O Restaurante Popular do centro de Juazeiro, Norte da Bahia, foi fechado pela gestão Suzana Ramos, sob promessa de reforma, o que não se concretizou até o momento.
Enquanto isso, a cena na Rua Barão do Cotegipe se repete diariamente: pessoas em situação de vulnerabilidade ocupam o espaço da calçada, à espera da única refeição do dia, sem qualquer condição mínima de acolhimento ou dignidade. Para muitos, comer sentado no chão, dividindo espaço com lixo, baratas e o cheiro forte vindo do entorno, virou rotina.
Com o prédio desativado, as marmitas são entregues diariamente na rua, sem a mínima estrutura. Por volta das 12h50, um ônibus estaciona em frente ao prédio antigo, de fachada pálida, janelas quebradas e empoeiradas, algumas com os vidros estilhaçados, e portas cerradas por trancas pesadas.
As refeições vêm prontas do restaurante popular do bairro João Paulo II, onde a política pública funciona em um espaço estruturado, com mesas, cadeiras e equipe fixa, e a entrega acontece diretamente na rua. Não há cobertura, não há bancos, não há banheiro.
As pessoas chegam antes do ônibus e formam pequenos grupos encostados nas sombras estreitas dos postes ou sentadas nos degraus de lojas fechadas. O que se vê é silêncio misturado a murmúrios baixos, mãos segurando sacolas plásticas e a expectativa de mais um almoço. A convivência, forçada pela fome e falta de acolhimento, nem sempre é simples. Pequenos conflitos surgem: discussões, xingamentos, empurrões. O clima é de tensão constante, não por escolha, mas pela própria realidade de quem vive na rua, marcada pela vulnerabilidade, pelo cansaço extremo, pela fome, e muitas vezes também pela luta diária contra a dependência química. Cada rosto carrega uma história atravessada por abandono, desigualdade e a urgência de sobreviver.
Joseline Rodrigues, 30 anos, carrega uma sacola colorida com um prato de plástico dentro: “A gente não tem outro lugar. Se tivesse, até pagava um pouquinho pra poder comer dentro. Mas nem isso. Aqui é sem limpeza. Um cheiro forte do lado de lá. A gente fica na calçada mesmo, todo dia”, contou.
O cheiro a que ela se refere vem da lateral do prédio, onde sacos de lixo se acumulam sem recolhimento regular. Um líquido escuro escorre por entre rachaduras do meio-fio. Não há lixeiras e os restos de comida e embalagens acabam no chão. Após a entrega, parte dos beneficiários se senta nos cantos mais limpos que encontram; outros, comem de pé, equilibrando a marmita nas mãos.
Rogerio Pereira, 53 anos, vive em situação de rua e acompanha a distribuição há mais de um ano: “A gente fica esperando e, quando chega, dizem que acabou. Quem não chega cedo, perde. Mas tem dia que a gente chega cedo e ainda assim não dá. Depende do humor, depende de quem tá entregando,” relatou.
A entrega dura poucos minutos. As caixas térmicas são retiradas do ônibus, abertas na calçada, e a distribuição começa. Não há organização formal de fila, nem supervisão.
Procurada por nossa reportagem, em nota, a Prefeitura de Juazeiro, através da Secretaria de Desenvolvimento Social, Diversidade, Igualdade Racial e Combate à Fome/Sedes informou “que a unidade do Restaurante Popular localizada no Centro de Juazeiro vai passar por reforma estrutural para voltar a atender a população juazeirense em situação de vulnerabilidade. O local foi fechado pela gestão passada, com promessa de reforma, o que não aconteceu. Em 2025, a gestão deu início aos trâmites licitatórios para a reforma e modernização do espaço, que será reinaugurado até o mês de agosto deste ano. Em tempo, a unidade segue oferecendo alimentação gratuita através da produção de marmitas realizadas na unidade do João Paulo II. As refeições são distribuídas na unidade do centro como forma de atender e amparar, de forma provisória, os moradores que necessitam do serviço. A distribuição conta com o apoio da Guarda Civil Municipal para garantir a integridade e a segurança, tanto do funcionários, quanto dos usuários”.
Redação PNB




Absurdo isso só em Juazeiro isso acontecer.sao 6 meses de governo eu torço pelo governo mais as coisas básicas o governo tá falhando por conta da equipe que o senhor prefeito colocou pessoas sem experiência em vários setores da prefeitura .o sistema de gestão é o mesmo da gestão passada não tem nada diferente no ponto de organização e capacidade de resolver problemas que podem ser resolvido logo. pelo jeito que vai vai igual a gestão ou até pior. Tamos chegando praticamente perto do primeiro ano de governo e vem 2026 ano de eleições aí Juazeiro como vai ficar? O governo tem tudo estado e governo federal na mão eu torço que as coisas venham acontecer o prefeito tem boa vontade mais sua equipe tá devagar.