
De acordo com a Ascom do Hospital Dom Malan, o diretor geral da instituição, Etiel Lins, e a diretora de Ensino e Pesquisa, Angélica Guimarães, receberam, na última semana (10, 11 e 12/02), representantes da Assembleia Legislativa e da Câmara de Vereadores de Petrolina.
Durante o encontro, os gestores puderam esclarecer algumas questões sobre o atendimento materno-infantil de alta complexidade realizado na unidade, que é referência para mais de 50 municípios da Rede de Saúde Pernambuco Bahia (Rede PEBA).
Segundo o diretor geral, nos últimos meses, a demanda na unidade tem sido crescente, mesmo assim, o HDM tem mantido seu papel de atender a população. “Nós temos um total 255 leitos, entre maternos e infantis. São realizados entre 600 e 650 partos por mês, mais de 7 mil por ano, dos quais metade são partos de baixo risco”, relatou.
Etiel ainda destacou o trabalho e dedicação da equipe multidisciplinar que atua na unidade. “Não negamos atendimento a nenhuma gestante que nos procura, nunca tivemos a falta de um medicamento, e mantemos a assistência ininterrupta. A nossa equipe vai além de todas as possibilidades e nós só temos a agradecer o comprometimento que cada um aqui tem com o hospital e a população”, argumentou.
Ainda em relação à equipe, a diretora de Ensino e Pesquisa da unidade, Angélica Guimarães destacou o respaldo da comunidade médica petrolinense em relação ao HDM. “Muitos colegas de profissão, quando têm um caso mais delicado, enviam para o Dom Malan por confiarem em nosso serviço”, explicou a gestora, que lembrou do papel do Hospital como formador de profissionais. “Todos os anos devolvemos para a sociedade 10 obstetras, 10 pediatras e 07 enfermeiros obstetras formados aqui em nosso serviço. Além disso, recebemos estudantes de farmácia, fisioterapia e nutrição para a realização de estágio”, argumentou.
Sobre a questão do parto normal x parto cesáreo, explicou: “Toda gestante que dá entrada em nossa unidade passa por uma avaliação da equipe médica, que faz a avaliação clínica e pede exames, quando necessário, para definição da conduta do parto. Seguimos protocolos científicos. O nosso compromisso é com o que a ciência preconiza. O que nós não temos como fazer é impedir ou prever as variáveis do parto. A nossa taxa de cesariana, por exemplo, é de 46%, pelo próprio perfil de atendimento. Como podem perceber, a realidade é bem diferente do que é disseminado. Naturalizou-se tanto o parto cesáreo para a mulher que as pessoas esqueceram o risco que um procedimento cirúrgico como esse envolve”, ressaltou.
Vale lembrar, neste cenário, que o serviço hospitalar do HDM é considerado bom/excelente por 79,65% dos usuários. Os números são da Ouvidoria, que realiza questionários diários com pacientes e acompanhantes.
Protesto
No dia 09 de fevereiro, familiares de mulheres que já passaram por internação no Hospital Dom Malan/IMIP, em Petrolina (PE), realizaram uma manifestação em frente a instituição protestando contra o atendimento.
A mobilização foi marcada após denúncia da mãe da recém-nascida Geovana, que morreu na semana passada na unidade hospitalar, depois que a equipe médica se negou a fazer uma cesariana previamente indicada para a gestante
Segundo Lucicléia, mãe da criança, mesmo apresentando um requerimento concedido pela equipe da Unidade Básica de Saúde, onde ela foi anteriormente atendida, indicando a necessidade de uma cesariana, devido a falta de passagem e por ela ser diabética, a equipe do Dom Malan/IMIP, insistiu em esperar um parto normal.
Após tentarem, sem sucesso, a realização de um parto natural, os médicos reconheceram a necessidade de uma cesariana, mas já era tarde. Lucicléia foi submetida a cesariana, mas o bebê acabou indo a óbito.
A denúncia de Lucicléia se somou a outras registradas contra o hospital Dom Malan/IMIP, e a manifestação intitulada “Nascimento com respeito”, ganhou força. Outras mães se juntaram a reinvindicação por um atendimento humanizado na unidade hospitalar, para evitar sequelas e mortes de crianças e mães.
A manifestação, que também chamou a responsabilidade da rede PEBA, contou com apoio dos movimentos das mulheres, “Eu sou mãe eu tenho medo”, lideranças comunitárias, Comissão de mulheres da Câmara de Vereadores e Comissão de Direitos Humanos de Criança e Adolescentes.



