Os delegados da 17ª Coordenadoria Regional de Polícia do Interior (Coorpin), em Juazeiro, no Norte da Bahia, também suspenderam as operações policiais por 30 dias. O protesto teve início após reunião do Sindicato dos Delegados de Polícia da Bahia (Adpeb), que aconteceu nesta segunda-feira (14), em Salvador.
Além das operações, os delegados também suspenderam o cumprimento de mandados, além das representações por novas medidas cautelares, inclusive as medidas protetivas decorrentes da Lei Maria da Penha. Os profissionais protestam contra o aumento de 4% concedido pelo Governo da Bahia, considerado insuficiente pela categoria, que também está insatisfeita com a ausência de diálogo, a falta de investimentos na instituição, tanto em estrutura, quanto na contratação de pessoal.
Ainda segundo a Adpeb, em assembleia também ficou deliberado que, caso o governador Rui Costa não atenda a entidade até o dia 21 de março, serão recolhidas as assinaturas e a entrega de todos os cargos da Polícia Civil ocupados por delegados a partir do dia 25 do mesmo mês.
Apesar de considerar legítimo o protesto dos Policiais Civis, familiares de vítimas da violência em Juazeiro, que tem crescido no município nos últimos meses, estão preocupados com a suspensão das operações. Em entrevista ao PNB, Rafaela Castro, mãe do jovem Pedro Henrique, assassinado há um ano no município, teme que as investigações do crime demorem ainda mais.
“Ontem, 14, fez 1 ano da morte do meu filho e nada das investigações serem concluídas. Hoje tive a infeliz notícia de que os policiais civis estão pretendendo parar as atividades. Todas as vezes que avançam as investigações, existem vários assassinatos na cidades, o que faz com que o delegado não possa concluí-lo. Estamos à mercê de um Governador que não está nem ai para a população. A Polícia Civil precisa trabalhar e trabalhar com qualidade, para que assim possa dar as respostas que a sociedade precisa. Estou disposta até a ir em salvador e dormir nem que seja na porta do Governador, mas ele tem que nos dá uma resposta”, desabafou.
Rafaela elogiou ainda o trabalho do Coordenador da Delegacia de Homicídios de Juazeiro, Delegado Pessoa, mas reconheceu que o mesmo enfrenta dificuldades para realizar o seu trabalho.
“O Delegado de Homicídios de Juazeiro, Thiago Pessoa, é um homem competente e muito atencioso com a sociedade, mas ele precisa de auxílio para que possa trabalhar com qualidade. Estou indignada e não aceito o que está acontecendo com esses profissionais, pois como mãe de uma vítima da criminalidade, e cidadã baiana, exijo uma segurança pública de qualidade e que Rui Costa se conscientize que somos seres humanos. Juazeiro não pode ficar a mercê de bandidos, assassinos que tiram a vida dos nossos filhos, simplesmente porque querem matar. Juazeiro virou capital no índice de violência. O tráfico de drogas tomou de conta do município. Eu como mãe que luto por justiça e resposta nas investigações do caso do meu filho, estou indignada com essa notícia da parada dos polícias”, acrescentou.
Somente neste ano de 2022, o município já registrou 21 homicídios, sendo que seis deles ocorreram neste mês de março.
Redação PNB



