Golpes, ameaça e prisão: veja como agia o juazeirense acusado de estelionato preso no Pará

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Antes de ser preso em flagrante  por estelionato nessa segunda-feira (13), em Belém do Pará, o juazeirense Manoel Tenório Rapadura Neto, já havia sido denunciado, através do Portal Preto no Branco, por aplicar diversos golpes em sua terra natal, Juazeiro, na região Norte da Bahia. O acusado se apresentava como assessor político, dizendo ter influência em órgãos públicos para cometer os crimes.

Entre as denúncias estão: falsas ofertas de emprego para cobrança de exames admissionais, compra no valor de 37 mil utilizando um cheque sem fundo, ofertas de intermediação em cirurgias para receber valores das vítimas alegando que seriam para pagamentos das despesas dos procedimentos, entre outros. Os crimes foram divulgados com exclusividade em setembro deste ano em reportagens do PNB.

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Após a divulgação dos casos, a editora do PNB, Sibelle Fonseca, começou a receber através do aplicativo de conversas whatsapp uma série de ameaças feitas por Manoel Tenório. O caso foi denunciado na Polícia Civil e está sendo investigado.

Também após as reportagens publicadas pelo PNB, o Chefe de Gabinete da Vice-Governadoria, Coronel Robson Pacheco, veio a Juazeiro para iniciar a apuração dos crimes. Na ocasião, o coronel se reuniu com o coordenador da 17ª Coorpin, Delegado Flávio, com o comandante do Comando Regional de Policiamento Norte, Coronel Hildon, e com o Ministério Público para apurar os golpes.

O objetivo da visita, de acordo com o coronel, foi investigar o uso indevido do nome do vice-governador e de seu filho, o Deputado Matheus Ferreira, para prometer empregos e facilitar cirurgias em troca de valores. Em entrevista no programa Preto no Branco da TransRio FM, com a jornalista Sibelle Fonseca, no dia 24 de setembro o Coronel Robson Pacheco alertou a população sobre os golpes.

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Diante da repercussão das denúncias, Manoel Tenório foi para o Pará, onde aplicou outros golpes, utilizando o nome do secretario de Relações Institucionais do Estado da Bahia, Adolpho Loyola, do vice-governador da Bahia, e até da Presidência da República.

Prisão no Pará 

Em Belém do Pará Manoel foi preso após denúncia do diretor do Governo do Estado do Pará, Diretor de Estudos e Pesquisas Socioeconômicas e Análise da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas FAPESPA, Márcio Ivan Lopes Ponte de Souza. Em depoimento na Polícia Civil, ele relatou que conheceu o Manoel no último dia 03, em um restaurante na capital paraense.

Ainda conforme as informações, Manoel se apresentou como representante do governo da Bahia e membro do GSI da presidência da República, afirmando que atuava na organização de eventos para os governos baiano e brasileiro, inclusive envolvendo a COP 30, que será realizada em Belém. O acusado teria convencido a vítima a firmar um suposto contrato de locação de imóveis e veículos da vitima no valor de R$ 275.550,00.

Posteriormente, segundo relatos, Manoel informou que a vítima precisaria de um adiantamento no valor de cerca de R$ 80.000,00 para garantir o local do evento, garantindo que devolveria o montante assim que recebesse 800 mil reais do governo da Bahia. O acusado também teria pedido um empréstimo pessoal à vítima de R$ 40.000,00, prometendo devolver após o saque de valores de R$ 800.000,00 que, segundo ele, estariam bloqueados no Banco do Brasil, o que segundo a polícia, não procede.

No depoimento, Márcio Ivan também contou que realizou várias transferências para contas indicadas por Manoel, que chegou a dizer que iria doar dois relógios ROLEX avaliados em R$ 25.000,00 cada. Em data posterior, a vítima realizou nova transferência para cobrir o combustível de viagens, no valor de R$ 2.400,00 e outro de 3.200,00. A vítima sofreu um desfalque de aproximadamente 120 mil reais.

A vítima também declarou que o suspeito chegou a dormir em sua casa em algumas ocasiões, alegando que assim ficaria mais fácil que Márcio ajudá-lo nos procedimentos do saque de 800 mil reais para pagar as despesas. Outro ponto destacado pela vítima, foi que Manuel Tenório foi apresentado a outras autoridades do estado interessado em alugar imóveis e veículos para a estadia da comitiva do governo da Bahia na COP 30 e também da comitiva da Consulesa de Luxemburgo.

Ontem, a vítima desconfiou do golpe, após repassar 40 mil reais para o acusado de estelionato e ele sumir. Manuel Tenório foi localizado, através de um motorista contratado e que também foi vitima de um golpe.

Na agência bancaria, Márcio Ivan Lopes Ponte entrou em contato com o Capitão Luiz Paulo chefe de Operações da capital, Belém, sede da COP 30. Ele foi preso em flagrante e conduzido a delegacia, onde o caso foi formalizado.

Ainda conforme informações obtidas pelo PNB, Manoel Tenório passará por audiência de custódia nesta terça-feira (14).

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