No terceiro dia de trabalho de reconhecimento e reconstituição do assassinato da menina Beatriz Mota, ocorrido em dezembro de 2015, no Colégio Maria Auxiliadora, em Petrolina, a Polícia Civil realizou nesta sexta-feira (11), uma etapa importante para as investigações.
Segundo informações obtidas pelo PNB, cerca de 20 pessoas que estavam na instituição de ensino na noite do crime, participaram do reconhecimento de Marcelo da Silva, 40 anos, suspeito do crime, na Delegacia de Homicídios da Polícia Civil de Petrolina, que fica no 5° Batalhão da Polícia Militar. No local, foi montado um forte aparato de segurança.
Durante toda a manhã, o acusado permaneceu no local para o reconhecimento das testemunhas, e logo após foi reconduzido a Penitenciária Dr. Edivaldo Gomes (PDEG), em Petrolina.
Ainda de acordo com as informações, todas as testemunhas identificaram Marcelo da Silva como sendo o homem que esteve no colégio no dia do assassinato, e que seria o autor do crime.
Em entrevista a TV Grande Rio, o advogado de defesa do acusado, Rafael Nunes, disse que vai “judicializar e certamente essa perícia será invalidada”. Ele contestou o fato de Marcelo está usando, durante o reconhecimento, uma camisa amarela, como se apresenta também na foto divulgada nas redes sociais.
“Vamos impugnar, iremos judicializar o ato, porque uma situação de extrema estranheza aconteceu. Todo mundo sabe que há mais de um mês vem ventilando em todos os veículos de imprensa, bem como de redes sociais, a foto do Marcelo trajando uma camiseta amarela. Curiosamente Marcelo me aparece na hora do reconhecimento com uma camiseta amarela. Isso é tendencioso, pelo amor de Deus, já basta a imagem dele vinculada (…) Além da imagem do Marcelo estar circulando em todos os locais, acham pouco e colocam uma camiseta amarela?”, contestou a defesa.
Como o advogado já havia informado, Marcelo da Silva não irá participar do trabalho de reconstituição, autorizado pelo juiz Cícero Everaldo Ferreira Silva, da 4ª Vara Regional de Execução Penal de Petrolina. O magistrado facultou ao réu participar ou não da reprodução simulada na condição de “pessoa suspeita/investigada”.
O advogado da família da vítima, Lécio Rodrigues, afirmou que não há dúvidas de que Marcelo é o autor do crime, e o que precisa ser esclarecido é a participação de outras pessoas no crime, inclusive de nomes que atrapalharam as investigações.
Contradições
Em janeiro deste ano, após mais de 6 anos do brutal assassinato, o acusado, que já estava preso por outros crimes, chegou a confessar o assassinato da criança. Dias depois, afirmou que seria inocente, e que a confissão foi feita por pressão
De início, a advogada Niedja Mônica da Silva se apresentou como defensora de Marcelo da Silva e disse que ele tinha confessado o assassinato para “aliviar o coração da mãe da menina”.
Depois, o advogado Rafael Nunes apresentou uma carta em que, segundo ele, Marcelo se diz inocente e afirmou que ele teria “sido pressionado” para admitir a culpa.
Os dois advogados dizem ter sido constituídos por Marcelo da Silva como defensores no caso. Rafael Nunes diz que Niedja Mônica foi destituída, mas ela afirma que a entrada do colega no caso está sendo analisada pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Pernambuco
O material genético de Marcelo da Silva foi encontrado na faca usada para assassinar a garota, e os exames de DNA comprovaram seu o envolvimento na morte da criança.
O DNA de Marcelo da Silva já estava no banco genético do estado desde 2019, quando foi feito um mapeamento de criminosos condenados.
O crime
Beatriz Mota foi assassinada em dezembro de 2015, no Colégio das Freiras, em Petrolina, durante uma festa de formatura da irmã mais velha, com várias facadas.
De acordo com a SDS, Marcelo da Silva contou, em depoimento, que entrou no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora para conseguir dinheiro. Ele, que era morador de rua, portava uma faca.
No depoimento à polícia, o suspeito teria contado que, ao vê-lo, a menina Beatriz se desesperou e, para silenciá-la, ele teria a esfaqueado. Para os pais da menina Beatriz, a motivação apontada pela SDS “não convence”.
Redação PNB/ foto: Emerson Rocha / g1 Petrolina



