Em um dos depoimentos que compõem a delação premiada firmada entre Mauro Cid e a Polícia Federal (PF), o tenente-coronel, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), revelou que o ex-presidente se encontrou com a cúpula militar, logo após a derrota no segundo turno das eleições de 2022, para avaliar um golpe no país. A informação é do colunista Aguirre Talento, do UOL.
De acordo com o relato de Cid, Bolsonaro recebeu das mãos do assessor Filipe Martins uma minuta de decreto para convocar novas eleições, que incluía a prisão de adversários.
Ainda de acordo com o UOL, Bolsonaro teria submetido o teor do documento em conversa com militares de alta patente, e o então comandante da Marinha, almirante Almir Garnier, se manifestou favorável ao plano golpista durante as conversas de bastidores, mas não houve adesão do Alto Comando das Forças Armadas.
Mauro Cid contou aos investigadores que esteve presente nas duas reuniões, ou seja, na que o documento foi entregue e na de Jair Bolsonaro com os militares.
Os investigadores suspeitam que essas articulações resultaram nos atos golpistas do 8 de janeiro
Após divulgação do conteúdo da delação premiada de Mauro Cid, nesta quinta-feira (21), a defesa de Jair Bolsonaro (PL) se manifestou e afirmou que ele “jamais tomou qualquer atitude que afrontasse os limites e garantias estabelecidas pela Constituição e, via de efeito, o Estado Democrático de Direito”.
“A defesa do Presidente Jair Bolsonaro, diante das notícias veiculadas pela mídia na data de hoje sobre o suposto conteúdo de uma colaboração premiada, esclarece que: 1. Durante todo o seu governo jamais compactuou com qualquer movimento ou projeto que não tivesse respaldo em lei, ou seja, sempre jogou dentro das quatro linhas da Constituição Federal”.
Ainda na nota divulgada à imprensa, os advogados de Bolsonaro defenderam que pretendem adotar “medidas judiciais cabíveis contra toda e qualquer manifestação caluniosa, que porventura extrapolem [sic] o conteúdo de uma colaboração que corre em segredo de Justiça, e que a defesa sequer ainda teve acesso”.
Redação PNB



