
(foto: divulgação/SESAU)
O município de Juazeiro, no Sertão norte da Bahia, até outubro desse ano, teve 42 casos registrados de aids, doença causada pela infecção do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV é a sigla em inglês). Esse vírus ataca o sistema imunológico, que é o responsável por defender o organismo de doenças. O vírus é capaz de alterar o DNA dessa célula e fazer cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção.
O número é menor se comparado ao ano de 2018, quando 57 casos foram identificados. Ainda segundo os dados da Secretaria de Saúde (SESAU), desde 2007, quando os números começaram a ser contabilizados, o ano de 2015 foi o com maior incidência, 87 casos. Em 2016, o número caiu para 76, subindo para 77 no ano posterior. Em 13 anos, Juazeiro notificou 629 casos de aids.
Nesta semana, a SESAU está com um calendário de mobilizações sobre a prevenção ao vírus HIV-AIDS e outras infecções sexualmente transmissíveis. As ações se somam a campanha nacional sobre a importância da prevenção dessas doenças, o Dezembro Vermelho. Hoje (3), acontece uma visita técnica ao Hospital Materno Infantil; amanhã (4) e sexta (6), vai haver uma oficina de formação com profissionais médicos e enfermeiros da Atenção Básica, no Centro de Saúde III; já na quinta-feira (5), acontece uma ação educativa com psicólogos e assistentes sociais, também no centro.
Dados nacionais
Em cinco anos, o Brasil conseguiu evitar 2,5 mil mortes por aids e reduziu, em 22,8%, o número de mortes pela doença, caindo de 12,5 mil em 2014 para 10,9 mil em 2018. Os dados são positivos, no entanto, o Ministério da Saúde alerta que 135 mil pessoas vivem com HIV no Brasil e não sabem.
O Ministério da Saúde estima que 12,3 mil casos de aids foram evitados no país, nesse mesmo período. O dado foi calculado com base na taxa de casos de aids em 2014, caso ela se mantivesse ao longo desse período até 2018. Nesse mesmo período, houve queda de 13,6% na taxa de detecção de casos de aids, sendo 37 mil casos registrados em 2018 e 41,7 mil em 2014. Em toda série histórica, a maior concentração de casos de Aids também está entre os jovens, em pessoas de 25 a 39 anos, de ambos os sexos, com 492,8 mil registros. Os casos nessa faixa etária correspondem a 52,4% dos casos do sexo masculino e, entre as mulheres, a 48,4% do total de casos registrados.
A infecção por HIV cresce mais entre os jovens, e segundo o Ministério da Saúde, a maioria dos casos de infecção no país é registrada na faixa etária de 20 a 34 anos, com 18,2 mil notificações (57,5%). Em 2018, 43,9 mil casos novos de HIV foram registrados no país. A notificação para infecção pelo HIV passou a ser obrigatória em 2014, assim como o tratamento para todas as pessoas vivendo com HIV, independente do comprometimento imunológico. A medida trouxe mais acesso ao tratamento e aumento de diagnósticos. Com isso, nos últimos cinco anos, a tendência de queda na taxa de aids foi maior.
Campanha
A nova Campanha de Prevenção ao HIV/aids foi lançada pelo Ministério da Saúde, na semana passada, em comemoração ao Dia Mundial de Luta Contra a Aids, celebrado no dia 1º de dezembro. O objetivo é incentivar a testagem e, consequentemente, o diagnóstico precoce dos casos de HIV. Com o tratamento adequado, o vírus HIV fica indetectável e a pessoa não irá desenvolver Aids.
A previsão é distribuir 462 milhões de preservativos masculinos, o que representa aumento de 38% em relação ao ano passado, quando foram distribuídos 333,7 milhões de unidades. O número de preservativos femininos distribuídos pode chegar a 7,3 milhões de unidades, aumento ainda mais significativo em relação ao ano passado, 351,5% (1,6 milhões). Ainda em 2019, está prevista a finalização da entrega de 12,1 milhões de testes rápidos de HIV, fundamentais para o diagnóstico e futuro tratamento das pessoas infectadas.
Transmissão
A transmissão do HIV e, por consequência da AIDS, acontece das seguintes formas: sexo vaginal sem camisinha; sexo anal sem camisinha; sexo oral sem camisinha; uso de seringa por mais de uma pessoa; transfusão de sangue contaminado; da mãe infectada para seu filho durante a gravidez, no parto e na amamentação; instrumentos que furam ou cortam não esterilizados.
É importante quebrar mitos e tabus, esclarecendo que a pessoa infectada com HIV ou que já tenha manifestado a AIDS não transmitem a doença das seguintes formas: sexo, desde que se use corretamente a camisinha; masturbação a dois; beijo no rosto ou na boca; suor e lágrima; picada de inseto; aperto de mão ou abraço; sabonete/toalha/lençóis; talheres/copos; assento de ônibus; piscina; banheiro; doação de sangue; pelo ar.
Diagnóstico e tratamento
O diagnóstico da infecção pelo HIV é feito a partir da coleta de sangue ou por fluido oral. No Brasil, existe os exames laboratoriais e os testes rápidos, que detectam os anticorpos contra o HIV em cerca de 30 minutos. Esses testes são realizados gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nas unidades da rede pública e nos Centros de Testagem e Aconselhamento (CTA).
Os medicamentos antirretrovirais (ARV) surgiram na década de 1980 para impedir a multiplicação do HIV no organismo. Esses medicamentos ajudam a evitar o enfraquecimento do sistema imunológico. Por isso, o uso regular dos ARV é fundamental para aumentar o tempo e a qualidade de vida das pessoas que vivem com HIV e reduzir o número de internações e infecções por doenças oportunistas.
Da Redação



