Nossa Senhora das Grotas, genuína, Padroeira reverenciada em duas canções; conheça a história dos hinos da Santa de Juazeiro

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“Para que juntos cantemos glória, Com voz pura, sublime, altaneira, em transporte de amor, a vitória, de tão Santa, imortal, Padroeira!” 

Assim diz o hino de Nossa senhora das Grotas, a única e exclusiva de Juazeiro, da terra da fé e devoção. A imaculada padroeira, na sua grandiosidade religiosa inspira a comunhão dos seus fiéis e a proteção do seu povo. Adorada, venerada, a Santa possuiu dois hinos, composições que marcam diferentes períodos da devoção do seu povo.

O hino tradicional de Nossa Senhora das Grotas é uma peça central nas celebrações da padroeira. Composto há várias décadas, ele carrega consigo o peso da história e da devoção de gerações passadas. Este hino é um reflexo da tradição e da fé profundamente enraizadas na comunidade de fiéis.

O hino foi composto pela irmã Elizabeth e Maestro Angelim, em 1929, com inspiração da rica tradição religiosa e devoção a santa protetora. A música e letra, que ressoam nas celebrações, refletem o espírito da época em que foram criadas. Esse hino, com letras devocionais continua a ser cantado com fervor durante as festividades.

“Ó Virgem Mãe, nossa Padroeira,
Aqui se curva ante o teu altar,
Teu povo fiel, ó medianeira,
Os teus rogos, queiras escutar.

Virgem Senhora das Grotas,
Por teu celeste amor,
Fazem destas almas, devotas,
E acende em nós teu fervor.

Ó Virgem Mãe, nossa Padroeira,
Vimos implorar tua proteção!
Sê para nós, doce companheira,
Dá-nos entrada em teu coração.

Para que juntos cantemos glória,
Com voz pura, sublime, altaneira,
Em transporte de amor, a vitória,
De tão Santa, Imortal, Padroeira!”

O Novo Hino

Para demonstrar tamanha grandiosidade e devoção a Padroeira, um novo hino foi criado durante o episcopado do bispo Dom José Rodrigues, e marcou um momento significativo na história da devoção a Nossa Senhora das Grotas. Composto por Roberto Malvezzi Gogó, o novo hino trouxe mais uma abordagem mais social à celebração, contando a história da padroeira e em louvor a ela, sem perder a essência de reverência que caracteriza a devoção.

“Nossa Senhora Mãe das Grotas
De tuas mãos que brota
A nossa Santa Proteção.
Ó Mãe dos humilhados e ofendidos,
Dos flagelados e oprimido,
Dá-nos sempre a tua mão!

Quando o índio foi ao rio
E nas grotas do rio
Encontrou a tua imagem,
Nas do rio tão velho e nobre,
Mostraste assim a todo o povo
O amor que tu tens pelos pobres.

E do índio pro vaqueiro
E sob os Juazeiros,
Às mãos do que pregava no Sertão,
Às margem do Rio São Francisco.
No pouso e descanso dos tropeiros,
Nascia Maria em Juazeiro.

Hoje estás em cada índios,
Em cada Nordestino
Que luta pra fazer libertação.
Estás também em um qualquer;
No velho, no jovem, na criança,
Na força e na beleza da mulher.

Ó Senhora dos Sertões,
Das terras sempre quentes,
Tem pena desse povo e se vê clemente,
E sempre em teus braços vê se acolhes
Os que tombam, os que ficam e os que fogem,
Os que lutam, os que vivem e os que morrem”

Em entrevista ao Portal Preto no Branco, Roberto Malvezzi Gogó explicou a motivação da criação do novo hino:

“O objetivo fundamental era contar a história do surgimento de Nossa Senhora das Grotas, que é uma devoção única no mundo inteiro, não existe outra Nossa Senhora das Grotas. Claro que para nós católicos Maria é uma só, a mãe de Jesus, mas a gente contextualiza também Maria em vários lugares do mundo, Nossa Senhora das Grotas é Maria contextualizada em Juazeiro da Bahia, no Rio São Francisco, com esses personagens históricos da própria região”, contou Gogó.

Roberto Gogó contou a inspiração que o levou a compor o novo hino:

“A inspiração foi a própria história de Nossa Senhora das Grotas, que é uma história bonita, que tem elementos como o próprio Rio São Francisco, as grotas, uma imagem, um índio, um vaqueiro, um missionário, numa região histórica de passagem do gado. E são esses elementos constitutivos da história de Nossa Senhora das Grotas a fonte de inspiração” explicou ele.

“O hino tradicional, oficial de Nossa Senhora das Grotas, segue um padrão de música, é um canto devocional. Já o segundo hino é a história de Nossa Senhora das Grotas, porque é uma história bonita e que muitas vezes as pessoas não conhecem. Então, o fato de você colocar isso numa canção facilita também que o povo compreenda o processo histórico que trouxe Nossa Senhora das Grotas desde o seu encontro no Rio São Francisco por um índio até se tornar hoje um santuário na Diocese de Juazeiro” contou Gogó.

A coexistência dos dois hinos exemplifica a evolução da devoção a Padroeira ao longo das gerações. O hino tradicional e o novo hino, cada um em seu contexto, mostram como a tradição pode ser preservada e ao mesmo tempo renovada. Ambos os hinos têm suas próprias histórias e significados, contribuindo de forma única para a celebração de Nossa Senhora das Grotas.

Cada hino, carrega, respectivamente, a essência de gerações de fiéis da Nossa Senhora das Grotas. A diversidade e a riqueza desses hinos são testemunhos da importância contínua de Nossa Senhora das Grotas na vida espiritual dos devotos.

Redação PNB, por Rayza Rocha

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