
Na última quarta-feira (25) uma notícia chocou a comunidade juazeirense. O diretor-presidente do Serviço de Água e Saneamento Ambiental (SAAE), Joaquim Medeiros Neto, e outros dois homens, foram denunciados pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), pelo assassinato do coordenador da Defesa Civil do município, Adalberto Gonzaga, ocorrido em fevereiro de 2017.
De acordo com o MPBA, Joaquim Neto, David Roger Paixão Reis e Gabriel Gomes Amaral foram indiciados por homicídio triplamente qualificado.
Após uma semana da denúncia do Ministério Público, o Judiciário, em Juazeiro, não se manifestou. Até o momento, os acusados não foram ouvidos e, de acordo com informações apuradas pelo PNB, não foi marcada audiência para dar seguimento a denúncia. Não se sabe se a Justiça acatou ou não a denúncia do representante do MP, Raimundo Moinhos.
No inquérito, o promotor diz que após as eleições municipais de 2016 e a mudança na gestão, a vítima foi afastada do seu cargo de Coordenador da Defesa Civil, órgão que opera junto ao SAAE, não sendo renomeado até o dia da sua morte. Adalberto teria ficado insatisfeito com o seu afastamento do cargo e reuniu documentos que constatavam irregularidades no uso de verbas públicas, a exemplo da verba de 5 milhões de reais destinada ao SAAE para a perfuração de poços na zona rural de Juazeiro, no segundo semestre de 2016.
O inquérito expõe ainda que a vítima chegou a procurar Joaquim Neto para questionar sobre a sua renomeação, e informando que tinha provas documentais que poderiam prejudicar o acusado e a administração municipal, fazendo com que Joaquim afirmasse que iria considerar a renomeação da vítima. Após essa conversa, Adalberto passou a receber ameaças de morte, fato que o fez procurar o radialista Waltermário Vieira Pimentel, para denunciar diversos desvios de verbas, levando consigo documentos que comprovavam as irregularidades.
Durante o encontro com o radialista, a vítima teria informado que o ex-prefeito de Juazeiro, Isaac Carvalho, estaria disposto a acabar com ele, e como retaliação, Adalberto anunciou que iria divulgar os documentos, diz o inquérito.
O documento também informa que após a conversa com o radialista, a vítima foi para a sua residência e ao chegar ao local, foi surpreendido pelos assassinos, que estavam em uma motocicleta. A pasta com os documentos que estavam com Adalberto teria desaparecido da cena do crime.
Defesas
O diretor do SAAE negou a acusação. Segundo ele, o MP se baseou em boato de adversários políticos, e foi induzida ao erro. Joaquim Neto disse ainda que não tinha inimizade com a vítima, nem motivos para atentar contra sua vida, “uma vez que não houve nenhuma irregularidade nos convênios da Defesa Civil”.
David Roger Paixão Reis, também indiciado por envolvimento no crime, se manifestou hoje, pela primeira vez, e afirmou que “as acusações que pesam em seu desfavor baseiam-se em comentários falaciosos que desnortearam o Ministério Público da Bahia (MPBA) na condução do caso”.
Da Redação



