O Vereador Gilmar Santos (PT) se manifestou sobre operação realizada em pontos estratégicos do município de Petrolina, Sertão de Pernambuco, que recolheu 48 bicicletas motorizadas que estariam sendo utilizadas de forma irregular. A ação foi da Secretaria Municipal de Segurança Pública e da Autarquia Municipal de Mobilidade que levaram os equipamentos o pátio da AMMPLA.
De acordo com a AMMPLA, a operação visava prevenir o uso das bicicletas motorizadas por adolescentes. Ao todo, 45 termos de compromisso, documento assinado pelos pais dos jovens, foram emitidos. A Operação contou com o apoio da Guarda Civil Municipal (GCM), da Vara da Infância e da Juventude de Petrolina, do Ministério Público e do 2º Batalhão Integrado Especializado (2º BIESP) e do 5° Batalhão da Polícia Militar (5° BPM).
O parlamentar destacou a importância da operação: “Apoiamos sim a fiscalização e o controle sobre quem faz essa barulheira. Você não pode querer se divertir, ir e vir, tirando o sossego das outras pessoas. E nesse sentido nós apoiamos a operação”.
No entanto, Gilmar Santos fez algumas questionamentos sobre a ação.
“As perguntas que não querem calar: por que apreender as bicicletas não motorizadas? Quais as infrações? Quais as provas? Por que apreender as bicicletas desses adolescentes sem que órgãos de proteção de direitos, como o Conselho Tutelar, Defensoria Pública, Ministério Público, estivessem presentes fazendo as devidas mediações? Nós temos conhecimento de que um jovem autista foi abordado e teve sua bicicleta apreendida sem qualquer consideração do agente de segurança sobre a sua condição especial”, questionou.
O Vereador chamou atenção ainda para a falta de opções de lazer e esporte dirigidas aos jovens das periferias.
“O que a prefeitura tem ofertado na área de esporte e lazer para essa juventude que gosta de bicicleta? Criem um programa para ocupação de algumas vias nos finais de semana ou criem um centro voltado para esses encontros. Isso vai evitar muito tanto a perturbação, os riscos e a criminalização dos jovens das periferias. Nossos jovens não praticam infração ou até crimes simplesmente porque querem. A ausência do poder público com educação, cultura, esporte e lazer, muitas vezes abre caminho para essa cultura da violência. Nunca é demais lembrar que a juventude que faz esse ‘rolezinho’ de bicicleta pela cidade é a juventude periférica, negra, pobre, que busca através dessa ação fazer o que o poder público não faz, que é oportunizar alguma diversão para quem convive com o abandono. Quer dizer então que violentos e desordeiros são apenas os jovens das nossas periferias? Quando o poder público, a prefeitura, organiza a orla, garante segurança na orla e abandona as nossas periferias, isso não é violência, isso não é promover a desordem? Nós não queremos deixar de reconhecer a importância dessa ação sobre os condutores das bicicletas motorizadas. mas compreendo que essa ação poderia ter sido melhor construída, evitando, portanto, violações de direitos desnecessárias”, observou Gilmar.
Ele concluiu se solidarizando com os jovens alvos da operação, afirmando que está buscando explicações junto aos órgãos responsáveis.
“Expresso aqui a minha solidariedade aos jovens que tiveram seus direitos violados. Nós estamos notificando os órgãos responsáveis para que nos apresentem explicações. Vamos acionar também a Defensoria Pública, o Ministério Público. Vamos auxiliar juridicamente os jovens envolvidos nessa operação e exigir que a nossa juventude tenha mais oportunidade e que a nossa população conviva com uma cultura de respeito, igualdade e de paz”, concluiu.
Redação PNB