Os irmãos Fernando e Guilherme Muniz, que residem em Petrolina, Sertão de Pernambuco, estão sendo acusados de agressão e ameaças contra dois trabalhadores do ramo de eventos, no município de Carpina, na Zona da Mata Norte, também em Pernambuco. O crime teria acontecido por volta das 4h da madrugada do domingo (20), durante uma festa de casamento de uma familiar dos acusados.
De acordo com informações das vítimas, em entrevista ao Voz de Pernambuco, as agressões tiveram início após o irmão da noiva e acusado Fernando Muniz, que trabalha em uma agência bancária de Petrolina, não aceitar o encerramento do serviço prestado pelos dois profissionais, que segundo eles, durou 4h30 como acordado em contrato.
“Ele estava muito alterado. Já estava muito bêbado devido a festa, casamento da irmã dele. Nosso horário de trabalho já tinha encerrado e ele não quis aceitar. Ficou muito furioso e quis nos obrigar a continuar trabalhando. Ele chegou muito alterado, exigindo que a gente continuasse, dizendo que estava pagando, que mandava na gente e que o serviço só podia encerrar quando ele mandasse. Após isso, ele chegou muito próximo do meu chefe e eu pedi que ele se afastasse, foi ai que ele deu um murro em meus peitos. E ao invés dele tentar se acalmar para conseguirmos conversar, ele continuou vindo para cima e eu fui me defender”, relatou o barman Sevenildo Salvino do Nascimento, 20 anos.
Ele ainda acusa os envolvidos na ocorrência de injúria racial.
“Entre a briga que a gente começou, teve uma hora que eu escutei “pega o neguinho, pega o nego” e nisso começou a vir muitas pessoas e me colocaram contra a parede e eu só pude me defender disso”, acrescentou.
Sevenildo contou ainda que mesmo após ter conseguido sair da casa de eventos, foi perseguido por Fernando e outros acusados até a Unidade Mista Francisco de Assis Chateaubriand, uma instituição de saúde, onde as agressões teriam continuado.
“Como nesse momento só eu estava sendo agredido, meu chefe Ivan tentou me tirar dali e conseguiu abrir a porta dos fundos do Monte Vila (casa de eventos) e eu sai. Eu não fui diretamente correndo. Eu esperei primeiro para vê se Ivan saia para a gente poder se comunicar, mas eu vi que o Fernando, junto com mais outras pessoas, estava vindo atrás de mim e eu ouvi um grito: “corre que ele está armado”. Foi então que eu corri até a Unidade Mista Francisco de Assis Chateaubriand, onde eles me perseguiram. Quando eu cheguei na unidade, eu avisei aos seguranças e as pessoas que estavam lá sobre o ocorrido e eles pediram para eu esperar lá. Quando eles (os acusados) chegaram, eles invadiram o hospital já querendo uma briga (…) Eu levei um chute, bati em uma porta e consegui entrar em uma salinha para me esconder, foi quando os seguranças agiram e tentaram botar eles para fora”, contou.
A vítima afirmou ainda que ficou com dores nos braços, tórax e ferimentos no rosto. Ele alertou ainda que a situação poderia ter sido ainda mais grave, caso não tivesse conseguido se defender das agressões.

“Eu tenho um porte um pouco mais forte e consegui me defender, mas se fosse uma pessoa mais fraca e tivesse caído, não teria nem corrido até a unidade mista, teria sido espancado ali mesmo e no final estaria lá caído, esperando uma ambulância ou até morrido”, finalizou.
A outra vítima, Ivan Gomes da Silva Júnior, 27 anos, proprietário da empresa Lounge Drinks, também reforçou que houve crime de injúria racial durante a ação dos agressores.
“Foi uma covardia. Foram sete, oito pessoas contra uma. Eu também estava na briga, mas eles disseram: ‘bora bater no neguinho, pega o neguinho’, algo assim. Em nenhum momento, no boletim de ocorrência, a gente aponta uma pessoa. A gente só diz que teve racismo, porque eu também estava na briga, eu me considero ‘moreno’, mas parece que eles não, pois sobrou tudo para ele (Sevenildo)”, acusou.
Ivan contou ainda que além das agressões, sofreu prejuízos financeiros.
“Eu fui buscar o meu material na casa de festas e presenciei meu cooler quebrado, 500 reais de bebidas roubadas. Sumiram e depredaram meu material que eu lutei anos para conseguir e infelizmente não vai dá em nada”, lamentou.
Veja a entrevista na íntegra:
https://www.instagram.com/tv/CbYuGUENLSs/?utm_medium=copy_link
O caso foi registrado, na 45ª DP, onde além dos irmãos Fernando, e o estudante de medicina Guilherme Muniz, o fotógrafo Paudalho William Félix, também consta entre os acusados. Uma quarta pessoa também está entre os denunciados, mas não tivemos acesso ao nome da mesma.

A Prefeitura de Carpina divulga imagens, da confusão registrada no interior da Unida Mista Francisco de Assis Chateaubriand. Os agressores também são acusados de dano ao patrimônio público.
Em nota, a gestão municipal declarou que a “Prefeitura do Carpina, em especial a Secretaria de Saúde, vem por meio deste repudiar os atos de violência, desrespeito e vandalismo de bens públicos ocorridos neste fim de semana. Os agressores adentraram a Unidade Mista do Carpina, agredindo pessoas, colocando em risco funcionários da saúde, pacientes e quebrando móveis da unidade. Tais atitudes devem ser combatidas e repudiadas veementemente. Deixamos aqui nossa solidariedade às vítimas e certeza de que as medidas cabíveis serão tomadas”.
O PNB não conseguiu contato com os acusados.
Veja:
https://www.instagram.com/tv/CbYBTeJJv67/
Da Redação PNB



