
As mudanças na rede municipal de saúde que atende aos pacientes com a covid 19, feitas pela atual gestão de Juazeiro, gerou questionamentos e preocupação.
A Unidade de Pronto Atendimento, que desse o ano passado estava como porta de entrada para as síndromes gripais e covid, com a triagem dos casos, voltou na última segunda-feira (01) a atender casos de urgência e emergência. Já o Hospital de Campanha passou a ser a porta de entrada para as síndromes gripais, recebendo casos suspeitos e confirmados.
De acordo com a Sesau, “as alas de suspeitos e confirmados foram separadas na adequação feita pela prefeitura”. Apesar disso, um leitor do PNB, questionou se não seria arriscado atender casos suspeitos e confirmados no mesmo espaço.
“Antes a UPA fazia essa triagem e para o hospital de campanha só iam os casos confirmados. Em algumas cidades, como em Salvador, estou vendo que foram montados os ‘gripários’ para fazerem essa triagem. Agora aqui em Juazeiro todos os casos vão para o mesmo lugar. Eu pergunto: não há o risco de um suspeito, que esteja só com uma gripe, se contaminar dentro do hospital? Eu acho isso errado e arriscado”, questionou.
O Vereador de Juazeiro e médico, Salvador Carvalho, ouvido pelo PNB, também demonstrou preocupação com a mudança.
“Na verdade o correto seria a atenção primária fazer a primeira triagem de casos leves, e se houver forte suspeita de covid para casos moderados e graves, serem encaminhados para o Hospital de Campanha. Não é correto o Hospital de Campanha ser a porta de entrada para casos suspeitos da covid”.
A Secretaria de Saúde não quis se manifestar sobre os questionamentos.
Para esclarecer as dúvidas e preocupação em relações às mudanças, o PNB conversou com o médico infectologista da rede municipal de Juazeiro, Washington Luiz.
De acordo com ele, essa segregação de casos suspeitos e confirmados no mesmo espaço físico é possível, desde que as medidas de segurança sejam adotadas. Para isso é preciso entender como funciona a transmissão do vírus.
“Existem três mecanismos de transmissão. O primeiro é a transmissão respiratória, que é feita através de gotículas. Então, como é que se evita a transmissão por gotícula? Obviamente com a utilização da máscara. É preciso que o paciente e o profissional de saúde estejam utilizando máscaras e que haja uma divisão de espaço físico ou pelo menos de distanciamento adequado entre um paciente e outro. Dessa forma se conseguiria diminuir a chance de transmissão por gotícula”, explicou.
O infectologista acrescentou ainda que o segundo mecanismo é a transmissão por aerosol, mais conhecida como transmissão aérea.
“Se eu tenho em um espaço de um vão grande, pessoas respirando lá dentro, utilizando oxigenoterapia, e liberando o vírus de forma confirmada, e em um outro local eu coloco casos suspeitos, eu preciso garantir que, tanto o espaço onde tenho pessoas contaminadas, mas principalmente o que eu tenho pacientes suspeitos, tenha troca de ar. Então, tem que ter uma comunicação com o meio externo. Tem que ter ventilação natural nesse espaço, a exemplo de várias janelas no espaço. É importante que haja esse fluxo de ar para diminuir ao máximo o risco da contaminação aérea nesse ambiente. Dessa forma eu consigo deixar no mesmo local, separados por barreiras físicas, como divisórias, pacientes confirmados e suspeitos”, garantiu.
Washington Luiz finalizou falando sobre o terceiro mecanismos de transmissão da Covid-19, que é por contato
“Uma estratégia excelente que a gente recomenda para eliminar os riscos desse tipo de transmissão, em locais onde se tem casos suspeitos, é trabalhar com equipes de saúde diferentes para as doenças diferentes. Ou seja, a equipe que atende aos pacientes confirmados, idealmente, não deve ser mesma equipe que atende aos pacientes com suspeita. É assim que acontece nos ambientes de UTI, por exemplo. Então se essa medida foi adotada, é possível prestar uma assistência adequada e segura para casos suspeitos e confirmados em um único ambiente”, concluiu o infectologista.
Da Redação por Yonara Santos



