
(foto: reprodução/internet)
Mesmo após ter recebido um abaixo-assinado reivindicando a garantia dos direitos LGBT em todas as esferas de Petrolina, o prefeito Miguel Coelho sancionou a Lei nº 2.985. De autoria do vereador Elias Jardim (PHS), a lei, que está em vigor desde o dia 19 de dezembro de 2017, proíbe as atividades pedagógicas que visem a reprodução do conceito de Ideologia de Gênero na grade de ensino das redes municipal e privada da cidade.
A lei estabelece que a utilização, elaboração, publicação, exposição e distribuição de livros que abordem ou se refiram, direta ou indiretamente, sobre ideologia de gênero, diversidade sexual e educação sexual, bem como a distribuição de livros didáticos nas escolas e bibliotecas da cidade, estão terminantemente proibidas.
A responsabilidade direta pelo cumprimento da lei recai, solidariamente, aos dirigentes, diretores e ao secretário municipal a qual a escola ou a biblioteca esteja vinculada.
Para Eduardo Rocha, presidente da Associação Sertão LGBT do Vale do São Francisco, a sanção da lei, além de contribuir para a disseminação do ódio e da violência entre as minorias, evidencia o descomprometimento do prefeito Miguel Coelho com os movimentos sociais.
“Estamos nos perguntando: que “novo tempo” é esse que o governo promete? Continuamos vendo uma gestão conservadora, que colabora para a ignorância das gerações futuras, uma gestão que tira nossos direitos, direitos de ser, existir, pensar e aprender a respeitar o diferente. Não só a população LGBT está tendo direitos atacados, mas também a toda população de mulheres, de negros e negras, bem como os direitos humanos em geral”, ressaltou o representante.

(foto: reprodução/arquivo pessoal)
Eduardo relembrou que no dia 21 de setembro, durante a Marcha da Diversidade no aniversário de Petrolina, o gestor recebeu uma carta com mais de 500 assinaturas, reivindicando a garantia das demandas da população LGBT.
“Ele desceu para receber a tal carta se colocando a disposição em frente as câmeras, e na primeira oportunidade ele sanciona uma lei que proíbe desconstruir preconceito, uma lei que nos mata todos os dias e nos matem na invisibilidade. Repudiamos tal atitude do senhor prefeito”, disse Eduardo que complementou dizendo que “Nossa sociedade merece respeito, e respeito só vem através da educação”.
O vereador Gilmar Santos (PT), que ao lado da vereadora Cristina Costa (PT) se manifestou veementemente contra o projeto na ocasião da votação do dia 7 de dezembro, também repudiou a sanção de Miguel Coelho.
“Em um país onde mais se mata LGBT’s no mundo, um a cada 25 horas, discutir gênero nas escolas é uma necessidade que pode tornar efetivo o compromisso da educação com a vida, com a justiça, com as liberdades individuais e com a cultura de paz. Negar-se a ele, ou pior, proibir esse compromisso por parte do educador que deve ofertar o conhecimento acerca do que está na fundamentação desses problemas é uma outra violência, a violência da invisibilidade que não mata diretamente, mas deixa morrer”, disse o vereador.

Elias Jardim (foto: reprodução/internet)
O projeto
Com a bíblia não mão, falando em “nome de Deus” e argumentando “defesa da família e das crianças de Petrolina”, o vereador evangélico Elias Jardim (PHS) aprovou no dia 7 de dezembro, o projeto de lei nº 132/2017, que proíbe as atividades pedagógicas que visem a reprodução de conceito de Ideologia de Gênero na grade de ensino de escolas públicas municipais e particulares de Petrolina.
Durante a sessão, que contou com a presença de representações do movimento de mulheres e da comunidade LGBT, alguns manifestantes demonstraram indignação e reagiram ao discurso do vereador evangélico, chamando-o de “fascista”.
O projeto foi aprovado em segunda discussão por 12 votos a favor e 2 contra.
Várias instituições e entidades, como a Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf), Conselho Municipal de Promoção da Igualdade Racial (Compir) e o Conselho Municipal de Direitos Humanos (CMDH), repudiaram a aprovação do projeto pela câmara de vereadores de Petrolina.
Da Redação por Thiago Santos
















