As mães de dois jovens assassinados entre os meses de janeiro e março de 2021, no município de Juazeiro, no Norte da Bahia, participaram na última sexta-feira (14) do programa Preto no Branco, transmitido na rádio Transrio 99 FM, para novamente pedir justiça para os crimes, e cobrar a prisão dos envolvidos, principalmente da pessoa apontada como mandante dos assassinatos.
De acordo com Gilvânia e Rafaela Castro, as investigações da Polícia Civil apontaram que um homem identificado como Manoel Luiz dos Santos Neto mandou assassinar os jovens Clésio Alves, e Pedro Henrique, que na época dos crimes tinham apenas 23 e 21 anos, respectivamente. O acusado é filho do vereador Amadeus (PP) e até o momento não foi preso.
Clésio foi assassinado no dia 16 de janeiro, no bairro Tabuleiro. Já Pedro, estava na residência da namorada quando foi morto na tarde do dia 14 de março.
“Hoje é um dia triste para mim, pois meu filho faria 24 anos. E depois de amanhã fará 1 ano que estou sem ele e os culpados continuam soltos, estão impunes. Meu filho foi assassinado por um adolescente, a mando do filho de Amadeus, o Manuel. Na época, o acusado chegou a ser preso, mas foi solto 54 dias depois. A Polícia tem todas as provas, inclusive áudios onde o suspeito assumia que mandou matar meu filho. O Manuel foi denunciado pelo promotor e o processo está parado na vara do júri, no fórum”, declarou.
Gilvania reclamou ainda que os suspeitos do crime estão sendo ouvidos pelo Ministério Público como testemunhas da vítima e não como acusados.
“É triste sentir esse ar de impunidade. Eu vejo os acusados virarem testemunha. Eu que sou a mãe, fui ouvida como testemunha apenas na delegacia. Já tiveram audiências online e eu não fui chamada, nem ouvida. O Promotor Raimundo Moinhos me disse que eu estou apenas como declarante, mas fui eu que descobri tudo e abri uma investigação por minha conta. A polícia estava longe de descobrir, tudo que eu descobri. A própria Polícia Civil disse que se não tivesse sido eu, não teriam descoberto o mandante. Então é mais que justo me chamarem como testemunha para eu falar o que eu tenho para falar”, acrescentou.
A mãe de Clésio finalizou cobrando justiça para o filho.
“Meu filho não era bandido. Meu filho era um menino do olhar meigo, triste. Eles iludiram o meu filho e acabaram tirando a vida dele. Eles pegaram muito dinheiro emprestado do meu filho e mataram ele para roubar. O único erro do meu filho foi ter amizade com essas pessoas. Mas eu vou seguir nessa luta. Eu não vou desistir. O mandante do crime é acusado de vários crime e continua solto na sociedade e eu aqui presa, com a minha dor. Sabemos das mortes de vários jovens aqui em Juazeiro e as mães se calaram por medo. Mas eu e Rafaela não temos medo, nós precisamos de respostas”, concluiu.
Também durante a entrevista, Rafaela Castro, mãe do jovem Pedro Henrique, relatou que mesmo após 10 meses do crime, o inquérito do caso ainda não foi concluído.
“Todas as vezes que eu vou na delegacia eu volto pior. A delegacia está sucateada. Lá a gente não encontra sequer um copo para beber água no local. Além disso, tem apenas um delegado de homicídios para atender a todo o município de Juazeiro. A mesa dele está sempre cheia e ele diz que não consegue dar conta de todos os casos e a equipe dele é reduzida. Mas eu não tenho culpa se o estado não tem estrutura. Eu sou uma mãe que luto por justiça e a minha dor é imensa. Já procurei o Promotor de Justiça, mas todos só me pedem para ter mais paciência. Essa impunidade me maltrata. Como essas pessoas que tiraram a vida do meu filho continuam impunes? Meu filho era um jovem cheio de sonhos e com a vida toda pela frente. Ele caiu em uma emboscada, pois estava em casa, foi chamado para ir a casa da namorada, e lá foi assassinado pelo cunhado, um adolescente, a mando do filho do vereador de Juazeiro. Me arrisquei tanto para ajudar nas investigações e me arrisco até hoje. Já dei tantas provas e nada. Até hoje, dez meses depois, o inquérito nunca foi concluído. Em setembro eu denunciei uma pessoa que estava me ameaçando, mas até hoje essa pessoa nem foi indiciada. Estou presa em casa, sem poder sair, enquanto os assassinos do meu filho continuam livres”, criticou.
A mãe de Pedro Henrique também reforçou que não irá parar de lutar para que os acusados pelo assassinato do filho sejam presos e paguem pelo crime.
“O meu filho era um jovem de 21 anos, funcionário público. Um jovem com sonhos a serem realizados e que foram interrompidos por um meliante que já tem várias denúncias, com provas concretas. Portanto, quero solicitar agilidade no caso do meu filho, Outra coisa, todos os depoimentos dos membros da residência onde meu filho foi assassinado se contradizem e relatam inverdades. Sou uma jovem mãe, que teve que parar no tempo, por uma crueldade sem tamanho. Estou em busca da resposta, pois sou uma cidadã, que pago impostos, e luta para viver de forma correta. Peço e imploro, humildemente, por ajuda, pois acredito na justiça e não quero deixar de acreditar”, declarou.
Desde julho do ano passado o Preto no Branco vem acompanhando os dois casos.
O PNB conversou com o Delegado Thiago Pessoa, que assumiu a coordenadoria da DHPP de Juazeiro, após a morte da delegada Adelina Castro. Sobre o homicídio de Clésio, o delegado informou que o Inquérito Polícia foi concluído e virou ação Penal.
Thiago Pessoa declarou ainda que as investigações do caso do jovem Pedro Henrique, está em andamento. “Estamos aguardando o resultado de uma perícia pelo Departamento de Polícia Técnica”, declarou.
Nossa equipe também conversou com o Promotor de Justiça, Raimundo Moinhos. Sobre o homicídio de Cleiton, ele informou que três acusados foram denunciados pelo Ministério Público. Ainda de acordo com as informações, o suspeito de ser o mandante do crime, Manoel Luiz dos Santos Neto, irá a júri popular.
“A ação penal já foi concluída com pedido do MP para ir a Júri”, acrescentou.
Moinhos disse também que a mãe do jovem ainda pode ser ouvida em plenário.
Quanto ao caso de Henrique, ele esclareceu que a investigação do crime ainda está na Polícia Civil para conclusão do Inquérito.
Redação PNB



