Na última sexta-feira (8), uma reunião realizada no Centro Pop, localizado na Rua Elizabeth Safira, bairro Maria Gorete, em Juazeiro, acendeu o debate entre a comunidade local e os gestores do equipamento destinado ao atendimento de pessoas em situação de rua. O encontro contou também com representantes das secretarias municipais de Desenvolvimento Social e Saúde, da Polícia Militar, Guarda Civil Municipal, e da equipe do Centro, incluindo a Coordenadora Rita de Cássia, a Assistente Social Railane Delmondes e demais funcionários.
Desde a instalação da unidade, no último mês de abril, parte dos moradores afirma que a violência no bairro aumentou, especialmente os casos de furtos e invasões a residências e estabelecimentos comerciais. No fim de semana anterior à reunião, segundo relatos dos moradores, foram quatro ocorrências, em sua maioria contra residências de idosos. A ausência de policiamento noturno e a iluminação pública precária foram citadas como agravantes.
“Este é um bairro familiar, com muitas residências e vulnerabilidades estruturais, Não fomos consultados antes da instalação”, lamentou um morador, destacando a sensação de insegurança que, segundo ele, se intensificou nos últimos meses.
Rita de Cássia rebateu a associação direta entre o serviço e o aumento da criminalidade.
“O bairro Maria Gorete já era considerado um bairro crítico em termos de violência e instabilidade. Não podemos atribuir todo aumento de ocorrências ao Centro. Essas questões existiam antes. O que precisamos é de políticas eficazes de segurança”, defendeu.
Entre os dados apresentados, a equipe do Centro revelou que a maior parte dos atendidos não é de Juazeiro, mas de Petrolina (PE). Em conformidade com a legislação, o equipamento foi instalado em área central. Sem um espaço equivalente na cidade vizinha, muitos usuários atravessam diariamente a ponte em busca de acolhimento.
Para o morador da Elizabeth Safira, o fotógrafo Heitor Rodrigues, autor do fotolivro [às] Margens do Olhar (AMO), que retrata histórias de pessoas atendidas pelo Centro, o espaço representa uma chance de ressignificação: “Vejo transformação. Essa visibilidade desconstrói estigmas”, afirmou.
Railane Delmondes reforçou o peso histórico do preconceito que recai sobre essa população: “Existe uma marginalização histórica. Muitas pessoas são invisíveis para a sociedade. Já houve trabalhador demitido quando o patrão soube que estava acolhido aqui”, relatou. Ela acrescentou que a falta de oportunidades formais e a dificuldade de fomentar o empreendedorismo dentro da comunidade agravam a exclusão social.
O histórico do serviço mostra que a resistência da vizinhança se repete em todos os endereços que o equipamento social foi instalado. O Centro POP, que já funcionou no bairro Country Clube e na Rua Visconde do Rio Branco, centro da cidade, também enfrentou rejeição, quando parte dos moradores reclamavam do aumento da violência. A repetição desse padrão expõe uma tensão estrutural entre equipamentos sociais e vizinhança, que a administração municipal promete tentar reduzir.
Ao final do encontro, o secretário Igor Luiz se comprometeu a avaliar ajustes para melhorar a convivência, entre eles o reforço da iluminação, policiamento ostensivo e a criação de fóruns permanentes de diálogo entre o Centro POP e os moradores de Maria Gorete.
Redação PNB



