
Um grupo de familiares de detentos do Conjunto Penal do município de Juazeiro, no Norte da Bahia, realizaram na manhã desta quinta-feira (20), uma manifestação pacífica em frente a unidade prisional, com o objetivo de chamar atenção da direção e dos órgãos competentes, para o que chamam de “desumanidade que vem sendo cometida com detentos e suas famílias.
Ao PNB, o grupo se queixou da falta de notícias dos presos, desde o mês de fevereiro deste ano, quando as visitas foram suspensas para evitar a proliferação do novo coronavirus.
“Entendemos a importância das medidas de segurança contra a Covid-19, mas temos direto a ter pelo menos notícias dos nosso familiares. Também não sabemos quando as visitas serão retomadas. Desde fevereiro buscamos informações e nunca temos respostas. Quando ligamos para saber de notícias, batem o telefone em nossa cara. Lá não tem serviço de assistência social, como nos demais presídios. Se tem, não cumpre seu papel. São três meses sem falar com nossos familiares e com muita saudade e angústia por não saber o que está acontecendo com eles, como eles estão. Além disso, também não estamos conseguindo entregar para eles o material de uso pessoal, como sandálias e cuecas”, declarou a mulher de um preso, que pediu para não ser identificada.
Após a manifestação, o grupo se dirigiu a sede do Ministério Público. Segundo informações dos familiares, no órgão foi feito um agendamento para que eles possam denunciar a situação.
Enviamos a reclamação para a direção do CPJ, que, em nota, rebateu as acusações e afirmou que o contato com os presos vem sendo feito por meio de “cartas, de telefonemas ou de visitas virtuais diariamente”.
Confira:
Com relação às supostas denúncias publicadas no blog preto no branco, a Direção do Conjunto Penal de Juazeiro informa que as visitas estão suspensas desde o mês de fevereiro em atendimento à portaria expedida pelo Exmº Sr. Secretário de Administração Penitenciária e Ressocialização, Dr. Nestor Duarte, publicada no Diário Oficial do Estado, cujo objetivo é preservar a vida e a saúde dos internos custodiados nesta unidade prisional, haja vista o recrudescimento do Covid-19 na Bahia e no Brasil, ressaltando que até o momento, graças a Deus e às barreiras sanitárias implementadas nenhum interno do CPJ apresentou sintomas compatíveis com o Covid-19.
Diante dessa situação, visando minorar o sofrimento imposto pela suspensão das visitas, o setor de Serviço Social do Conjunto Penal de Juazeiro, composto por profissionais competentes e comprometidas, tem facilitado o contato de internos com os seus familiares, seja através de cartas, de telefonemas ou de visitas virtuais diariamente.
Não obstante, nos manteremos vigilantes a fim de proporcionar o melhor atendimento possível a internos e familiares.
Cordialmente,
Manoel Thadeu – Diretor CPJ
Outras denúncias:
Os familiares, que também reivindicam mudanças na gestão do CPJ, atualmente feita pela empresa Reviver Administração Prisional Privada.
“A Reviver está há anos na gestão do presídio de Juazeiro. Outra empresa precisa entrar para que tenha melhorias. Tanto os detentos, como nós familiares somos constantemente humilhados no Conjunto Penal. Nos tratam como bichos. Quando temos o direito à visita não podemos entrar com nada, nem com uma água mineral ou algum alimento. Sabemos que em outras unidades é comum as visitas levarem um almoço para os presos aos domingos, mas aqui não pode levar nada. Temos que beber a água de lá, sem sabermos sequer a procedência, e muitas vezes dividir a comida quase crua que eles dão aos presos. Eu, por exemplo, já passei mal porque não moro em Juazeiro e tive que passar praticamente o dia todo sem me alimentar direito para conseguir visitar meu marido. Além disso, muitas de nós mulheres levamos crianças para as visitas, mas eles (funcionários), também não permitem que a gente leve lanche e até fraldas para essas crianças. São muitas irregularidades, muita desumanidade também. Já fizemos diversas denúncias e a situação nunca melhora. Não merecemos passar por isso e nem eles, pois já estão pagando pelos erros que cometeram”, finalizou.
Conjunto Penal de Juazeiro
O Conjunto Penal de Juazeiro foi construído para abrigar os presos provisórios da Comarca de Juazeiro e condenados nos regimes fechado e semiaberto de diversas cidades da região, de forma excepcional. Até fevereiro, o excedente populacional do regime fechado era superior a 150% (o PNB não conseguiu, junto a administração, dados atualizados).
Encaminhamos as reclamações também para o Conselho Municipal de Direitos Humanos, Ministério Público e para a Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores de Juazeiro.
Da Redação



