O Professor do Colégio Estadual de Tempo Integral Rui Barbosa, em Juazeiro, Rosivaldo Souza, membro representante dos professores do colegiado, enviou à nossa redação uma carta aberta à comunidade fazendo algumas considerações sobre o episódio ocorrido com um aluno da instituição, cuja família acusou um funcionário e a direção de constranger e hostilizar o estudante.
Confira:
Carta Aberta à Comunidade
“Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”. Essa frase do poeta português Camões ajuda a iluminar os novos tempos em que vivemos: advento das tecnologias da informação e comunicação, e, com elas, as redes sociais (ou antissociais); aumento da intolerância e do discurso de ódio; ideias extremadas; crises climáticas, enfim. E no meio desse redemoinho (“tudo em todo o lugar ao mesmo tempo”), está a escola, seja pública ou privada, vivendo desafios em seu cotidiano antes inimagináveis: indisciplina, vício em telas, violência, adoecimento psíquico. De fato, os tempos são outros, logo, são outros sujeitos e outras realidades biopsicossociais. Não se trata aqui de defender um passado (“no meu tempo não era assim”) em movimento de nostalgia. Educação é sobre o presente, pois as sementes já foram plantadas e precisam ser regadas e cuidadas por todos – vale frisar – por todos (Estado, família e toda a sociedade, segundo o art. 205, da Carta Magna e o art. 2º, da LDB).
A partir dessa contextualização, precisamos refletir sobre uma questão central: qual o papel da escola nos dias atuais? Em tese, escolarizar, tendo como referência as matrizes curriculares que, por sua vez, são pensadas levando-se em conta o educando em suas competências e habilidades, preparando-os para o mundo do trabalho, o exercício da cidadania e sua formação intelectual. Todos os documentos legais caminham nesse sentido: formação crítica, práticas sociais, trabalho e cidadania. Isso se justifica pelo papel socializador que a escola assume. Assim sendo, estabelecer limites e regras de conduta, amparadas por práticas sociais, tais como respeito, empatia e cuidado mútuo, não deveria ser razão de discordância e espanto. Em síntese, ensinar é estabelecer limites. Será que sozinha a escola consegue isso? Acreditamos que não, pois o processo educacional é contínuo, ocorre antes, na socialização familiar, durante, no ambiente escolar, e após, nas práticas sociais, especialmente na dimensão do trabalho e da política. Então, por que condenar a escola, quando esta impõe limites aos seus alunos? Qual o problema em evitar o uso do celular no ambiente escolar, quando há cartazes orientando nesse sentido em toda a escola? Quão grave é o ato de pedir a um aluno que recolha seu prato e copo do refeitório e leve-os ao balcão, considerando que outros alunos irão utilizar o mesmo espaço, de modo rotativo? Não devemos ensinar a nossos filhos a saberem viver em comunidade? É humilhante prezar pelo coletivo e pela higiene? Por essas inquietações, esta carta aberta precisa ser publicada e lida. Mas, para isso, é fundamental o relato do ocorrido, na última terça-feira (23/09), no refeitório deste estabelecimento de ensino: o funcionário solicitou, por duas vezes, para que o estudante recolhesse as sobras de comida do prato e o levasse ao balcão; o aluno se recusou; a vice-diretora interviu, sem sucesso; por fim, a diretora foi acionada, momento em que o aluno, rudemente, recusou-se novamente. Curiosamente, episódio foi filmado em um ambiente no qual o uso do celular só é permitido para fins pedagógicos.
Ao matricular um filho em uma instituição de ensino, seus responsáveis legais transferem os cuidados para a escola, mas isso não significa que os pais não continuam responsáveis pela educação de seus filhos, ou seja, escola e família são, de fato, solidários, no processo educacional das crianças e adolescentes. Quando a escola repreende um comportamento inapropriado de um estudante, não significa necessariamente que é uma humilhação; ao contrário, é um gesto de cuidado e aprendizagem. Às vezes, pode ocorrer alteração de tom de voz, gestos mais enérgicos, o que demonstra atitude humana. Não há perfeição na maioria das ações humanas, pois ser humana é trabalhar no campo das imperfeições. Isso não significa dizer que abusos não devam ser coibidos. Mas voltemos ao início de tudo: repreender um aluno em sala por estar conversando e atrapalhando a aula de um professor é humilhante ao educando? Precisa ser uma repreensão necessariamente em tom cordial e baixo? O problema está no tom de voz ou no comportamento? Há um protocolo em todas as escolas destinadas a todos os professores sobre qual a melhor forma de impor limites no cotidiano escolar? Como reagir a situações como bullying, violência nas escolas de um modo geral? E as regras escolares não devem ser cumpridas? Ser firme é humilhar? E realizar tarefas como recolher um prato, recolher o lixo do chão, organizar a sala, por exemplo, é humilhar um aluno ou oferecer a este um senso de realidade no exercício do conviver?
Sobre o episódio ocorrido com aluno no refeitório, é oportuno destacar que o recolhimento do prato, talheres e copos, é uma orientação explícita da escola, como fundamental ao uso desse espaço coletivo. Todos os estudantes, professores e funcionários praticam tal conduta, ao final das refeições. Afinal de contas, aos que fazem refeições em shoppings, também não recolhem, sem isso configurar humilhação? Pois bem, reforçamos que conviver é viver com o outro, em um exercício ético necessário ao bem comum.
Ante o exposto, nós, pertencentes à comunidade escolar dessa Instituição de Ensino Complexo Integrado de Educação Básica, Profissional e Tecnológica Da Bahia – CIEB Rui Barbosa -, cientes de nosso compromisso com a formação integral do educando, reforçamos o papel dessa escola na história desta Região. Fundada em 1953, tendo mais de 70 anos de existência, atualmente com aproximadamente 45 professores, entre efetivos e contratados, prestadores de serviços (limpeza, segurança, cozinha), bem como mais de 30 funcionários de secretaria e auxiliares, e ainda, pelo alto desempenho na nota IDEB, superando todas metas estabelecidas pelo MEC. Esses resultados atestam a qualidade do corpo docente, gestores, funcionários e, claro, corpo discente. Isso porque a escola é pensada de modo coletivo (vale repetir que a educação é um compromisso de todos).
Nos últimos anos, temos incorporado práticas inovadoras, desenvolvido parcerias e oferecido aos nossos alunos oportunidades de crescimento em diversos campos. Aqui ofertamos cursos, minicursos e oficinas como os de Introdução ao Direito, Inteligência Artificial, Pilotagem de Drones, Design em Canva, Jogos Matemáticos, Linguagens Artísticas, dentre outros. Além disso, somos uma unidade que oferece aulões preparatórios semanais para o Enem e que, em 2024, destacou-se pelo alto número de aprovações nas universidades da região.
Encerramos esta carta com esse pensamento do patrono da educação brasileira, o intelectual Paulo Freire: “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo”. Nesse sentido, tudo nos oportuniza aprendizagem, já que estamos nos educando mutuamente mediados pelo mundo do agora, com valores, por vezes conflitantes, como viver a coletividade ou estimular o individualismo. Não há aprendizagem sem disciplina. Não há ordem no caos. Se, por vezes, gritamos é em um exercício desesperado para sermos ouvidos. Esperamos que a justiça seja reestabelecida à imagem dessa escola. Denúncias devem ser apuradas. Isso é do Estado Democrático de Direito. Mas, voltemos à razão inicial desse documento: qual o nosso papel enquanto sociedade na educação desses jovens? Ter coragem para dizer “não” à indisciplina ou se acovardar e dizer “sim” ao absurdo? Sinceramente, acreditamos que somente pelo diálogo é possível a solução de conflitos. Por essa razão, a escola Rui Barbosa está aberta a sugestões e reflexões, considerando que todos, em maior ou menos medida, estão ainda aprendendo.
Redação PNB




Se um filho meu chegasse em casa relatando uma situação dessas, ele seria promovido a lavar a louça do jantar todos os dias.
Não sei como é na casa desse garoto de 12 anos, mas os pais precisam delegar funções aos filhos em casa para não ter que passar pela vergonha de estar criando filhos preguiçosos e desrespeitosos.
Se não disciplinar, mesmo aos gritos, eles colocarão fogo na escola.
Geralmente levamos para outros ambientes o que praticamos diariamente em casa!
Sendo filho meu, seria obrigado a pedir desculpas! Por isso que o Brasil está essa porcaria. Atualmente, só queremos saber dos “nossos direitos”, deveres ninguém quer saber.
Concordo, os filhos de hoje são os pais de amanhã, professores são mestres.
Parabéns a todos que fazem parte desta instituição. Como é triste saber o quanto os pais se perderam no educar, em limitar os seus filhos.
Muito bem escrita, pertinente, coerente e deveria ser aplaudida de pé, por todos que fazemos parte da educação, afinal de contas, esse tipo de comportamento perpassa as instalações da referida escola, se repetindo com frequência e de maneira pontual em tantas outras instituições de ensino.
As famílias estão se perdendo, os papéis da educação, formação, ético, de respeito e valores familiares estão sendo engolidos cada dia mais por padrões negativos, falta de pulso, omissão, falta de diálogo e bons exemplos, infelizmente!
Máximo respeito ao trabalho realizado por Lucimone, Sheila e toda equipe docente do Colégio Rui Barbosa. Tenho acompanhado de perto o excelente trabalho realizado por toda equipe. Escola é local de aprendizado e respeito. Parabéns!
É por essas e outras que o mundo está tão violento…pai que mata filho,filhos que matam pais e por aí vai.
Falta de limites
Os pais não querem mais ter trabalho em educar ,colocam a responsabilidade toda na escola.Fim dos tempos
Como sempre, os pais de filhos assim passam a mão na cabeça e condenam a escola.
Todos, todos os meus colegas que eram assim, escolheram caminhos obscuros e hoje os pais sofrem, virou rotina não educar os filhos e culpar a escola por fazer o papel que deveria ser dos pais.
Infelizmente está difícil . Aconteceu um episódio comigo muito chato por sinal, cheguei para dar aula e a conversa não parava, resolver mexer nos lugares,trocar os alunos de lugares, detalhe era uma de 7 ano. Assim,fiz mudei alguns alunos, principalmente aqueles que gostam de atrapalhar a aula com conversas, não gritei, não maltratei, não fui grossa, apenas falei que iria modificar os lugares e assim fiz. Perguntaram-me o motivo e eu expliquei que precisava dar um conteúdo, pois já estava cansada de tentar sem êxito. Então, no mesmo dia uma mãe ligou para a escola querendo saber o porquê eu mudei a filha de lugar, pois a filha não estava conversando. Expliquei a coordenação que modifiquei vários alunos e não só aquela aluna. Resultado a mãe falou a coordenação que isso era constrangimento e iria procurar o conselho tutelar para mim e para escola. Então, falei a coordenação diga a ela que vá, pois temos a gravação das câmeras da sala e em momento algum eu causei constrangimento a nenhum aluno. Estou esperando ela ir …
Infelizmente esses acontecimentos fazem parte da agenda progressista, que está em curso no mundo, a formação de pessoas débeis, que todos devem se submeter as vontades delas, criando assim um ciclo vicioso de ódio entre as pessoas, alunos contra educadores, filhos contra pais, pobre contra rico, patrão contra empregado, formando assim uma sociedade dividida, com isso ficando mais fácil o projeto de dominação autoritário, onde uma elite ditadora vai escravizar toda sociedade.
Aluno mal-educado retrata, geralmente, a má-educação dos Genitores…Se um comportamento desta natureza não é compreendido pelos País, então, esta mau comportamento recebendo acolhida por parte dos familiares, a continuar neste rumo, certamente o colocará no rumo de se tornar um Adulto desajustado, sem noção de limites!