Irecê: PM morre após ser atingido por disparo de arma de fogo

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O soldado da Polícia Militar da Bahia, Lucas Pereira, morreu após ser atingido por um disparo de arma de fogo. O caso aconteceu por volta das 13h45 dessa segunda-feira (30), na residência em que o PM morava, em Irecê-BA.

A vítima tinha 32 anos e a suspeita é de que o PM tenha cometido suicídio. De acordo com informações da polícia, Lucas chegou a ser socorrido com vida por uma equipe do Samu e levado às pressas para o hospital da cidade, mas não resistiu.

Ainda de acordo com as informações, o PM servia na 34ª CIPM/Bom Jesus da Lapa. O fato está sendo investigado pelas autoridades policiais.

O caso ocorreu no último dia do Setembro Amarelo, mês destinado a Prevenção do Suicídio.

De acordo com a 13ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado em setembro, o número de policiais que se suicida, já é maior do que os que morrem em situações de confronto com o crime.

Só em 2018, 104 casos de suicídio de polícias foram registrados. Já o número de PMs que foram mortos durante o horário de trabalho foi de 87, aponta a pesquisa.

Na avaliação de Cristina Neme, pesquisadora do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que edita o anuário, esses números comprovam graves efeitos psicológicos.

“No senso comum, o grande temor é o risco da violência praticada por terceiros, mas na verdade o suicídio está atingido gravemente os policiais e não está sendo discutido e enfrentado de forma global”, declarou a pesquisadora. É um problema muito maior que muitas vezes é silenciado. São os fatores de risco da profissão que levam ao estresse ocupacional. Eles passam por dificuldades que outras pessoas podem ter, mas que no caso do policial esses problemas, quando associados ao estresse psicológico da profissão e do acesso à arma, podem facilitar esse tipo de ocorrência”, lamenta a Cristina Neme.

Alerta

São vários os fatores de riscos que predispõem e precipitam um ato suicida: há a influência da genética, elementos da historia pessoal e familiar, fatores culturais e socioeconômicos, acontecimentos estressantes, traços de personalidade e transtornos mentais.

Dentre os fatores que a Psicanálise considera que predispõem tem-se: transtornos psiquiátricos, doenças incapacitantes e/ou incuráveis, abuso sexual na infância, suicídio na família, tentativa anterior de suicídio, isolamento social, impulsividade, agressividade. Já dentro da categoria dos fatores que precipitam o ato suicida, considera-se: desilusões amorosas, o uso de drogas e crise financeira, entre os principais.

O ato de tirar a própria vida pode ser multi-determinado, ou seja, é um conjunto de fatores de diferentes naturezas, que se combinam de modo complexo e variável, e que podem estar relacionados ao ambiente ou mesmo internos ao indivíduo.

Ajuda

No Brasil, o CVV é responsável por promover apoio emocional e prevenção ao suicídio, atendendo gratuitamente, sob total sigilo, pelo telefone (188), email e chat 24 horas todos os dias.

O Ministério da Saúde também orienta que, para além da escuta, é importante incentivar a pessoa a procurar atendimento profissional. O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento psicossocial nos Centros de Apoio Psicossocial (Caps).

Da Redação

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