“Assim como a Saúde de Juazeiro, nós também estamos em calamidade financeira”, afirma direção da Pró-Matre; funcionários cobram salários em atraso, usuários SUS pedem retorno dos serviços

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Trabalhadores do Hospital Pró-Matre de Juazeiro procuraram o PNB para reclamar de atraso nos pagamentos de meses de trabalho. Eles questionam a direção da entidade o motivo pelo qual as obrigações trabalhistas não vem sendo cumpridas.

“Nós, profissionais da enfermagem da Pró-Matre de Juazeiro estamos sem receber salário há 10 meses e não recebemos o piso. Somente alguns escolhidos pela direção receberam  o décimo. O piso vem destinado ao profissional da saúde com o cadastro do Coren e não nos repassam. Já não sabemos mais o que fazer,” esse foi um desabafo enviado à nossa redação por um profissional da instituição.

“A direção precisa nos passar a real situação do hospital, pois está difícil trabalharmos sem nossas remunerações”, observou outra funcionária.

Usuários também questionam a suspensão dos serviços de urgência e emergência 24 horas, medida adotada pela direção da instituição no dia 19 de dezembro passado, alegando “grave crise financeira”. A unidade hospitalar manteve apenas o atendimento aos pacientes regulados pela rede PEBA.

“Tenho problemas de coração e pressão alta e era de costume quando eu tinha qualquer crise ir direto à Pró-Matre e eu era atendida, fosse de dia ou de madrugada. Semana passada bati na porta da unidade com muita falta de ar e só aí soube que não estava mais atendendo aos pacientes do SUS,” relatou uma usuária.

Procurada pelo PNB, a direção da Pro-Matre enviou uma nota relatando as dificuldades financeiras que vem atravessando nos últimos anos.

Confira:

O Hospital Pró-Matre de Juazeiro, que há 72 anos vem prestando uma grande contribuição à saúde do Vale do São Francisco, especialmente à comunidade de Juazeiro, vem a público declarar o estrangulamento financeiro que tem atravessado nos últimos anos, com consequências nefastas à sua saúde financeira, o que tem afetado, sobremaneira, os nossos colaboradores e os serviços ofertados por nossa instituição. Recentemente, fomos obrigados a suspender os serviços de urgência e emergência, atendimentos que, ao longo dos anos, a população contava durante as 24 horas, por não termos mais condições de manter a unidade hospitalar em pleno funcionamento.

Governos anteriores, que fecharam outras tradicionais casas de saúde de Juazeiro, foram igualmente perversos com nossa instituição e com a população do município, sobretudo com aqueles que mais carecem da saúde pública, mas nos mantivemos erguidos e, resistentes, sobrevivemos. Inclusive, investimos para que a Pró- Matre se transformasse em referência na cardiologia.

A última gestão, ignorando a importância desta tradicional instituição de saúde, e em total desrespeito à população juazeirense, assim que assumiu, adotou uma postura de retaliação e perseguição, o que agravou ainda mais a situação financeira do hospital.

De início, em 2022, cancelou um contrato que dava suporte aos atendimentos de urgência e emergência, contrato esse que vigeu por 18 anos, entre 2003 e 2021.

Como se não bastasse, adotou como regra atrasar os repasses oriundos do Ministério da Saúde, nos impedindo de honrar com nossos compromissos trabalhistas e gerando bloqueios nas contas da instituição. Por conta disso, não conseguimos repassar o Auxílio do Piso de Enfermagem integralmente, devido a estes bloqueios nas contas correntes da Promatre, por ações trabalhistas nos dois últimos repasses, fruto dos comprovados atrasos por parte da Secretaria Municipal de Saúde. Notadamente, uma irregularidade considerada como desvio de finalidade, já que o Ministério da Saúde repassa os recursos para custeio de média e alta complexidade (MAC). A Sesau, regularmente, desviava estes recursos  para outros fins e nem sempre os tornavam disponíveis no Portal da Transparência.

Situação flagrante durante a ex-gestão foi o favorecimento a outras instituições, a exemplo do Ingesp/Hospital São Lucas que recorrentemente recebia pagamentos em duplicidade por serviços não prestados, mesmo não fazendo parte da Rede PEBA, nem disponibilizando médicos de plantão em Urgência 24 horas para clínica médica e também sem atender a pacientes da CRIL ou do SAMU. A Secretaria de Saúde de Juazeiro sequer respeitou as portarias do Ministério da Saúde que determinam que estes recursos não podem ser destinados a Hospitais e Clínicas que não possuam o Certificado de Entidade Beneficente de Assistência à Saúde (CEBAS), atropelando a legislação para beneficiar uma instituição que não oferece estrutura e condições mínimas de prestar os serviços à população.

Castigando o Hospital Pró-Matre, a administração Suzana Ramos também atingiu em cheio a SAÚDE do município, que hoje encontra-se em situação de calamidade, afetou a continuidade da prestação dos serviços desta instituição, abalou sua musculatura financeira e o que é ainda mais grave: atingiu dezenas de trabalhadores que há anos atuam no hospital e hoje cobram seus direitos, pois também passam por dificuldades para sustentar suas famílias.

Em tempo, informamos que a Secretaria de Saúde de Juazeiro realizou o repasse somente da metade do mês de outubro, ou seja, estamos arcando com a custosa manutenção do hospital, que sobrevive da sofrível tabela SUS, com recursos de outras fontes e a duras penas.

Diante deste quadro grave, a direção do hospital avalia dois caminhos: Ou fecha suas portas ou, como todo juazeirense, agarra-se a esperança e continua na resistência, na expectativa de que o novo governo municipal reerga a saúde de Juazeiro e, neste contexto, reconheça a importância da Pró-Matre como uma instituição que sempre acolheu pacientes de todas as classes sociais com a mesma atenção e cuidado.

A fatídica era Suzana Ramos se despediu, desonrosamente, no ano passado, e agora, respirando um novo tempo, esperamos que findem as perseguições, os favorecimentos a apadrinhados oportunistas e que a Lei e a Justiça prevaleçam.

Nos solidarizamos com cada colaborador que, mesmo sofrendo essas consequências, continuam conosco, pois eles são sabedores de que a instituição sempre honrou com seus compromissos. Declaramos ainda que, não descansaremos um só momento, em busca de meios para que a curto e médio prazo possamos resolver todas as pendências com cada profissional que se dedica aos nossos pacientes.

A Pró-Matre é uma família, é da família juazeirense e sairá forte e unida desta grave crise.

Pedro Borges Filho

Redação PNB

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