, pescoço, couro cabeludo, ombros e costas. Tem baixa letalidade e pode ser curado em caso de detecção precoce. Costuma se apresentar como uma pápula vermelha, brilhosa, com uma crosta central, que pode sangrar com facilidade.
Carcinoma Escamoso (CEC)
Pode se desenvolver em todas as partes do corpo, embora seja mais comum nas áreas expostas ao sol, como orelhas, rosto, couro cabeludo e pescoço. Tem coloração avermelhada e pode se parecer com uma verruga ou uma ferida espessa e descamativa, que não cicatriza.
Melanoma
O menos frequente dos cânceres da pele, o melanoma tem o mais alto índice de mortalidade. Apesar disso, as chances de cura são de mais de 90%, quando detectado precocemente. Costuma ter a aparência de uma pinta ou de um sinal em tons acastanhados ou enegrecidos, que mudam de cor, de formato ou de tamanho.
Previna-se!
As medidas preventivas contra o câncer de pele envolvem cuidados relacionados à fotoproteção. Por isso, recomenda-se o uso de protetor solar diário, com reaplicações a cada duas horas, inclusive após transpiração excessiva e mergulho; uso de roupas protetoras (UV), chapéus e óculos, especialmente em ocasiões com forte incidência solar e para trabalhadores que estão expostos ao sol.
Serviço:
Mutirão para diagnóstico e combate ao câncer de pele
Data: 7 de dezembro de 2024 (sábado);
Horário: das 8h às 13h;
Onde: Policlínica do HU-Univasf (Campus Sede da Univasf, em Petrolina-PE).
Ascom

Mega-Sena acumula novamente e prêmio vai a R$ 76 milhões

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Ninguém acertou as seis dezenas do concurso 2.802 da Mega-Sena, realizado neste sábado (30) e o prêmio acumulou e vai para R$ 76 milhões.

Os números sorteados foram 17 – 21 – 26 – 28 – 32 – 60.

A quina teve 36 apostas vencedoras que vão receber, cada uma, R$ 120.206,97. Os 4.510 acertadores da quadra terão o prêmio individual de R$ 1.370,74.

O próximo sorteio será na terça-feira (3). As apostas podem ser feitas até as 19h (horário de Brasília), em qualquer lotérica do país ou pela internet, no site da Caixa Econômica Federal. Para fazer a aposta pela internet, é necessário fazer um cadastro, ter mais de 18 anos e preencher o número do cartão de crédito. A aposta simples, com seis dezenas, custa R$ 5.

Redação PNB

Quase 8% dos processos de adoção de criança são desfeitos, mostra CNJ

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“A gente já mudou o nome”, diz, orgulhosa, a jornalista Leonor Costa, ao informar o nome completo da filha Safyra, de 6 anos, adotada em 2023. A adoção, além de simplesmente ter dado um lar e uma família para a Safyra, evitou que a menina vivenciasse uma situação traumática: o retorno a um abrigo após ter sido devolvida por outra mãe adotiva.Moradora de Brasília, a jornalista conta que Safyra já tinha passado por dois abrigos e estava vivendo com uma “família acolhedora” – um programa que insere a criança de forma provisória em um lar até ela ser adotada definitivamente. “É muito melhor que estar em um abrigo”, diz.

No começo de 2023, uma pretendente iniciou, com aval da Justiça, um período de aproximação com a menina. O processo começa com visitas e vai avançando a convivência gradativamente. Cerca de um mês depois do primeiro contato e, após ter levado a Safyra para passar um fim de semana em casa pela primeira vez, a potencial mãe comunicou à Vara da Infância e da Juventude que tinha desistido do processo.

A menina voltou para a família acolhedora, no entanto com um novo problema. Estava se esgotando o tempo em que ela poderia ficar no lar provisório. Se não fosse adotada em alguns meses, voltaria para um abrigo. “Voltar ao abrigo seria o pior sofrimento que essa criança poderia passar”, afirma Leonor.

Foi nesse ínterim que a jornalista recebeu a ligação da Vara da Infância indicando que havia uma criança dentro do perfil que ela tinha indicado ainda em 2017, quando se dispôs a entrar na fila de adoção.

Em 2018, Leonor descobriu que o diagnóstico de infertilidade que tinha recebido de um médico era errado e acabou engravidando. Mesmo assim, não retirou o nome da fila de espera para adoção.

“A gente disse que sim, que seguiria com o processo”, relembra ela da resposta que deu à Vara da Infância.

Casos desfeitos

Casos de interrupção de processos de adoção, como o que envolveu Safyra antes de se unir a Leonor, fazem parte de uma estatística revelada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de transparência e controle do Poder Judiciário. De cada 100 crianças em guarda provisória de processo de adoção no Brasil, aproximadamente oito tiveram o processo desfeito. Isso representa 1.666 crianças. Foram analisados dados partir de 2019.

O estudo inédito foi feito com base em entrevistas com equipes de unidades de acolhimento, representantes do Poder Judiciário envolvidos em processos adotivos e dados do Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA), que contabilizou 21.080 crianças e jovens em processo de guarda provisória desde 2019. Ou seja, o percentual de interrupções foi de 7,9%.

No caso de Safyra, o desejo de Leonor impediu que a menina fosse para um abrigo.

“Deu certo. Estamos com ela já tem um ano. Agora saiu a sentença, ela já é nossa filha perante o Estado. Ela já tem a nossa certidão, já é nossa filha definitivamente”, comemora. “A gente já a conquistou, ela está bem ambientada, entendeu que essa é a família dela, chama minha outra filha de irmã o tempo todo, mamãe e papai”, conta a mãe.

Leonor explica que Safyra é neurodivergente. Ela acompanhava a menina na terapia, quando conversou com a Agência Brasil. “A gente está vendo se é um grau de autismo, de deficiência intelectual ou de TDAH [Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade]”, descreve.

“Agora ela está supertranquila, mas ela era uma criança muito agitada”, diz. “A moça não conseguiu, disse que não ia dar conta, ela é sozinha. Eu não condeno”, conta ao se referir ao processo anterior de adoção de Safyra.

A pesquisa do CNJ está disponível neste endereço e foi apresentada em um seminário online no último dia 21. Clique aqui para assistir à íntegra do seminário.

O Sistema Nacional de Adoção foi criado pelo CNJ, órgão de transparência e controle do Poder Judiciário, e traz dados como os perfis de crianças aptas à adoção e dos pretendentes.

No universo avaliado, de 21.080 crianças, não estão incluídas as que passam pela chamada “adoção pronta”, casos que costumam ocorrer dentro da própria família, em que o adotante não precisa ter cadastro prévio no SNA. Em alguns casos, por exemplo, os pais biológicos decidem passar a guarda da criança para terceiros sem notificarem a Justiça.

Adoção legal

No processo de adoção legal, os pretendentes precisam passar por etapas para se tornarem habilitados. Eles são submetidos a análise de documentação, avaliação psicossocial e precisam participar de um programa de preparação para adoção.

Uma vez habilitados, entram na fila do SNA. Após esse cadastramento, ocorre a vinculação, quando o perfil de criança indicado pelo pretendente corresponde ao perfil de uma criança em unidade de acolhimento, respeitando a fila no cadastro. Até esse momento, crianças e adultos ainda não se conhecem.

A partir de então, o pretendente passa a conviver com a criança de forma monitorada pela Justiça e pela equipe técnica, em um processo de aproximação. O convívio é gradual e se realiza por meio de visitas ao lugar em que a criança vive ou por meio de pequenos passeios.

Se a aproximação se mostrar bem-sucedida, começa o estágio de convivência, em que a criança ou o adolescente passa a morar com o postulante. Ainda há o acompanhamento da equipe técnica do Poder Judiciário. O estágio de convivência tem prazo máximo de 90 dias, prorrogável por igual período.

O levantamento do CNJ também contabilizou casos de reversões que aconteceram depois de a adoção ter se tornado definitiva. Foram 139 registros em um universo de 17.946 (0,8%).

A legislação brasileira diz que adoção é um ato irrevogável. No entanto, o estudo do CNJ ressalta que pais adotivos que optam por voltar atrás na decisão de adotar uma criança conseguem desfazer o compromisso.

“O Juízo da Infância acaba atendendo a esse pedido e reacolhendo a criança”, frisa o estudo, ressaltando que a decisão é baseada no bem-estar dos adotados.

Desistência durante guarda

O levantamento do CNJ não aponta objetivamente o motivo que levou os pais adotivos a desistirem da adoção, mas mapeou o perfil das crianças que tiveram que voltar ao sistema de adoções. Para buscar possíveis indícios de motivações, os pesquisadores compararam o perfil das pessoas adotadas com as que tiveram o processo revertido.

A análise apontou que os perfis de crianças que voltaram aos pontos de acolhimento se diferenciam em questões como idade, diagnóstico de deficiência mental, problema de saúde tratável e uso contínuo de medicamentos.

Por exemplo, a proporção de crianças com mais de 5 anos no grupo das que tiveram o processo interrompido é muito maior que entre as adotas. Pessoas com mais de 5 anos são 22,7% dos casos de adoção e 54,1% dos casos de processos desfeitos.

Leonor faz parte de uma comunidade de pais adotivos e relata o caso de adoção de uma criança de 9 anos que terminou em retorno para unidade de acolhimento. “A criança começou a querer muito a presença da genitora”. Segundo ela, os pais adotivos insistiram no processo, mas não foi possível demover a criança da ideia de voltar para o abrigo. “É um trauma para todo mundo”, constata.

Em relação a deficiência mental, o CNJ mostra que 2,5% dos adotados apresentavam diagnóstico, enquanto entre os que tiveram o processo desfeito, eram 4,4%. Em relação ao uso de medicamentos, os percentuais são 7,5% entre as crianças adotadas e 17,3% entre as que voltaram para abrigos.

“Se tiver transtorno mental, alguma deficiência intelectual ou algum nível de autismo, isso é um fator que pesa e que as famílias não conseguem sustentar esse desejo da adoção de crianças com esse perfil”, respondeu aos pesquisadores uma equipe técnica de psicologia.

Em relação a cor, crianças negras (conjunto de pretas e pardas) foram 59% das adotadas e 68% das com processo desfeito. Por outro lado, as brancas representam 39,6% das adotadas e 31,3% das que voltaram para o acolhimento.

Desistência após conclusão

No grupo das crianças que tiveram que retornar a abrigos após a conclusão do processo de adoção, ou seja, já depois da guarda provisória, pessoas com mais de 15 anos são 9,4% dos casos de adoção e 46,2% dos casos revertidos.

Em relação a deficiência mental, 2% dos adotados apresentavam diagnóstico, enquanto entre os que voltaram para abrigos eram 10,1%.

Em relação ao uso de medicamentos, os percentuais são 7,9% entre as crianças adotadas e 22,3% entre as que tiveram o processo revertido.

Em relação a cor, crianças negras (conjunto de pretas e pardas) foram 57% das adotadas e 63% das que retornaram para o acolhimento. Por outro lado, as brancas representam 39% das adotadas e 34% das que voltaram.

Consequências

Além de apresentar perfis, a pesquisa indica encaminhamentos para que ocorram menos revogações de processos por parte dos adotantes, uma vez que esses episódios afetam a saúde psicológica e emocional das crianças e adolescentes.

Os entrevistados identificaram sentimentos de culpa, tristeza, baixa autoestima e transtornos como a depressão e questões comportamentais como quadros de agressividade.

A secretária aposentada Débora Teixeira Alli vivenciou essa consequência. Ela tem duas filhas adotadas. Uma delas é Alessandra Alli Marques, hoje com 22 anos e uma trajetória com marcas de uma devolução durante processo de adoção.

Aos 3 anos de idade, foi retirada pela Justiça da tutela da genitora, que vivia em situação de rua. Alessandra morou um ano e meio em um abrigo, até entrar em um processo para ser adotada por uma família.

Segundo Débora, por ter vivido nas ruas, Alessandra tinha um comportamento complicado, o que tornou difícil a convivência com a primeira família adotiva. Em menos de um ano, a pretendente, que já era chamada de mãe, pediu para encaminhar a menina de volta para o abrigo.

“Isso causou um trauma enorme na Alessandra”, constata Débora, que se tornou mãe da menina quando ela tinha 6 anos e meio.

Débora explica que a filha tem leve deficiência intelectual, o que não a impede de trabalhar, a não ser que seja, por exemplo, mexendo com dinheiro. “Ela se dá muito bem, principalmente pelo convívio. É uma pessoa que, por onde passa, é amável, carinhosa, gentil. Todo mundo fica encantado com ela”.

Mesmo oferecendo lar, carinho e educação à filha, Débora percebe que a menina ainda continuou insegura em relação à plena aceitação pela nova família.

“Ela achava que se eu ficasse brava, eu iria devolvê-la”, conta. “Na porta da escola, por exemplo, ela vinha correndo, com medo de eu não estar lá”, acrescenta.

“É um trauma que tentei de todas as formas apagar na Alessandra. Não consegui. Ela teve psicólogo, psiquiatra, psicopedagoga, teve tudo e mais um pouco. Se eu ficava brava com ela, ela entrava em pânico com medo de que eu não fosse a querer mais”.

Débora acredita que um dos caminhos para passar segurança e acolhimento para a Alessandra e a outra filha, Ana Carolina Alli Marques, é enfatizar que elas não são um plano B.

Ao lado da mãe, Alessandra conversou com a  “Eu sou bastante feliz. É um sonho meu que eu queria muito”, disse sobre a vivência em família.

Recomendações

Entre as recomendações sugeridas pelos autores do estudo do CNJ estão padronização da avaliação dos pretendentes, de forma que seja mais fácil identificar motivações inadequadas para a adoção, expectativas irreais em relação à criança e despreparo para lidar com os desafios da adoção.

A jornalista Leonor Costa, a mãe da Safyra, faz questão de afirmar que não se pode haver romantização do ato de adotar uma criança. “As pessoas precisam ter compreensão do que está por vir. É importante saber que tem dificuldade, seus desafios”, sinaliza.

Outra iniciativa sugerida pelos pesquisadores é a promoção de programas de troca de experiências continuadas para os profissionais que atuam na avaliação e no acompanhamento dos pretendentes, com foco na identificação de fatores de risco comuns para pedidos de reversão dos processos de adoção.

De acordo com o coordenador acadêmico da pesquisa, Julio Adolfo Zucon Trecenti, é interessante que haja um protocolo mínimo, que tenha alguns quesitos a serem observados.

“A decisão sobre se a pessoa está preparada ou não também precisa ser baseada em critérios.”

Pode ser baseada na subjetividade e no conhecimento técnico das equipes, mas deve seguir algum protocolo mínimo que leve em conta um check list”, afirmou Trecenti durante o seminário de apresentação.

O estudo do CNJ aponta que “a rede de proteção ainda não oferece suporte psicológico e emocional que é essencial para crianças e adolescentes que são devolvidos em processo de adoção”.

“É fundamental investir na criação de programas e projetos específicos para oferecer suporte psicológico e emocional a esses indivíduos”, diz o texto, acrescentando que “esse acompanhamento pode ajudar a criança ou o adolescente a lidar com o trauma, a reconstruir sua autoestima e a desenvolver mecanismos de enfrentamento para os desafios futuros”.

Agência Brasil

Sobradinho: Secretaria de Saúde encera Novembro Azul com ação de conscientização e cuidados à saúde do homem

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A Prefeitura de Sobradinho, por meio da Secretaria Municipal de Saúde, promoveu nesta sexta-feira (29), no Centro de Saúde, uma programação especial para marcar o encerramento do Novembro Azul, campanha internacional dedicada à conscientização e prevenção do câncer de próstata.

Durante todo o dia, os usuários tiveram acesso a uma série de serviços gratuitos, incluindo consultas médicas, atendimento especializado com urologista, aferição de pressão arterial e a realização de testes rápidos. Além disso, foram distribuídos folders informativos e instaladas tendas temáticas com espaços interativos, que ofereceram orientações sobre prevenção e hábitos saudáveis.

O evento, que contou com a participação de 80 homens, também evidenciou a importância do papel das mulheres como rede de apoio, incentivando pais e maridos, a buscarem atendimento médico preventivo.

A programação contou ainda com uma palestra ministrada pelo enfermeiro Ernandes Souza Vieira, que abordou a relevância do cuidado preventivo e do autocuidado na saúde masculina: “A prevenção é a principal ferramenta para detectar precocemente o câncer de próstata e outras doenças que afetam a qualidade de vida do homem. Quanto mais cedo identificamos os sinais, maiores são as chances de sucesso no tratamento”, destacou o palestrante.

Josefa Moreira, Secretária de Saúde destacou o compromisso da gestão em promover ações que assegurem a saúde e o bem-estar da população masculina.

“Gostaria de expressar minha gratidão ao prefeito Cleivynho Sampaio, que tem sido um líder incansável na garantia de políticas públicas que valorizam a saúde de todos os sobradinhenses. Sob sua gestão, avançamos na ampliação de serviços e na oferta de ações como esta, que incentivam os homens a priorizarem sua saúde, rompendo barreiras culturais e tabus. O apoio e a visão estratégica do prefeito têm sido fundamentais não apenas no Novembro Azul, mas em todas as iniciativas voltadas para o cuidado integral da nossa população”, afirmou a gestora.

Novembro Azul 

Criada para combater o câncer de próstata, a segunda maior causa de morte por câncer entre homens no Brasil, a campanha Novembro Azul vai além do diagnóstico precoce. Ela promove debates sobre a saúde integral do homem, incluindo a prevenção de doenças cardiovasculares, diabetes e o impacto do sedentarismo, estresse e alimentação inadequada. Estima-se que 1 em cada 6 homens será diagnosticado com câncer de próstata ao longo da vida, mas a doença, quando detectada precocemente, tem índices de cura superiores a 90%.

Ascom/PMS

Produzido em Juazeiro-BA, documentário vai abordar vivências de ribeirinhos com o Rio São Francisc

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“Um Rio e as Margens do Tempo” é o nome do documentário experimental, sensível e poético que está sendo filmado no Vale do São Francisco, e será lançado no mês de dezembro em Juazeiro-BA. O projeto é uma produção da Oficina de Ideias – Proposições Criativas, e também prevê a realização de outras atividades, como oficinas de contação de histórias e lives, voltadas para estudantes de escolas públicas e também pessoas idosas.

O que nos contam as vozes do Rio São Francisco? Quais memórias vivem e revivem nas lembranças do povo ribeirinho? Quais são suas memórias do rio? Quais memórias as suas águas carregam? A partir dessas questões, o filme, que está sendo produzido em formato de curta-metragem, conta histórias sobre o Velho Chico. E as vozes dessas histórias são as dos ribeirinhos que vivem e/ou trabalham às margens do rio.

A produção audiovisual propõe uma abordagem sensível aos moradores ribeirinhos, a partir da escuta de suas vivências, no intuito de construir uma narrativa documental que evidencia a importância do Rio São Francisco em suas vidas, através da pesca, do transporte, do banho, entre outras.

Em fase de finalização das filmagens, o curta será exibido em Juazeiro, no Centro de Cultura João Gilberto e na Colônia de pescadores do Angari. Todas as atividades serão gratuitas e abertas ao público.

Este projeto foi contemplado nos Editais da Paulo Gustavo Bahia e tem apoio financeiro do Governo do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura via Lei Paulo Gustavo, direcionada pelo Ministério da Cultura, Governo Federal. Paulo Gustavo Bahia (PGBA) foi criada para a efetivação das ações emergenciais de apoio ao setor cultural, visando cumprir a Lei Complementar nº 195, de 8 de julho de 2022. —

Ascom/Bia Braga | Comunicação