Em contato com o Portal Preto no Branco nesta quarta-feira (16), Carla Lima, mãe de uma menina que sofre com uma doença neurodegenerativa progressiva e rara, voltou a reclamar do atendimento dado a filha pela Unimed Vale do São Francisco.
Desta vez, ela declarou que no último dia 8 de agosto, após a criança sofrer uma crise convulsiva, precisou aguardar por mais de 14 horas para que a filha fosse atendida por um médico neurologista.
“Sou mãe de Sophia portadora de um síndrome rara degenerativa progressiva, a Mucopolissacaridose 3 b. Sophia vem tendo crises convulsivas de difícil controle e agora está apresentando tremores involuntários e espasmos. Na última terça-feira dia 08/08 fomos com ela às pressas pra tentar resolver na emergência da Unimed. Fui bem atendida pela médica de plantão que fez algumas exames, mas pontuou que não era a área dela e informou ao neurologista que havia uma criança na emergência precisando de atendimento. Ficamos 14 horas na emergência esperando o médico, mas ele não apareceu. Então, disseram que iriam interná-la. O desespero já tomava conta de mim, pois não tinha nem quarto disponível para ela subir, para ficarmos mais confortáveis. Apenas quando falei e gravei Sophia naquela situação conseguiram um quarto. Subimos, mas nada do neurologista chegar para atender minha filha “, relatou.
Carla Lima contou que a filha, que é usuária do plano de saúde Unimed VSF, está há meses precisando passar por exames e consultas, e até o momento os procedimentos não foram agendados.
“Quando finalmente o médico neurologista foi atender minha filha, ele falou que Sophia precisava fazer o exame ECG. Eu expliquei que tinha um exame marcado para fazer no hospital na sexta feira, dia 12/08. Ele relutou em acreditar porque não estava sabendo de nada. Então, para minha surpresa no dia seguinte deram alta a Sophia e disseram que a máquina tinha quebrado. Mandaram ela pra casa e até hoje estou sem saber o que fazer, pois ela continua tendo crises, tremores e espasmos e já não consigo mais controlar! Já tentamos várias medicação e nada. Estou desde de abril com as guias de exames na Unimed pra fazer exames como Vídeo Deglutograma, Eletroencefalograma de 12 horas, além de consulta com pneumologista especializada em apneia do sono”, acrescentou.
A mãe da menina Sophia contou ainda que, até o momento, não recebeu nenhuma resposta dos responsáveis pelo plano de saúde sobre a realização dos exames.
“A solução que o neuropediatra dela deu foi que nós fôssemos para o Hospital São Rafael em Salvador. Falei com a responsável e ela disse que iria analisar se tinha necessidade de mandá-la pra lá. Fica aqui o meu apelo de mãe que está há vários dias sem dormir porque ela vem tendo piora, sem se alimentar e sem dormir porquê os tremores não deixam ela dormir direito . Não é porque ela tem um doença sem cura que vou desistir dela. Ela é só uma criança e não merece o descaso que estão fazendo com ela”, finalizou.
Encaminhamos a situação da usuária para a Unimed e aguardamos uma resposta.
Relembre
No último dia 28 de julho, Carla Lima já havia entrado em contato com o PNB para reclamar da situação. Na época ela relatou que os exames só estavam sendo feitos em capitais.
Na ocasião ela reclamou que os procedimentos haviam sido agendados para dois municípios distantes e alegou que teria que arcar com todas as despesas.
“A usuária Sophia Lima tem uma doença rara degenerativa progressiva, que vem progredindo com piora. Ela fez a retirada da vesícula e está tendo crise epilépticas sem controle. No último dia 20/04/23 dei entrada nos exames dela, inclusive o ECG, para ver a origem das crises. Na ocasião, fui informada que nos encaminhariam para Fortaleza e Recife. O problema é que eles não dão nenhuma rede de apoio à criança cadeirante durante as viagens. Deram apenas duas passagens de ônibus, naquele famoso ‘pinga-pinga’. O traslado, as refeições e o hotel ficam tudo por conta dos responsáveis pela criança. Eles poderiam ao menos marcar os três exames no mesmo lugar”, criticou.
Na época Carla Lima contou ainda que durante todo este tempo, ou seja, há 4 meses, estava tentando resolver a situação junto ao plano, mas até aquele o momento não havia obtido êxito.

“Já fui várias vezes tentar revolver esse problema de forma administrativa, mas sem sucesso. Cheguei a ir ao encontro da gerente do plano que disse que iria me receber, mas acabou mandando o recado que estava em reunião e não teria hora pra acabar. Não querem me dar a negativa para eu não judicializar porque dizem que não estão me negando o exame. Porém, estão me negando as condições de viajar para duas capitais diferentes para realizar os exames. São viagens caras e precisamos de suporte”, acrescentou na época.
Na ocasião encaminhamos a reclamação da usuária para a Unimed, mas não obtivemos respostas.
Redação PNB



