Após declarações polêmicas, comportamentos ofensivos e muitos confrontos, aconteceu nesta terça-feira (16), a final do programa Big Brother Brasil 24, da Rede Globo de Televisão.
Com 60,52% dos votos, o jovem baiano Davi Brito foi consagrado campeão do programa global e vai receber R$ 2,9 milhões, maior valor já pago pelo BBB.
Aos 21 anos Davi se torna o primeiro homem negro de pele escura a conquistar o primeiro lugar do Big Brother Brasil. Na edição de 2020, a médica Thelma, foi a primeira mulher negra retinta a conquistar o título.
Trajetória no programa
Desde o início do programa, em janeiro passado, Davi Brito foi muito julgado e confrontado por seus adversários de jogo, chegando a ficar isolado na casa. Algumas falas e atitudes em relação ao jovem foram consideradas pelos expectadores como racistas.
Também pelas redes sociais, Davi Brito, que desde o início se destacou entre os demais participantes, sofreu ataques pela sua condição social e racial que foram denunciados ao Ministério Público da Bahia. O órgão, inclusive, protocolou a denúncia e abriu um inquérito para identificar os responsáveis.
Na semana que virou líder e sagrou-se o primeiro finalista do programa, o jovem negro chegou a desabafar sobre situações preconceituosas que viveu ao longo da vida e das dificuldades que passou na infância. Ele, que sempre alimentou o sonho de ser médico, reafirmou a presença do racismo na sociedade.
“Virar doutor vai ser um sonho de infância. Só de pensar que vou chegar na faculdade com o carro, parar meu carro no estacionamento e ir para faculdade estudar tranquilo, só focar em estudar e voltar para casa… Focar nos estudos assim e dar orgulho para minha mãe. Um jovem que nem a gente que é preto, pobre, a gente não tinha dinheiro… Andava com uma roupa meio assim e já ficavam olhando. É f*da chegar um topo desses aqui. Por mais que falem que o público gosta de você, a gente sabe que existe racismo! O racismo existe. Tem pessoas, sim, que ainda hoje têm essa forma de olhar diferente para as pessoas que são pretas, que não têm muitas condições. É complicado! […]”, disse ele.
O baiano relembrou ainda um episódio que presenciou no Farol da Barra, em Salvador, Bahia, quando sentiu de perto a crueldade do racismo praticado todos os dias em diversas situações cotidianas.
“Só que eu não vi o rapaz atrás de mim. Ele estava andando normal e elas começaram a olhar para trás. Pegaram a bolsa, esconderam a bolsa… Eu tava tranquilo e até parei de andar muito rápido para não pensarem que eu estava indo atrás delas. Elas começaram a acelerar o passo. O rapaz começou a chorar. Na hora eu falei ‘boa noite, aconteceu alguma coisa?’ e ele ‘não, é que as meninas saíram correndo, porque pensaram que eu iria assaltar elas e não sou assaltante, não. Só estou fazendo minha caminhada’. Poxa, aquilo me doeu! Eu falei: ‘Só pela nossa cor a gente já é julgado’ e o racismo existe! Aquilo me tocou muito. Eu dei conforto a ele, mas aquilo me cortou o coração”, finalizou.
Redação PNB



