Coletivo de artistas de Juazeiro critica Moção de Aplausos concedida pela Câmara de Patrimônio Histórico da Bahia e Conselho Estadual de Cultura; cerimônia aconteceu ontem (8), no CCJG

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Um coletivo de artistas de Juazeiro enviou à nossa redação uma nota criticando uma Moção de Aplausos concedida a algumas pessoas, pela Câmara de Patrimônio Histórico da Bahia e Conselho Estadual de Cultura. A cerimônia de homenagens aconteceu na noite de ontem (8), em cerimônia que ocorreu no Centro de Cultura João Gilberto.

Confira nota:

A moção de aplauso realizada no dia 08 de maio de 2025 Centro de Cultura João Gilberto carece de representatividade e contempla indicações com forte viés pessoal. A ausência de figuras amplamente reconhecidas na cena cultural da cidade demonstra um apagamento de trajetórias e atuações que mantêm viva a produção artística local.

A cultura de Juazeiro não se faz apenas nos palcos oficiais ou sob os holofotes da institucionalidade. Ela pulsa nas vielas, nos bares, nas praças, no campo, nos becos e, sobretudo, nas periferias — onde artistas constroem narrativas, sensibilizam corpos e mantêm acesa a chama da esperança e da transformação social. Por isso, a moção de aplauso realizada no último dia 08 de maio, apesar da aparência nobre, revelou-se uma homenagem esvaziada de representatividade, marcada por critérios personalistas e seletivos.

É inaceitável a ausência de nomes cuja trajetória molda e sustenta o cenário artístico-cultural de Juazeiro com trabalho, coragem e compromisso. Onde estavam Alan Cléber, que transforma bares em palcos vivos com espetáculos semanais? Hertz Félix, Edvaldo Franciolle, Geraldo Pontes, Hugo Anavarto cuja trajetória é símbolo de resistência, formação e reinvenção?

Por que ignorar artistas que movimentam as bases culturais da cidade, como Aryellson e Júnior Dias, que mantêm grupos nas periferias levando arte a jovens em situação de vulnerabilidade? E os tantos outros que seguem resistindo à margem das políticas públicas, sustentando, muitas vezes sozinhos, a cena cultural juazeirense?
A lista de ausências ecoa: Lulinha, P1 Rappers, Raimundinho do Acordeon, Sérgio do Forró, Mateus do Acordeon, Xibiu, Banda Miragem, Carlinhos Tapioca com seu potente BUS’ARTE, João Gilberto Guimarães líder do movimento literário editora Eclae, Elson Campos e sua palhaçaria, Márcio Ângelo figura central do teatro de rua e das lutas por políticas culturais. Faltaram ainda nomes como Elder Ferrari, Ricardo Andrade com o coletivo Abordagem Teatral, Mestre Tartaruga, mulher preta que há mais de três décadas leva a capoeira como instrumento de cultura e cidadania, e Lineker Pereira, artista versátil que transita entre linguagens com rara sensibilidade, os Congos de seu Gouveia e sua forte ancestralidade, onde está a Associação cultural de itamotinga onde a 40 anos faz o maior espetáculo a céu aberto de todo território do São Francisco.

Não reconhecer também o papel de Sibele Fonseca, cuja “janela” midiática oferece visibilidade constante a artistas locais, ou de Adriano Alves, jovem produtor porta voz da TVE que constrói novos caminhos com criatividade e ousadia, é perpetuar o ciclo de invisibilização.

Essa moção de aplauso não representa a cultura de Juazeiro. Ela a silencia. Ignora nomes, trajetórias e histórias que deveriam ser celebradas.

O não reconhecimento dessas atuações, que movimentam diversos territórios culturais da cidade, evidencia uma escolha seletiva que não reflete a diversidade nem o alcance real da produção cultural de Juazeiro (Coletivo de artistas juazeirenses).

Um fazedor de cultura também pontuou: “Não se sabe qual o critério usado pela Câmara de Patrimônio Histórico da Bahia para fazer essas homenagens. Os currículos são avaliados? Como se chega ao mérito artístico da pessoa homenageada? A Câmara vem a Juazeiro fazer uma Moção de Aplauso, em vez de  discutir as pautas que são urgentes para Juazeiro, como a questão do patrimônio material e imaterial do município, a exemplo do Coreto, do paço, do Samba de Velho, Penitentes, temas que precisam ser debatidos. Algumas figuras, de fato, merecem, mas outros nomes não representam a classe”.

Redação PNB

 

 

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