Desrespeitado em vida e em morte: Prefeitura de Juazeiro cancela, de última hora, lançamento do livro sobre Edésio Santos, marcado para a noite de ontem (11), gerando frustração e constrangimento para autores e público

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A noite de quinta-feira (11), era para ser memorável para os jornalistas Edésio César e Edilane Ferreira, autores do livro-reportagem “Lento Caminhar: histórias e canções de Edésio Santos”, que traz dados biográficos, narra episódios da vida do conhecido músico juazeirense, sua participação nos festivais de música do município, a amizade com João Gilberto, a atuação nos antigos carnavais e sua contribuição para o futebol juazeirense.

No entanto, ao chegarem ao Centro de Cultura João Gilberto, em Juazeiro, escritores e público, foram surpreendidos com a informação de que o lançamento do livro histórico tinha sido cancelado, sem qualquer aviso prévio.

A decepção e o constrangimento marcaram o momento para os jovens escritores que passaram 12 anos esperando para lançar a obra, fruto do Trabalho de Conclusão do Curso de Jornalismo em Multimeios, pela Universidade do Estado da Bahia (UNEB), defendido em 2012 e orientado pela professora Renata Freitas. O livro somente foi editado após o incentivo da Lei Paulo Gustavo, do Ministério da Cultura.

A Prefeitura de Juazeiro, através da Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes, criou um festival para celebrar o aniversário de 146 anos da cidade, reunindo as obras contempladas no edital do Governo Federal, utilizando o espaço cultural do Governo do Estado, sem se preocupar com a organização do evento, apropriando-se dos trabalhos dos fazedores de cultura selecionados no certame do Governo Federal.

“No improviso”, como avaliou o jornalista Raphael Leal, que participou de duas noites do festival.

“Oportunismo”, como classificou o presidente do Conselho Municipal de Cultura, João Leopoldo.

O improviso se confirmou mesmo na noite de ontem. Apesar de ter confirmado a data de lançamento para o dia 11 de julho, às 20 horas, e ter divulgado o evento nos meios de comunicação, a jornalista e escritora Edilane Ferreira foi informada por Edvaldo Franciole, preposto da gestão municipal, na hora marcada para acontecer, que estava cancelado.

Um desrespeito aos jovens escritores, ao público que compareceu para prestigiar a iniciativa dos jornalistas, ao homenageado Edésio Santos e sua família e a Juazeiro nos seus 146 anos.

Não houve o menor acolhimento aos escritores, não houve noite de autógrafos, e o que restou foi a frustração para quem se dedicou a uma pesquisa apurada, com a intenção de presentear Juazeiro com um livro de memórias.

“Este livro merecia um momento de destaque na programação de aniversário de Juazeiro”, observou a professora Odomaria Bandeira, presente na noite constrangedora.

Para amenizar a frustração, escritores e convidados ocuparam uma sala do centro cultural e ali mesmo, por conta própria, “lançaram” o livro de forma improvisada. Foi o jeito!

Desrespeitado em vida e em morte, Edésio Santos, que partiu aos 66 anos sem realizar a gravação de um CD com as suas composições, garantido pela gestão municipal da época, precisava ser minimamente honrado.

Em um momento “relâmpago”, o livro sobre sua contribuição à Juazeiro, foi lançado pela empatia de quem saiu de casa para prestigiar o músico, os autores do livro e a Juazeiro, esta terra massacrada por gestores que não a levam a sério. Sequer conhecem seus vultos, sua história e sua cultura.

Lamentável! Revoltante!

Em tempo, registro aqui que o livro “Lento Caminhar” venceu o Prêmio Expocom 2013 (realizado pelo Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação – Intercom), na categoria livro-reportagem, tanto no âmbito regional quanto nacional.

Redação PNB, por Sibelle Fonseca

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