Após diversas denúncias de funcionários, SindiSaúde realiza manifestação em frente ao Hospital Regional de Juazeiro: “Combate a assédios, atraso de pagamentos e o fim da sobrecarga de trabalho”

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O Sindicato dos Trabalhadores em Santas Casas, Entidades Filantrópicas, Beneficentes, Religiosas e Estabelecimentos de Serviços de Saúde do Estado da Bahia (SindiSaúde) está realizando neste momento uma manifestação com caráter de assembleia na frente do Hospital Regional de Juazeiro. Administrado pela OSID-Obras Sociais Irmã Dulce, o HRJ é alvo de constantes denúncias por parte dos funcionários e também de usuários que apontam diversos problemas no atendimento da instituição hospitalar.

Além da precariedade no atendimento aos usuários, os funcionários denunciam, recorrentemente, assédio moral, falta de assistência, falta de fluxo e protocolo e sobrecarga de trabalho. Além disso, eles acusam a direção geral e de enfermagem de perseguição, intimidação e de promoverem um ambiente hostil de trabalho.

“Os atrasos salariais são constantes, assim como o assédio aos funcionários que estão sobrecarregados e isso prejudica o atendimento à população. São 4 médicos clínicos e 3 cirúrgicos, porém a cirurgia não fica no setor e o clínico acaba abraçando especialidades que são, em via de regra, cirúrgicas. A constante superlotação do serviço abre margem a reclamações e tempo de espera prolongado, bem como não há condições nem de alocação para tomar medicamentos e nem para internamento”, revelaram profissionais aos PNB.

Conforme o SindiSaúde, a mobilização faz parte da Campanha Salarial 2025/2026 e tem como objetivo cobrar avanços nas negociações coletivas de trabalho. Entre as principais pautas estão o pagamento do complemento do piso da enfermagem, o combate a assédios dentro da unidade e o fim da sobrecarga de trabalho, situação que tem sido denunciada por trabalhadores da saúde em todo o estado.

Com o lema “Chega de enriquecer os patrões!”, a campanha reivindica salário digno, respeito aos direitos e valorização profissional imediata.

Reclamações

Profissionais enfermagem que atuam no Hospital Regional de Juazeiro, no Norte da Bahia, continuam reclamando das condições de trabalho na unidade hospitalar. Os relatos apontam sobrecarga de trabalho, escalas abusivas e descontos indevidos.

“Fazemos nosso papel com excelência, mesmo cansados, afinal a vida da enfermagem não é fácil. Muitos precisam ter pelo menos 2 a 3 vínculos e ainda enfrentamos a sobrecarga do hospital Regional, principalmente na escala da noite. Quem está nos plantões noturnos e deveria trabalhar em uma escola 12/60, também está sendo colocado para gente dar plantão durante o dia. Com isso, muitos profissionais chegam a trabalhar quase 3 dias seguidos: noite, dia seguinte e noite seguinte. Além disso, ainda há os descontos abusivos na nossa folha de pagamento e a constante mudança de setor. Passamos 1 mês em cada setor, ou seja, mal pegamos rotina de um, já nos enviam para outro para cobrir escala desfalcada”, desabafa uma profissional, que pediu anonimato por medo de retaliações.

Os profissionais relatam ainda que estão trabalhando em um ambiente tóxico alimentado pelo medo e pela insegurança.

Diariamente somos perseguidos e intimados por chefes que deveriam ser líderes. Mandar, amedrontar e fazer ameaças é muito fácil, o difícil é liderar e, principalmente, ser exemplo. Recentemente saiu a notícia de um(a) coordenador(a) que tinha mais de 70 denúncias. Foi afastado(a) e depois reintegrado(a). Agora temos outro caso: uma coordenadora que está colocando a saúde psicológica dos profissionais em risco. É conhecida no setor como ‘General’. A coordenação da UTI 1 e 3 tem dado medo e insegurança para quem trabalha lá. Não temos a quem recorrer” acrescenta outra profissional, que também não quis se identificar.

 

Redação PNB 

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