“Meu menino era direito, um trabalhador”, desabafa mãe do motorista de aplicativo Diego Monteiro; familiares contestam versão dada por um dos acusados que liga a vítima ao tráfico de drogas

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Em busca de Justiça para a morte brutal do jovem Diego de Araújo Monteiro, 24 anos, assassinado enquanto trabalhava, na noite do último dia 12 de março, em Juazeiro, no Norte da Bahia, familiares da vítima contestam a suposta motivação do crime, apresentada por um dos acusados.

De acordo com o titular da Delegacia de Homicídios do município, Thiago Pessoa, o suspeito, de 19 anos, se apresentou junto com um advogado e confessou a participação no crime. Em depoimento, ele teria afirmado que seu comparsa, também de 19 anos, teria se desentendido com a vítima, que era motorista de aplicativo, durante uma viagem, em razão de uma suposta dívida de drogas.

Porém, de acordo com os familiares de Diego, o jovem nunca foi usuário de drogas e muito menos tinha dívida com traficantes.

“Um rapaz trabalhador, vítima de um crime tão brutal, está com a imagem sendo maculada. Sim, porque Diego não devia drogas a ninguém. O assassino falou o que quis e está solto, enquanto a família espera por resposta”, escreveu uma prima do jovem nas redes sociais.

A prima de Diego afirma ainda que a família de Diego não está satisfeita com o trabalho que vem sendo realizado pela Polícia Civil.

“Sou prima e falo em nome de toda a família que está desolada e indignada com o rumo das investigações. Diego era um trabalhador, que teve sua vida roubada, sem sequer ter o direito de ser velado. O delegado divulgou uma nota (sobre a confissão de um dos acusados), sendo que nem tinha entrado em contato com a família”, criticou.

Em conversa com o PNB, a tia de Diego, Laíde, também falou sobre o momento difícil que a família está passando.

“Estamos muito abalados com a perca dele. Sabemos que ele não volta mais, mas também a gente ficou mais triste ainda com o que esse indivíduo falou dele. Além de ter tirado a vida dele, ainda levantou um falso testemunho. A imagem que a gente tem dele é de uma pessoa amiga, conselheira. Ele era um menino ‘cabeça’, um menino ótimo. Era para polícia ter se informado mais, ter pesquisado para saber se realmente isso acontecia e não ter divulgado o que foi divulgado. A gente pede que a justiça seja feita. Ele é uma pessoa que merece que a justiça seja feita. A gente espera que essas pessoas paguem pelo o que fizeram, dentro da Lei. Foi uma crueldade sem tamanho. Além de tirar a vida dele, atearam fogo no corpo. Ele não era um bandido, não era um uma pessoa que vivia prejudicando ninguém e nem fazendo mal, e teve sua vida tirada dessa forma. A gente não se conforma”, disse a tia de Diego.

Nossa equipe também conversou com a mãe de Diego, Cícera Freitas de Araújo.

“Estou aqui para dizer a pessoa maravilhosa que Diego era para mim, a mãe dele. Nós dois só vivíamos juntos. Nunca vi meu filho com certas coisas. Meu filho começou a trabalhar ainda na adolescência. Trabalhava comigo e depois começou a trabalhar como motorista de aplicativo. Ele era uma pessoa maravilhosa, que eu nunca mais vou esquecer. Não sei porque esses rapazes tiraram a vida do meu filho. Eles arrancaram um pedaço de mim. Estou sofrendo muito. Meu filho nunca foi usuário de droga. Ele sempre me falava: ‘Mãe, eu vejo colegas meus usando, mas eu nuca vou usar. Não gosto dessas ‘coisas’. Ai vem esse cara dizer que meu filho estava devendo droga? Não aceito que ninguém fale isso. Meu menino era direito, um trabalhador. Um filho maravilhoso, que toda mãe gostaria de ter”, desabafou a mãe da vítima.

Ao PNB, o delegado esclareceu que o acusado que confessou participação no crime, não foi preso antes, pois não havia, ainda, provas robustas que o colocasse na cena do crime, bem como identificação do segundo autor. A partir desse interrogatório foi que a polícia conseguiu identificar o segundo autor e coletar novas provas para viabilizar um pedido de prisão preventiva dos mesmos.

O pedido foi feito na sexta-feira (25), com representação ao Ministério Público Estadual, e a Polícia Civil aguarda agora a decisão do Poder Judiciário para realizar a prisão do acusado.

Thiago Pessoa esclareceu ainda que manteve um diálogo aberto com os familiares de Diego, e que um deles esteve na Delegacia de Homicídios de Juazeiro e foi informado sobre a elucidação.

“A versão sobre a dívida foi dada pelo investigado que se apresentou. Os autores estão identificados e temos provas robustas da autoria. A motivação, como disse, foi dada por um dos investigados, entretanto estamos atentos a novos elementos de informação que porventura venham a surgir. O trabalho investigativo foi feito, e com êxito. Estamos aguardando uma decisão do Poder Judiciário para então podermos empreender diligências para cumprirmos eventuais mandados de prisão”.

O segundo homem envolvido no caso ainda não foi localizado e os dois deverão ser indiciados por homicídio qualificado, segundo o Delegado Thiago Pessoa.

Entenda o caso

O corpo de Diego Monteiro foi encontrado em um veículo GM Prisma no bairro Quidé, em Juazeiro, na manhã do último dia (13).

Segundo informações do Delegado, durante as investigações, foi constatado que dois indivíduos agiram em comum acordo para assassinar a vítima. Os suspeitos foram identificados, sendo dois jovens de 19 anos, tendo um deles solicitado uma corrida para a vítima, que supostamente era do seu ciclo de amizade.

Um dos acusado contou que segurou a vítima para que o outro desferisse golpes de arma branca em Diego, que foi a óbito ainda no veículo. Após o assassinato, os autores do homicídio decidiram atear fogo no veículo com a vítima em seu interior.

Da Redação PNB

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